Monthly Archives: dezembro 2005

Frankie 2005

Frankie 2005 – os melhores do ano

Ainda faltam alguns dias para o ano terminar, mas eu certamente não conseguirei ir mais ao cinema neste ano. Depois de uma semana sob o sol escaldante da minha terra natal, Maceió, onde, entre ver a família e os amigos e acompanhar o nascimento do meu afilhado lindo, Theo, o poderoso Thor, o único filme que eu consegui ver foi Oliver Twist, do Roman Polanski, que eu não achei ruim, mas classificaria como burocrático e chatinho. Talvez arrisque algumas linhas sobre ele assim que voltar a Salvador, amanhã. Por enquanto, começo a revelar os indicados para meu Oscarzinho pessoal, que chega a sua 13ª edição.

Para este prêmio, que eu batizei de Frankie (eu tinha 18, não liguem muito), seguem os seguintes critérios: valem todos os filmes que eu vi exclusivamente no cinema durante 2005, seja em circuito, seja em mostras ou festivais. A cronologia respeitada é apenas a minha, ou seja, valem filmes que entraram em cartaz em 2004, mas que eu vi apenas neste ano, assim como os filmes que somente entraram em cartaz neste ano, mas que eu já tinha visto antes não entram na disputa.

Vou mandar as categorias aos poucos, ao longo da semana.

* filmes que não estrearam em circuito, vistos em mostras, sessões especiais ou festivais.

** filmes que estrearam no circuto em 2004, mas só foram vistos neste ano.

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Revista Paisà

Revista Paisà

Há cerca de 15 anos, não menos que isso, a SET era uma boa revista de cinema. Juro. A equipe era composta de gente que, se não era competente, era bastante interessante e controversa. O espaço para a crítica, que hoje é cada vez menor e conta com um punhado de colaboradores dedicados mais a contar a história do que analisar o filme, era extenso e os textos geralmente bem elaborados. Desde então, a revista caiu muito e, sabe lá por qual motivo, nenhuma outra surgiu para ocupar seu lugar. Pois bem, o número zero da Revista Paisà, capitaneada pelo Sérgio Alpendre, chegou hoje às minhas mãos. E eu francamente acho que o espaço para a crítica de cinema numa revista está revigorado. Além de textos de qualidade (muitos bons), a revista é deliciosa de ler, com entrevistas, listas e seções especiais com um difícil equilíbrio entre pop e inteligência. A concepção gráfica é bonita e valoriza o material. Parabéns ao Sérgio e a toda a equipe.

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Nova rodada de previsões para o Oscar.

e em janeiro:

os melhores do cinema em 2005

arte by Teco Apple.

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Meu ranking anos 90

Meu ranking dos anos 90

1 Pulp Fiction (1994), de Quentin Tarantino
2 Underground (1995), de Emir Kusturica
3 Festa de Família (1998), de Thomas Vintenberg
4 As Pontes de Madison (1995), de Clint Eastwood
5 Rosetta (1999), de Jean-Pierre e Luc Dardenne
6 O Jogador (1992), de Robert Altman
7 Cães de Aluguel (1992), de Quentin Tarantino
8 O Marido da Cabeleireira (1990), de Patrice Leconte
9 Tempestade de Gelo (1997), de Ang Lee
10 A Outra Face (1997), de John Woo
11 A Liberdade é Azul (1993), de Krzysztóf Kieslowski
12 Os Imperdoáveis (1992), de Clint Eastwood
13 Almas Gêmeas (1994), de Peter Jackson
14 Carne Trêmula (1997), de Pedro Almodóvar
15 A Estrada Perdida (1996), de David Lynch
16 Trainspotting (1996), de Danny Boyle
17 Vive L’Amour (1994), de Tsai Ming-Liang
18 Os Amantes do Círculo Polar (1998), de Julio Medem
19 Clube da Luta (1999), de David Fincher
20 Buffalo ’66 (1998), de Vicent Gallo

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Ranking anos 90

Ranking dos anos 90

A Liga dos Blogues Cinematográficos divulgou agora há pouco a lista dos 30 melhores filmes dos anos 90.

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King Kong

Um coração do tamanho do mundo

O tamanho de um filme muitas vezes é motivo suficiente para que a produção seja suspeita, julgada, condenada e executada. A ânsia em defender o pequeno contra o gigante existe desde que o mundo é mundo e ganhou força no cinema desde que Tubarão, de Steven Spielberg, inventou a temporada do filme-evento bem no meio da década de 70 e deu um novo sentido à palavra superprodução. Os milhões de dólares (geralmente são dólares) investidos em filmes assim são normalmente associados às concessões que o diretor tem que fazer aos estúdios, interessados no retorno financeiro. Filme grande demais, então, é filme sem autor, filme com operador.

Esse certamente não é o caso de Spielberg que, no longa seguinte, faria um de seus mais belos trabalhos: Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977). Mesmo assim, o cineasta passou os últimos vinte anos tentando se livrar do carma de diretor de filmes de bilheteria gorda e tentando dar credibilidade artística ao seu trabalho. E esse certamente também não é o caso de Peter Jackson, o australiano que saiu do cinema de terror trash, dirigiu um indie respeitadíssimo (Almas Gêmeas, 1995) e depois entrou, ao que parece para sempre, no panteão dos cineastas de filmes gigantes.

Depois de comandar O Senhor dos Anéis (entre 2001 e 2003), três filmes imensos, grandiosos, tanto nas durações fartas quanto nas proporções de produção, Jackson, ao contrário de Spielberg que se alterna entre blockbusters e filmes menores, anunciou outro projeto-monstro, uma releitura do primeiro King Kong, filme de 1933, comandado por Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack. Projeto ao mesmo tempo bastante ambicioso e perigoso: o filme precisaria preencher os requisitos de um longa de ação, com criaturas gigantescas (além do gorila bem alimentado temos uma porção de dinossauros) e ser uma história de amor, crível, entre um bicho gigante e uma mulher. Um trabalho monstruoso.

Peter Jackson achou que o trabalho era pouco e, como a proposta era reimaginar o primeiro longa, situa seu filme na Nova York pós-Queda da Bolsa, falida, pobre, com pessoas perdendo os empregos. Com três filmes de três horas e meia no currículo, Jackson se sentiu à vontade para gastar muito, muito tempo na apresentação de seu cenário, de suas personagens, de sua história. A maior cidade do mundo de 70 anos atrás aparece majestosa, imensa, numa reconstituição de babar. É ali que elege sua musa (e a musa do Kong): Ann Darrow é uma comediante de vaudeville que vê o teatro onde trabalha fechar as portas por falta de dinheiro e cruza com um diretor de cinema em busca frenética por uma nova protagonista (isso depois de ser rejeitado pelo estúdio e resolver fugir para terminar seu novo projeto).

Este primeiro ato já revela ao espectador o que Jackson pretende de seu filme: ele pretende tudo. Diferentemente das duas versões anteriores da história – restritas a filme de aventura com um esboço inacabado das motivações de suas personagens, o novo King Kong é desavergonhadamente um filme clássico, grandioso: heróico, político, romântico, impetuoso, emotivo. Neste ato inicial também vemos que o sarcasmo de Jack Black empresta ao cineasta dentro do filme rascunha um vilão simpático, sem maneirismos além daquele olhar alucinado de sempre, e que Naomi Watts é mesmo encantadora.

Depois que o tema musical de James Newton Howard já colou na sua cabeça, o galã improvável Adrien Brody mostra que a estranheza funciona para o papel e o ex-Billy Elliott Jamie Bell traz o coadjuvante mais legal do filme. A chegada à ilha resulta numa cena fantástica do encontro entre a tripulação do navio e os nativos, com uma maquiagem assustadora. O domínio de Jackson sobre imagem e som nesta cena é impressionante. Ele é daqueles cineastas que fazem sumir os limites entre a tela e a platéia. Não vou me alongar no quesito técnico porque provavelmente todo mundo já falou ou vai falar sobre como os efeitos visuais são perfeitos, mas o que mais me impressionou não foi a absoluta competência em desenvoler o Kong, que tem cicatrizes e tudo, mas foi, acreditem, na sua composição como personagem e na sua performance.

O Kong de Jackson rouba sua loira sacrificada para depois se apaixonar. Tá todos os outros eram assim, mas nunca com a delicadeza como este filme mostra. Muito mais impactantes para mim do que as – inúmeras – cenas de ação com o gorila quebrando o pau com os dinossauros ou com os atores enfrentando todo o tipo de monstros pré-históricos (se você tem problemas com isso e gosta de filmes realistas, este filme não é para você), são as cenas de romance entre Ann e Kong, sedutoras, deliciosas, lindas mesmo. É nelas que o trabalho de capturar as expressões de Any Serkis, que também está no elenco em carne-e-osso, se revela preciso e, mais que isso, é nelas que Naomi Watts mostra que é uma das melhores atrizes do ano.

O tamanho no filme de Peter Jackson não é apenas documento, é em função dele que o diretor constrói seu filme. E é sendo do tamanho que é que King Kong permite suas alternâncias de ritmo, que revelam suas nuances múltiplas. De crônica social a filme de aventura, de superprodução a épico rômantico sobre um amor (im)possível, Peter Jackson faz um filme quase perfeito. Quem diria que o casal mais arrebatador de 2005 seria tão lindo?


King Kong




King Kong, Estados Unidos, 2005.
Direção: Peter Jackson.
Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens, baseado em história de Merian C. Cooper e Edgar Wallace.
Elenco: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Andy Serkis, Jamie Bell, Kyle Chandler, Lobo Chan, Thomas Krestschmann, Evan Parke, Colin Hanks, John Sumner, Craig Hall, Ray Woolf.
Fotografia: Andrew Lesnie. Montagem: Jamie Selkirk. Direção de Arte: Grant Major. Música: James Newton Howard. Figurinos: Terry Ryan. Produção: Jan Blenkin, Carolynne Cunningham, Peter Jackson e Fran Walsh. Site Oficial: King Kong.Duração: 187 min.


nas picapes: Julia, The Beatles.

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King Kong

King Kong

O tamanho de um filme muitas vezes é motivo suficiente para que a produção seja suspeita, julgada, condenada e executada. A ânsia em defender o pequeno contra o gigante existe desde que o mundo é mundo e ganhou força no cinema desde que Tubarão, de Steven Spielberg, inventou a temporada do filme-evento bem no meio da década de 70 e deu um novo sentido à palavra superprodução. Os milhões de dólares (geralmente são dólares) investidos em filmes assim são normalmente associados às concessões que o diretor tem que fazer aos estúdios, interessados no retorno financeiro. Filme grande demais, então, é filme sem autor, filme com operador.

Esse certamente não é o caso de Spielberg que, no longa seguinte, faria um de seus mais belos trabalhos: Contatos Imediatos do Terceiro Grau. Mesmo assim, o cineasta passou os últimos vinte anos tentando se livrar do carma de diretor de filmes de bilheteria gorda e tentando dar credibilidade artística ao seu trabalho. E esse certamente também não é o caso de Peter Jackson, o australiano que saiu do cinema de terror trash, dirigiu um indie respeitadíssimo (Almas Gêmeas) e depois entrou, ao que parece para sempre, no panteão dos cineastas de filmes gigantes.

Depois de comandar O Senhor dos Anéis, três filmes imensos, grandiosos, tanto nas durações fartas quanto nas proporções de produção, Jackson, ao contrário de Spielberg que se alterna entre blockbusters e filmes menores, anunciou outro projeto-monstro, uma releitura do primeiro King Kong, filme de 1933, comandado por Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack. Projeto ao mesmo tempo bastante ambicioso e perigoso: o filme precisaria preencher os requisitos de um longa de ação, com criaturas gigantescas (além do gorila bem alimentado temos uma porção de dinossauros) e ser uma história de amor, crível, entre um bicho gigante e uma mulher. Um trabalho monstruoso.

Peter Jackson achou que o trabalho era pouco e, como a proposta era reimaginar o primeiro longa, situa seu filme na Nova York pós-Queda da Bolsa, falida, pobre, com pessoas perdendo os empregos. Com três filmes de três horas e meia no currículo, Jackson se sentiu à vontade para gastar muito, muito tempo na apresentação de seu cenário, de suas personagens, de sua história. A maior cidade do mundo de 70 anos atrás aparece majestosa, imensa, numa reconstituição de babar. É ali que elege sua musa (e a musa do Kong): Ann Darrow é uma comediante de vaudeville que vê o teatro onde trabalha fechar as portas por falta de dinheiro e cruza com um diretor de cinema em busca frenética por uma nova protagonista (isso depois de ser rejeitado pelo estúdio e resolver fugir para terminar seu novo projeto).

Este primeiro ato já revela ao espectador o que Jackson pretende de seu filme: ele pretende tudo. Diferentemente das duas versões anteriores da história – restritas a filme de aventura com um esboço inacabado das motivações de suas personagens, o novo King Kong é desavergonhadamente um filme clássico, grandioso: heróico, político, romântico, impetuoso, emotivo. Neste ato inicial também vemos que o sarcasmo de Jack Black empresta ao cineasta dentro do filme rascunha um vilão simpático, sem maneirismos além daquele olhar alucinado de sempre, e que Naomi Watts é mesmo encantadora.

Depois que o tema musical de James Newton Howard já colou na sua cabeça, o galã improvável Adrien Brody mostra que a estranheza funciona para o papel e o ex-Billy Elliott Jamie Bell traz o coadjuvante mais legal do filme. A chegada à ilha resulta numa cena fantástica do encontro entre a tripulação do navio e os nativos, com uma maquiagem assustadora. O domínio de Jackson sobre imagem e som nesta cena é impressionante. Ele é daqueles cineastas que fazem sumir os limites entre a tela e a platéia. Não vou me alongar no quesito técnico porque provavelmente todo mundo já falou ou vai falar sobre como os efeitos visuais são perfeitos, mas o que mais me impressionou não foi a absoluta competência em desenvoler o Kong, que tem cicatrizes e tudo, mas foi, acreditem, na sua composição como personagem e na sua performance.

O Kong de Jackson rouba sua loira sacrificada para depois se apaixonar. Tá todos os outros eram assim, mas nunca com a delicadeza como este filme mostra. Muito mais impactantes para mim do que as – inúmeras – cenas de ação com o gorila quebrando o pau com os dinossauros ou com os atores enfrentando todo o tipo de monstros pré-históricos (se você tem problemas com isso e gosta de filmes realistas, este filme não é para você), são as cenas de romance entre Ann e Kong, sedutoras, deliciosas, lindas mesmo. É nelas que o trabalho de capturar as expressões de Any Serkis, que também está no elenco em carne-e-osso, se revela preciso e, mais que isso, é nelas que Naomi Watts mostra que é uma das melhores atrizes do ano.

O tamanho no filme de Peter Jackson não é apenas documento, é em função dele que o diretor constrói seu filme. E é sendo do tamanho que é que King Kong permite suas alternâncias de ritmo, que revelam suas nuances múltiplas. De crônica social a filme de aventura, de superprodução a épico rômantico sobre um amor (im)possível, Peter Jackson faz um filme quase perfeito. Quem diria que o casal mais arrebatador de 2005 seria tão lindo?

King Kong EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[King Kong, Peter Jackson, 2005]

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Oscar

Avaliação dos indicados do Globo de Ouro + panorama geral da corrida ao Oscar.

Se nada mudar, eu vejo King Kong na quarta-feira.

Atenção! O prazo para os integrantes da Liga dos Blogues Cinematográficos enviarem as listas do ranking dos melhores dos anos 90 termina impreterivelmente às 23h59 da quinta-feira, dia 15 (horário de Brasília). Portanto, quem quiser participar, apresse-se.

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31 filmes


1 Aurora (1927)
de F. W. Murnau


2 Gritos e Sussurros (1972)
de Ingmar Bergman


3 Onde Começa o Inferno (1959)
de Howard Hawks


4 Intriga Internacional (1959)
de Alfred Hitchcock


5 Era Uma Vez no Oeste (1968)
de Sergio Leone


6 Amarcord (1973)
de Federico Fellini


7 Elefante (2003)
de Gus Van Sant


8 Apocalypse Now (1979/2001)
de Francis Ford Coppola


9 Os Incompreendidos (1959)
de François Truffaut


10 Este Mundo é um Hospício (1944)
de Frank Capra


11 Cantando na Chuva (1952)
de Gene Kelly e Stanley Donen


12 O Marido da Cabeleireira (1990)
de Patrice Leconte


13 O Poderoso Chefão – 2ª Parte (1974)
de Francis Ford Coppola


14 Tempos Modernos (1936)
de Charles Chaplin


15 Janela Indiscreta (1954)
de Alfred Hitchcock


16 A Noite (1960)
de Michelangelo Antonioni


17 Nós que nos Amávamos Tanto (1974)
de Ettore Scola


18 Um Corpo que Cai (1958)
de Alfred Hitchcock


19 A Paixão de Joana D’Arc (1927)
de Carl Dreyer


20 Cidadão Kane (1940)
de Orson Welles


21 Filho Único (1936)
de Yasujiro Ozu


22 A Regra do Jogo (1939)
de Jean Renoir


23 Crepúsculo dos Deuses (1950)
de Billy Wilder


24 Interiores (1978)
de Woody Allen


25 Antes do Pôr-do-Sol (2004)
de Richard Linklater


26 Morangos Silvestres (1957)
de Ingmar Bergman


27 Flor do Equinócio (1958)
de Yasujiro Ozu


28 2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968)
de Stanley Kubrick


29 Um Gosto de Mel (1961)
de Tony Richardson


30 Blade Runner (1982)
de Ridley Scott


31 Conta Comigo (1986)
de Rob Reiner

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Plano de Vôo

Viagem Insólita

Não estava nos meus planos ver este filme. O tempo havia passado desde sua estréia, quando eu estava um pouco mais empolgado, e a vontade foi esfriando cada vez mais. Mas como eu perdi o horário do outro filme que iria ver, terminei meio “obrigado” nesta sessão. Tudo para não perder a viagem. Não perder a viagem foi o que Jodie Foster deve ter pensado quando aceitou fazer o longa, o primeiro depois do longínquo Quarto do Pânico (2002), de bobagem de tensão de David Fincher. De certo modo, Jodie fez um filme com algumas semelhanças com seu último trabalho.

O grande mérito de Plano de Vôo é explorar a claustrofobia do pouco espaço para se aventurar pela paranóia, que ganha cada vez mais defensores nos Estados Unidos. A paranóia como filosofia de vida. Enquanto a personagem de Jodie é louca do avião, em busca de sua filha imaginária, sob os olhares e comentários desconfiados de seus colegas de vôo, o filme guarda certo interesse. Mesmo diante de sua limitadíssima capacidade como atriz (que se resume em três ou quatro expressões e uma testa franzida para todo o sempre), Jodie dá algum crédito a mãe louca que interpreta.

O problema é o que vem depois. A reviravolta da história é tão displicente que as personagens são viradas pelo avesso sem qualquer registro do que os atores tinham feito até então. O caso grave é o de Peter Sarsgaard, coitado, um ator eficiente que se meteu numa tranqueira truncada. Depois desta virada, tudo é muito fácil, previsível (inclusive a atual tendência do cinema norte-americano de permitir ao herói um assassinatozinho porque ninguém é de ferro) e toscamente resolvido.

Plano de Vôo
Fightplan, Estados Unidos, 2005.
Direção: Robert Schwentke.
Roteiro: Billy Ray e Peter A. Dowling.
Elenco: Jodie Foster, Peter Sarsgaard, Sean Bean, Marlene Lawston, Kate Beahan, Matthew Bomer, Erika Christensen, Assaf Cohen, Shane Edelman, David A. Farkas, Mary Gallagher, Christopher Gartin, Michael Irby, Andray Johnston, Jana Kolesarova, Forrest Landis, Judith Scott.
Fotografia: Florian Ballhaus. Montagem: Thom Noble. Direção de Arte: Alec Hammond. Música: James Horner. Figurinos: Susan Lyall. Produção: Brian Grazer. Site Oficial: Plano de Vôo.Duração: 98 min.

nas picapes: Same In Any Language, da trilha sonora de Tudo Acontece em Elizabethtown.

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