Monthly Archives: outubro 2005

Mostra de Cinema de São Paulo: rapidinhas 10

Mistérios da Carne , de Gregg Araki.

Há alguma poesia em mais uma tentativa de mergulho de Araki no quê marginal das pessoas comuns. A melancolia que o diretor empresta a suas personagens diferentes parece legítima, mas existe um hiato quando a questão é o que dizer. O mistério proposto pela trama é o que de menos importa. É o caminho para chegar na sua solução que revela os processos íntimos dos dois protagonistas.

A Criança , de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne.

Os Dardenne têm um talento inegável para filmar o fatalismo, a tragédia, a amoralidade. A questão talvez seja que seu cinema imediato, seu ultra-realismo siga uma fórmula que está cada vez mais desgastada. A Criança, como os outros títulos da carreira da dupla, persegue o confrontamento entre o homem e o inevitável, mas desta vez não há a mesma tristeza pelo conformismo que em Rosetta (1999), de longe, o melhor e mais redondo filme da dupla. O drama não parece mais tão urgente, as personagens parecem presas a um modelo cansado de marginalidade (leia-se: para personagens à margem e não, bandidos); as idéias já não são mais tão fortes.

Tirando o Véu , de Angelina Maccarone.

Drama econômico que, tirando algumas boas idéias (de amarração, sobretudo), é filmado de maneira bem convencional, com direito a alguns clichês cansativos. Há uma idéia bem maniqueísta de como “o inimigo” deve ser: amoral, agressivo física ou verbalmente. O melhor é não ressaltar o “exotismo” da protagonista iraniana. Visto na FAAP, na companhia do Marcelo Valletta e da Ana Paul, que na noite anterior, além da cerveja e do caldinho, me proporcionaram ver o belíssimo A Palavra (1955), do Carl Dreyer, e dois curtas raros: Film (1965), de Alan Schneider, único filme escrito pelo Beckett, último trabalho do Buster Keaton, e Le Gros et le Maigre (1961), um dos primeiros Polanski.

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Mostra SP 2005: dia 10

Mistérios da Carne, de Gregg Araki.

Há alguma poesia em mais uma tentativa de mergulho de Araki no quê marginal das pessoas comuns. A melancolia que o diretor empresta a suas personagens diferentes parece legítima, mas existe um hiato quando a questão é o que dizer. O mistério proposto pela trama é o que de menos importa. É o caminho para chegar na sua solução que revela os processos íntimos dos dois protagonistas.

A Criança, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne.

Os Dardenne têm um talento inegável para filmar o fatalismo, a tragédia, a amoralidade. A questão talvez seja que seu cinema imediato, seu ultra-realismo siga uma fórmula que está cada vez mais desgastada. A Criança, como os outros títulos da carreira da dupla, persegue o confrontamento entre o homem e o inevitável, mas desta vez não há a mesma tristeza pelo conformismo que em Rosetta (1999), de longe, o melhor e mais redondo filme da dupla. O drama não parece mais tão urgente, as personagens parecem presas a um modelo cansado de marginalidade (leia-se: para personagens à margem e não, bandidos); as idéias já não são mais tão fortes.

Tirando o Véu, de Angelina Maccarone.

Drama econômico que, tirando algumas boas idéias (de amarração, sobretudo), é filmado de maneira bem convencional, com direito a alguns clichês cansativos. Há uma idéia bem maniqueísta de como “o inimigo” deve ser: amoral, agressivo física ou verbalmente. O melhor é não ressaltar o “exotismo” da protagonista iraniana. Visto na FAAP, na companhia do Marcelo Valletta e da Ana Paul, que na noite anterior, além da cerveja e do caldinho, me proporcionaram ver o belíssimo A Palavra (1955), do Carl Dreyer, e dois curtas raros: Film (1965), de Alan Schneider, único filme escrito pelo Beckett, último trabalho do Buster Keaton, e Le Gros et le Maigre (1961), um dos primeiros Polanski.

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Mostra de Cinema de São Paulo: rapidinhas 9

Os Canibais , de Manoel de Oliveira.

Um conto popular vira musical operístico. Manoel de Oliveira, trabalhando com o absurdo, consegue resultados esplendidamente visuais e, mais uma vez, arranha com dor a carne da burguesia. O amor resiste aos obstáculos? Os interesses pessoais sobrepujam o amor, a ética? A última cena, onde o cineasta se permite destruir a última ligação do filme com o factual, algo que pode mesmo ser extremamente desprezível, é o ponto final mais adequado para uma fábula de mestre.

O Fim do Mundo/Namorados , de Shiori Kazama.

O velho conflito do jovem com suas metas, com seu futuro. Personagens perdidos no meio da metrópole, sem saber muito bem o que fazer com suas vidas e tentando se apegar a algo que se pretende sólido. Algumas cenas despertam certo interesse, mas a poesia que se tenta nunca se consuma muito bem.

Marcas da Violência , de David Cronenberg.

A sua família é você quem escolhe. Tom Stall escolheu sua parceira e com ela teve dois filhos. E nada vai fazer com que ele desista da família dele. Nada que venha de fora, nada que venha de dentro. Muita gente tem chamado de um Cronenberg “limpo”, mas, na verdade, é um dos filmes mais bem dirigidos do diretor, que consegue um crescendo aterrorizante com muita sutileza. Os momentos de riso, que a platéia fez questão de multiplicar, são um pouco incômodos. O filme, a meu ver, funcionaria plenamente se fosse completamente duro, mesmo assim não há demérito.

Cinema, Aspirina e Urubus , de Marcelo Gomes.

Talvez pelo sotaque, pelas expressões conhecidas, pela cultura muito próxima. Mas provavelmente por muito mais que isso. O longa de estréia de Marcelo Gomes é o melhor filme brasileitro do ano e um dos melhores filmes da Mostra. A história, simples, ganhou um dos roteiros mais bem acabados dos últimos tempos e uma caprichadíssima fotografia, que nunca se exalta no filtro e ganha pontos com a câmera criativa e os belos quadros que promove, competência presente em todas as searas aqui. João Miguel, apesar de fazer o “nordestino simpático” que já nos conquistou em muitos filmes com outros atores tão talentosos quanto, está perfeito no papel e é dono da melhor cena-solo do filme. É um filme que não busca atenção para si e isto faz dele muito maior do que muita coisa que surge por aí.

Be Movies: programa 2 , de Khavn.

Tosco, tosco e de muito mau gosto. As sinopses indicavam curtas de terror, mas a coletânea de filminhos aqui caberia mais na definição de trash. Khavn não tem muito a dizer, então, busca o choque pela violência, sexo e podreira. Os filmes, que sempre começam na mesa de jantar de uma família filipina composta por um pai psicopata, uma mãe maluca, uma filha dadeira, um filho grandão e bobo, um bebê-anão e um morto, são muito mal feitos, num digital vagabundíssimo, com zero de coerência. As piadas funcionam muito pouco. O melhorzinho é o programa de TV da dona-de-casa.

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Mostra SP 2005: dia 9

Os Canibais, de Manoel de Oliveira.

Um conto popular vira musical operístico. Manoel de Oliveira, trabalhando com o absurdo, consegue resultados esplendidamente visuais e, mais uma vez, arranha com dor a carne da burguesia. O amor resiste aos obstáculos? Os interesses pessoais sobrepujam o amor, a ética? A última cena, onde o cineasta se permite destruir a última ligação do filme com o factual, algo que pode mesmo ser extremamente desprezível, é o ponto final mais adequado para uma fábula de mestre.

O Fim do Mundo/Namorados, de Shiori Kazama.

O velho conflito do jovem com suas metas, com seu futuro. Personagens perdidos no meio da metrópole, sem saber muito bem o que fazer com suas vidas e tentando se apegar a algo que se pretende sólido. Algumas cenas despertam certo interesse, mas a poesia que se tenta nunca se consuma muito bem.

Marcas da Violência, de David Cronenberg.

A sua família é você quem escolhe. Tom Stall escolheu sua parceira e com ela teve dois filhos. E nada vai fazer com que ele desista da família dele. Nada que venha de fora, nada que venha de dentro. Muita gente tem chamado de um Cronenberg “limpo”, mas, na verdade, é um dos filmes mais bem dirigidos do diretor, que consegue um crescendo aterrorizante com muita sutileza. Os momentos de riso, que a platéia fez questão de multiplicar, são um pouco incômodos. O filme, a meu ver, funcionaria plenamente se fosse completamente duro, mesmo assim não há demérito.

Cinema, Aspirina e Urubus, de Marcelo Gomes.

Talvez pelo sotaque, pelas expressões conhecidas, pela cultura muito próxima. Mas provavelmente por muito mais que isso. O longa de estréia de Marcelo Gomes é o melhor filme brasileitro do ano e um dos melhores filmes da Mostra. A história, simples, ganhou um dos roteiros mais bem acabados dos últimos tempos e uma caprichadíssima fotografia, que nunca se exalta no filtro e ganha pontos com a câmera criativa e os belos quadros que promove, competência presente em todas as searas aqui. João Miguel, apesar de fazer o “nordestino simpático” que já nos conquistou em muitos filmes com outros atores tão talentosos quanto, está perfeito no papel e é dono da melhor cena-solo do filme. É um filme que não busca atenção para si e isto faz dele muito maior do que muita coisa que surge por aí.

Be Movies: programa 2, de Khavn.

Tosco, tosco e de muito mau gosto. As sinopses indicavam curtas de terror, mas a coletânea de filminhos aqui caberia mais na definição de trash. Khavn não tem muito a dizer, então, busca o choque pela violência, sexo e podreira. Os filmes, que sempre começam na mesa de jantar de uma família filipina composta por um pai psicopata, uma mãe maluca, uma filha dadeira, um filho grandão e bobo, um bebê-anão e um morto, são muito mal feitos, num digital vagabundíssimo, com zero de coerência. As piadas funcionam muito pouco. O melhorzinho é o programa de TV da dona-de-casa.

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Mostra de Cinema de São Paulo: rapidinhas 8

Aniki-bobó , de Manoel de Oliveira.

Bem, não vou me prolongar muito. Não há quase nada a dizer. O filme é lindo, encantador e, quer se queira ou não, já lança vários dos olhares sobre o mundo que nós vemos (bem mais elaborados, obviamente) nos filmes mais recentes de Manoel de Oliveira. Curioso foi ouvir comentários sobre como o filme era engraçado, o que ele certamente é, mas esta pérola, que se considera o marco zero do neo-realismo (essas coisas são sempre questionáveis), é muito mais do que um filme bonitinho. É um filme sobre o mundo, sobre confrontar-se, sobre crescer.

500 Almas , de Joel Pizzini.

Belo filme de Pizzini, que é extremamente carinhoso com a apresentação dos remanescentes da tribo Guató, que sobrevivem no Pantanal Mato-grossense. O documentário é intercalado por aparições de Paulo José, que nas peles de generais, juízes e religiosos ajuda a compor o histórico do povo, que foi considerado extinto por quase uma década. Algo que eu pensei que não fosse funcionar, mas que se revela bem eficaz a cada nova intervenção. A fotografia, a cargo de Mário Carneiro, que assinou vários filmes do Cinema Novo, é um dos pontos altos do filme, que peca apenas porque muitas das cenas onde há sobreposição de sons ficam incompreensíveis.

Caminhão Cinza Pintado de Vermelho , de Srdjan Koljevic.

Um homem daltônico que acaba de sair da cadeia e uma roqueira revoltada que descobre que está grávida. Os cenários são as estradas das repúblicas da antiga Iugoslávia, em 1991, quando a guerra civil começava a esfacelar o país. Enquanto surge uma história de amor cheia de piadinhas dentro da boléia do caminhão, a dupla cruza os mais diferentes grupos étnicos e políticos, mas não percebe muito bem o que está acontecendo. O diretor faz de tudo para reforçar este clima away, dando características extremamente simpáticas para as personagens, que, mesmo quando mergulhados na crise do país, estão completamente alheios ao contexto. A brincadeira fica forçada porque as idéias até são boas, mas sua tradução nunca funciona plenamente.

P.S.: notas de zero a dez para os filmes da Mostra, aqui.

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Mostra SP 2005: dia 8

Aniki-bobó, de Manoel de Oliveira.

Bem, não vou me prolongar muito. Não há quase nada a dizer. O filme é lindo, encantador e, quer se queira ou não, já lança vários dos olhares sobre o mundo que nós vemos (bem mais elaborados, obviamente) nos filmes mais recentes de Manoel de Oliveira. Curioso foi ouvir comentários sobre como o filme era engraçado, o que ele certamente é, mas esta pérola, que se considera o marco zero do neo-realismo (essas coisas são sempre questionáveis), é muito mais do que um filme bonitinho. É um filme sobre o mundo, sobre confrontar-se, sobre crescer.

500 Almas, de Joel Pizzini.

Belo filme de Pizzini, que é extremamente carinhoso com a apresentação dos remanescentes da tribo Guató, que sobrevivem no Pantanal Mato-grossense. O documentário é intercalado por aparições de Paulo José, que nas peles de generais, juízes e religiosos ajuda a compor o histórico do povo, que foi considerado extinto por quase uma década. Algo que eu pensei que não fosse funcionar, mas que se revela bem eficaz a cada nova intervenção. A fotografia, a cargo de Mário Carneiro, que assinou vários filmes do Cinema Novo, é um dos pontos altos do filme, que peca apenas porque muitas das cenas onde há sobreposição de sons ficam incompreensíveis.

Caminhão Cinza Pintado de Vermelho, de Srdjan Koljevic.

Um homem daltônico que acaba de sair da cadeia e uma roqueira revoltada que descobre que está grávida. Os cenários são as estradas das repúblicas da antiga Iugoslávia, em 1991, quando a guerra civil começava a esfacelar o país. Enquanto surge uma história de amor cheia de piadinhas dentro da boléia do caminhão, a dupla cruza os mais diferentes grupos étnicos e políticos, mas não percebe muito bem o que está acontecendo. O diretor faz de tudo para reforçar este clima away, dando características extremamente simpáticas para as personagens, que, mesmo quando mergulhados na crise do país, estão completamente alheios ao contexto. A brincadeira fica forçada porque as idéias até são boas, mas sua tradução nunca funciona plenamente.

 

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Mostra de Cinema de São Paulo: rapidinhas 7

Cine-fragmentos , de Alain Cavalier.

Coleção de recortes do cotidiano de Cavalier, captados ao longo de dez anos, costurados com eficiência a ponto de criar várias historietas, principal linha narrativa que o filme persegue. O diretor não tem pudores em mostrar sua intimidade e a da família, às vezes parecendo até ofensivo com sua esposa.

Vento e Areia , de Victor Sjöström.

Sjöström chega a Hollywood amadurecendo todas as idéias que exercitou ao longo dos anos filmando na Suécia. Um filme com uma composição visual invejável, tanto na fotografia, nas truncagens, quanto nos efeitos visuais, capaz de criar até ciclones artificiais. Uma obra-prima, eu diria. Lilian Gish, excepcional, mostra porque foi uma das poucas estrelas que ultrapassou os limites do cinema mudo.

O Inferno , de Danis Tanovic.

Uma família para a qual tudo deu errado. As histórias paralelas das três irmãs ganhou tratamento impiedoso do roteirista Krzysztof Piesiewicz, traduzido com fidelidade por Tanovic, que acerta na fotografia, na montagem e na música aterrorizante. A seqüência em que Emmanuelle Béart segue o marido até um hotel é magnífica, mas há um punhado de grandes cenas e muitas boas interpretações. O filme é o segundo da trilgia baseada em A Divina Comédia, de Dante, que seria dirigida pore Kieslowski. O primeiro foi o irregular Paraíso, de Tom Tykwer.

Crime Delicado , de Beto Brant.

Primeira bola fora de Beto Brant, baseada num texto muito pretensioso e pouco convicente de Sérgio Sant’Anna, que tenta incorporar a arte (ou as artes) à, digamos, essência da vida. Esta preocupação é o eixo central do roteiro, que deixa escapulir, talvez conscientemente, uma história mais consistente para o protagonista. Os intermezzos com as encenações de teatro são longos demais para um filme tão curto. E a melhor cena – quem diria? – é a protagonizada pelo intragável Cláudio Assis, diretor de Amarelo Manga, que está excelente (e parece bêbado).

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Mostra SP 2005: dia 7

Cine-fragmentos, de Alain Cavalier.

Coleção de recortes do cotidiano de Cavalier, captados ao longo de dez anos, costurados com eficiência a ponto de criar várias historietas, principal linha narrativa que o filme persegue. O diretor não tem pudores em mostrar sua intimidade e a da família, às vezes parecendo até ofensivo com sua esposa.

Vento e Areia, de Victor Sjöström.

Sjöström chega a Hollywood amadurecendo todas as idéias que exercitou ao longo dos anos filmando na Suécia. Um filme com uma composição visual invejável, tanto na fotografia, nas truncagens, quanto nos efeitos visuais, capaz de criar até ciclones artificiais. Uma obra-prima, eu diria. Lilian Gish, excepcional, mostra porque foi uma das poucas estrelas que ultrapassou os limites do cinema mudo.

O Inferno, de Danis Tanovic.

Uma família para a qual tudo deu errado. As histórias paralelas das três irmãs ganhou tratamento impiedoso do roteirista Krzysztof Piesiewicz, traduzido com fidelidade por Tanovic, que acerta na fotografia, na montagem e na música aterrorizante. A seqüência em que Emmanuelle Béart segue o marido até um hotel é magnífica, mas há um punhado de grandes cenas e muitas boas interpretações. O filme é o segundo da trilgia baseada em A Divina Comédia, de Dante, que seria dirigida pore Kieslowski. O primeiro foi o irregular Paraíso, de Tom Tykwer.

Crime Delicado, de Beto Brant.

Primeira bola fora de Beto Brant, baseada num texto muito pretensioso e pouco convicente de Sérgio Sant’Anna, que tenta incorporar a arte (ou as artes) à, digamos, essência da vida. Esta preocupação é o eixo central do roteiro, que deixa escapulir, talvez conscientemente, uma história mais consistente para o protagonista. Os intermezzos com as encenações de teatro são longos demais para um filme tão curto. E a melhor cena – quem diria? – é a protagonizada pelo intragável Cláudio Assis, diretor de Amarelo Manga, que está excelente (e parece bêbado).

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Mostra de Cinema de São Paulo: rapidinhas 6

O Território , de Aron Gauder.

Divertidíssimo, com um humor bastante em voga, unindo sarcasmo e crítica política, com público-alvo inegável: o adolescente. A história é bem boba, mas há dezenas de cenas engraçadíssimas. Sim, parece South Park. Aliás, parece mais Terrance and Phillipe. A técnica de animação (perdoem-me por ser completamente leigo nisso) é deliciosa, bastante diferente dos filmes feitos do outro lado do oceano.

Palindromes , de Todd Solondz.

Todd Solondz tinha meu apreço. Bem-Vindo à Casa de Bonecas (1996), filme sobre os estranhos e os espaços que eles encontram pelo mundo, era um belo ensaio do que vinha por aí. E eu realmente gosto de Felicidade (1998), que traz o incômodo à superfície embora muitas vezes se recorra à armadilha do choque. Histórias Proibidas (2001) tenta fazer o mesmo e tem algum sucesso nisso, mas em escala bem menor. O novo longa do diretor é uma surpresa. Uma péssima surpresa. Palindromes é uma ode ao bizarro, um elogio à diferença. Solondz, ansiosíssimo por acintar mais uma vez a América, cometeu o filme mais repulsivo dos últimos tempos. Um filme que se ergue sobre o quão patético consegue tornar tudo a sua volta. Que se baseia no ridículo para convencer a platéia pelo riso, pela gargalhada, pelo escárnio. E a platéia de ontem do Cineclube Vitrine 1 (ou pelo menos, enorme parte dela) estava muito disposta a rir de tudo, desde a moça extremamente gorda e o coral de deficientes físicos até até o sexo com crianças. O riso era tão descontrolado que até em cenas de corte (como um carro passando por uma rodovia) era momento para alguma manifestação. A história da menina Aviva, que Solondz se dispôs a contar, deveria mostrar que tudo é igual e que nada muda (o tal palíndromo do título, a palavra que lida de trás pra frente tem a mesma grafia), mas só fez ressaltar a diferença pelo grotesco.

P.S.: depois de quase mais de dois anos e meio de contato pelos blogues, finalmente conheci hoje pessoalmente o Daniel Libarino, do The Bridge, num encontro bem por acaso que se transformou numa conversa rápida e que eu espero que seja repetida até antes de eu voltar para casa.

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Mostra SP 2005: dia 6

O Território, de Aron Gauder.

Divertidíssimo, com um humor bastante em voga, unindo sarcasmo e crítica política, com público-alvo inegável: o adolescente. A história é bem boba, mas há dezenas de cenas engraçadíssimas. Sim, parece South Park. Aliás, parece mais Terrance and Phillipe. A técnica de animação (perdoem-me por ser completamente leigo nisso) é deliciosa, bastante diferente dos filmes feitos do outro lado do oceano.

Palindromes, de Todd Solondz.

Todd Solondz tinha meu apreço. Bem-Vindo à Casa de Bonecas (1996), filme sobre os estranhos e os espaços que eles encontram pelo mundo, era um belo ensaio do que vinha por aí. E eu realmente gosto de Felicidade (1998), que traz o incômodo à superfície embora muitas vezes se recorra à armadilha do choque. Histórias Proibidas (2001) tenta fazer o mesmo e tem algum sucesso nisso, mas em escala bem menor. O novo longa do diretor é uma surpresa. Uma péssima surpresa. Palindromes é uma ode ao bizarro, um elogio à diferença. Solondz, ansiosíssimo por acintar mais uma vez a América, cometeu o filme mais repulsivo dos últimos tempos. Um filme que se ergue sobre o quão patético consegue tornar tudo a sua volta. Que se baseia no ridículo para convencer a platéia pelo riso, pela gargalhada, pelo escárnio. E a platéia de ontem do Cineclube Vitrine 1 (ou pelo menos, enorme parte dela) estava muito disposta a rir de tudo, desde a moça extremamente gorda e o coral de deficientes físicos até até o sexo com crianças. O riso era tão descontrolado que até em cenas de corte (como um carro passando por uma rodovia) era momento para alguma manifestação. A história da menina Aviva, que Solondz se dispôs a contar, deveria mostrar que tudo é igual e que nada muda (o tal palíndromo do título, a palavra que lida de trás pra frente tem a mesma grafia), mas só fez ressaltar a diferença pelo grotesco.

P.S.: depois de quase mais de dois anos e meio de contato pelos blogues, finalmente conheci hoje pessoalmente o Daniel Libarino, do The Bridge, num encontro bem por acaso que se transformou numa conversa rápida e que eu espero que seja repetida até antes de eu voltar para casa.

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