Monthly Archives: junho 2005

Guerra dos Mundos

Guerra dos Mundos

A paranóia causada pelos ataques do 11 de setembro de 2001 parece crescer a cada dia. Existe muita gente disposta a enxergar alusões, referências, conseqüências da tragédia em qualquer lugar, no dia-a-dia ou ou na arte. Steven Spielberg escolheu justamente este clima de instabilidade para rodar seu novo filme. Filme com uma proposta simples: a Terra foi invadida por alienígenas e eles querem nos matar. Todas as leituras possíveis já começaram a ser feitas e todas elas passam pelos reflexos que o terror espalhou nos últimos quatro anos, sobretudo em solo norte-americano.

De acordo com o diretor, o momento parecia ideal para fazer o filme (como parecia a iminência da Segunda Guerra Mundial ou o auge da Guerra Fria) e, diante disso, ele espalha ecos dessa paranóia pelo longa. Foram os terroristas?, pergunta Rachel a seu pai quando ele explica que sua cidade está sendo atacada. Mas muito além de qualquer alegoria política que possa parecer ser, Guerra dos Mundos, o livro que H.G. Wells escreveu no fim do século XIX, é uma obra de ficção, que usa o fantástico para divertir. Uma definição que cabe muito bem ao responsável por sua última encarnação.

Spielberg não é apenas o mais bem sucedido diretor do cinema pop, mas também é seu maior criador. Toda sua carreira é composta por filmes que exploraram esse namoro com a fantasia. O maior medo em relação a seu envolvimento com o material de Wells era como o cineasta bom moço lidaria com o fatalismo e a violência do livro. Muito mais esperto do que se acha, Spielberg usou o cenário e a história orginais, mas mudou os protagonistas, tendência em voga no cinema para modernizar e multiplicar as possibilidades de uma obra. Temos uma família no comando da ação. A cota bonzinho acaba aí.

O talento para criar o suspense, para envolver o espectador, característica presente em quase toda sua obra, está em seu estado mais avançado. E Spielberg não se acovarda e, inclusive, se aproveita desse dom para incorporar o espírito original da obra, pessimista, implacável, violento. Consegue construir seqüências físicas, exaustivas, onde o limite entre a tela e quem assiste desaparecem. É o diretor mais povão de Hollywood, é tão bom fazendo o que faz que não deveria se aventurar pelos filmes sérios.

E ainda é inteligente.

Guerra dos Mundos não trata muito bem os Estados Unidos. O mundo inteiro está sob ataque, mas somente vemos a destruição que acontece na terra de George W. Bush. E há muitas cenas violentas. O que mais se parece com um herói é um homem de comportamento psicótico, interpretado por Tim Robbins até com certa habilidade. Não há redenção, ninguém salva ninguém, o fim da história não passa pelo militarismo norte-americano. Todos somos alvo em potencial. As coisas não são tão simples assim.

Guerra dos Mundos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[War of The Worlds, Steven Spielberg, 2005]

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No tom certo

Dar o espaço certo ao exagero é uma missão muito difícil para qualquer artista. Poucos conseguem sucesso aos explorar esses limites que o que têm de nebulosos, têm de tênues. O texto de Inconscientes é todo baseado em sua capacidade de ser afetado sem sair do tom. E impressiona como o diretor Joaquín Oristrell é feliz em assumir o excesso: há um equilíbrio complicado de conseguir entre o escrachado e o sério. Há uns ecos de Pedro Almodóvar no início, embora o resultado seja muito diferente. A direção dá tanta consistência ao absurdo que ele se torna plausível. É louvável quando um cineasta acredita no seu filme.

E o roteiro é inteligente: brinca com Freud numa história de suspense que aborda alguns tabus de maneira leve e natural – e é construído quase que como uma homenagem ao cinema. Nada totalmente original, mas uma delícia de ver. A montagem acompanha o ritmo do filme, que tem fotografia esperta, sofisticada, quase hitchcockiana em alguns momentos. O timing do elenco é muito bom: a protagonista Leonor Watling, que pecava por estar além do tom em Minha Mãe Gosta de Mulher, consegue se encontrar aqui, ao lado de um inspirado Luis Tovar e da ótima Mercedes Sampietro. Inconscientes é a maior supresa deste ano até agora.

INCONSCIENTES
Inconscientes, Espanha/Alemanha/Itália/Portugal, 2004.
Direção: Joaquín Oristrell.
Roteiro: Dominic Harari, Joaquín Oristrell e Teresa Pelegri.
Elenco: Leonor Watling, Luis Tosar, Alex Brendemühl, Mercedes Sampietro, Núria Prims, Ana Rayo, Juanjo Puigcorbé, Marieta Orozco.
Fotografia: Jaume Peracaula. Direção de Arte: Llorenç Miquel. Música: Sergio Moure. Montagem: Miguel Ángel Santamaría. Figurinos: Sabine Daigeler. Produção: Mariela Besuievski, Marta Esteban, Josean Gómez e Gerardo Herrero. Site Oficial: Inconscientes.

rodapé:
A Hora da Zona Morta, de David Cronenberg.
A revisão veio na hora. Continua muito bom, mas tem algo de datado. Cronenberg não dirige bem o Christopher Walken, que muitas vezes está canastrão. Guarda um encanto nostálgico, mas impressiona bem menos numa época onde é pecado não se apoiar tanto no mágico.

nas picapes: Blue Monday, New Order.

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Muita água para pouco sapo

Chove muito e há vários dias em Salvador. Quatro dias de folga que seriam convertidos em múltiplas idas ao cinema terminaram em duas visitas apenas.O São João dos meus sonhos deu com os burros n’água. Foi numa tarde de muita chuva que eu fui ao Cinema do Museu Geológico da Bahia assistir A Profecia dos Sapos. A animação francesa que traz o dilúvio para os dias de hoje segue o caminho oposto ao traço por computador que domina Hollywood, o que já era de se esperar, mas a diferença não se aprofunda muito.

No longa europeu, é mais difícil se estabelecer quem é bom ou mau – os animais carnívoros, por exemplo, têm fome e querem comer – , mas essa indefinição não consegue escapar muito dos lugares comuns. Como o público-alvo é mesmo as criancinhas mais jovens, isso assume uma importância secundária. Existe uma preocupação em ser bem diferente do que é feito nos Estados Unidos, mas as lições de moral são bem parecidas e parecem meio tolas quando se cobra comportamento humano dos animais (como há homens e bichos, não é com os segundos que a criança se identifica). Um problema é a falta de uma resolução: o filme termina sem dizer porque foi feito. Isso é ruim.

A PROFECIA DOS SAPOS
La Prophétie des Grenouilles, França, 2003.
Direção, Produção e Canções: Jacques-Remy Girerd.
Roteiro: Jacques-Remy Girerd, Antoine Lanciaux e Iouri Tcherenkov.
Elenco: Michel Piccoli, Anouk Grinberg, Annie Girardot, Bernard Bouillon, Romain Bouteille, Raquel Esteve Mora, Patrick Eveno, Michel Galabru, Coline Girerd, Manuela Gourary, Véronique Groux de Miéri, Roseline Guinet, Kevin Hervé, Jacques Higelin.
Fotografia: Benoît Razy. Montagem: Hervé Guichard. Direção de Arte: Jean-Loup Felicioli. Música: Serge Besset. Site Oficial: A Profecia dos Sapos.

nas picapes: Rainy Days and Mondays, The Carpenters.

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A Versátil colocou no mercado a primeira cópia disponível de Rogopag – Relações Humanas, um daqueles filmes episódicos dirigidos por grandes nomes do cinema europeu, moda nos anos 60 e 70. No longa de 1963, Godard, Pasolini, Rossellini e Ugo Gregoretti (cujas iniciais fizeram o título) unem suas forças. O maior problema é que não há muita unidade entre os quatro curtas que compõem o filme, mas dois deles são especialmente muito bons.

Pureza, de Roberto Rossellini.

Parece haver um descaso com o tempo. Rossellini gasta muito para mostrar quem é sua personagem (a aeromoça recatada que manda fitas de vídeo para o namorado que raramente vê) e aperta o passo na hora da ação (o assédio de um empresário a protagonista). Não fica muito clara a intenção do diretor, que éca por explicar demais, justificar os atos do antagonista. O desfecho parece bem apressado.

O Mundo Novo, de Jean-Luc Godard.

Godard, Godard, para que explicar? O episódio é o mais curto. Um romance entra em crise às vésperas do holocausto. Godard parece impor o caos nas vidas das personagens, sobretudo na mulher, que muda violentamente o modo de agir e que parece não mais conhecer algumas idéias e conceitos básicos à vida social. Não deixa de ser curioso, mas sofre por deixar o final muito em aberto. Pareceu que faltou o que dizer.

A Ricota, de Pier Paolo Pasolini.

O engraçado é que o diretor de que eu menos gosto foi quem fez o episódio que eu mais gostei. Pasolini raramente foi tão bom diretor. O filme se utiliza de uma certa desordem felliniana para transformar o homem comum num mártir, numa alegoria direta à crucificação de Jesus Cristo. As interferências de cor no filme em preto-e-branco, com verdadeiras instalações humanas, são geniais, assim como a trilha sonora, que acompanha algumas cenas dignas dos melhores filmes dos Trapalhões (há vários filmes bons do quarteto). E ter Orson Welles, em ótima forma, no elenco é algo luxuoso.

O Frango Caseiro, de Ugo Gregoretti.

Primeira experiência com o diretor e uma excelente surpresa. O filme faz um ataque inteligente e sutil (tudo bem, não tão sutil assim) ao capitalismo. Do Topo Gigio ao vendedor de terrenos à beira de um lago, Gregoretti dá múltiplos exemplos de como nossa vida está infectada pela compulsão consumista. As intervenções do especialista no assunto, com voz a la Dr. Phibes analisando o comportamento do consumidor atual, tentam embasar a crítica, mas o melhor mesmo é ver a molequinha fofa do filme reprisar toda a ideologia mercadológica da época.

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Microtextos

A Loja da Esquina EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ [Ernst Lubitsch, 1940]

Lubistch é um dos maiores gênios da comédia no cinema. Este filme está bem aquém de seus outros trabalhos, mas ainda assim é bem bom. James Stewart e Margaret Sullavan mereciam mais tempo para seus duelos porque quando eles acontecem os dois estão sempre muito afiados. Lubistch sabe construir os arredores, criando coadjuvantes muito bons e abusando da piada repetida para fazer graça.

A Face do Crime Estrelinha½ [Edward D. Wood Jr., 1954]

No começo parece melhor dirigido que os outros dois que tive o prazer de ver do cineasta, mas a imagem passa rápido. O roteiro é pior que a direção e o elenco, mais uma vez, muito ruim. Serve como comédia, às vezes. A tentativa de Wood parece ser de criar uma discussão psicológica nos moldes de Glen ou Glenda, de um ano antes, onde conseguiu momentos brilhantes.

O Gato Fritz EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ [Ralph Bashki, 1972]

A amoralidade é o que mais chama atenção na criação de Robert Crumb (o documentário sobre ele é muito bom). Com as garras de Bashki, ela ganha contornos psicotrópicos, que por momentos encantam pela poesia visual, mas que terminam em virtuose exagerada. No entanto, o niilismo impregando nas personagens é sempre um ponto a favor. Um filme bem pornográfico em todas as leituras da palavra.

 

Rollerball – Os Gladiadores do Futuro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [Norman Jewison, 1975]

Correndo o risco da impulsividade, é a obra-prima de Jewison, um diretor tão eclético quanto irregular. O misto de setentismo com uma construção visual quase exata de um futuro próximo é especialmente atrativa, mas o que é o melhor aqui é que não há muita intenção em explicar nada. Esses filmes futuro-pessimistas dos anos 70 sempre me pareceram muito encantadores.

 

Jogos Mortais  Estrelinha[James Wan, 2004]

Pífia tentativa de reprisar Seven (David Fincher, 95) no que isso tem de bom e de ruim. Recorre a uma fórmula que mistura choque e violência para tentar parecer original, mas acaba simulando a tática do você-sabe-quem para aparecer. O texto degringola com tanta plenitude a certo momento que é difícil saber o que seria pior. E o diretor e o roteirista deveriam ser presos por dar idéias para os psicopatas de plantão. A ênfase na crueldade demonstra que a diferença dos dois para os malucos assassinos é bem pouca.

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Questionário

Relutei um pouco, mas vou responder o questionário indicado pela Fer. Não vou repassar pra ninguém porque adoro quebrar correntes. Mudei alguns tópicos (nada substancial). As listas são totalmente mutáveis porque a vida é assim. Se eu lembrar de alguma coisa que valha meter a mão na lista de novo, eu mudo. Não acredito muito em “gêneros”, não fiz muito esforço nas questões setorizadas.

1 melhores filmes dos últimos anos (desde 1998)

Elefante, de Gus Van Sant; Gangues de Nova York, de Martin Scorsese; A Última Noite, de Spike Lee; A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki; X-Men 2, de Bryan Synger; Dolls, de Takeshi Kitano; Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater; Kill Bill: Vol. 1, de Quentin Tarantino; O Pântano, de Lucrecia Martel; Bem Vindos, de Lukas Moodysson; Os Excêntricos Tenenbaums, de Wes Anderson; Cidade dos Sonhos, de David Lynch.

2 filmes da minha vida

Aurora, de F. W. Murnau; Gritos e Sussurros e Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman; Onde Começa o Inferno, de Howard Hawks; Cantando na Chuva, de Gene Kelly e Stanley Donen; Janela Indiscreta, Intriga Internacional e Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock; Um Homem com uma Câmera, de Dziga Vertov; Elefante, de Gus Van Sant; A Regra do Jogo, de Jean Renoir; Os Incompreendidos e Na Idade da Inocência, de François Truffaut; Tempos Modernos, de Charles Chaplin; Cidadão Kane, de Orson Welles (não tenho vergonha de achar que este é o melhor dele); Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder; Este Mundo é um Hospício, de Frank Capra.

3 atores

Marlon Brando, James Stewart, Cary Grant, Charles Chaplin.

4 atrizes

Audrey Hepburn, Julianne Moore, Agnes Moorehead, Jeanne Moreau, Laura Betti.

5 diretores

Billy Wilder, Martin Scorsese, François Truffaut, Howard Hawks, Alfred Hitchcock, Charles Chaplin.

6 filme brasileiro

A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos.

7 filme de guerra

Glória Feita de Sangue, de Stanley Kubrick.

8 ficção-científica

2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick.

9 musical

Cantando na Chuva, de Gene Kelly e Stanley Donen.

10 clássicos da infância e juventude

Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado, de John Hughes; Conta Comigo, de Rob Reiner; Superman e Os Goonies, de Richard Donner; Hatari!, de Howard Hawks; O Pecado Mora ao Lado, de Billy Wilder.

11 filmes que não mereciam ter ganho o Oscar de melhor filme

Rocky, que ganhou de Taxi Driver; Uma Mente Brilhante, que ganhou de A Sociedade do Anel.

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Microtextos

O Exorcista: o Início Estrelinha½ [Renny Harlin, 2004]

Péssimo. Há algo de interessante na premissa (padre desiste da fé e tem que confrontá-la de novo), mas o tratamento é tão primário que nada sobra. O filme se resume a um festival de escatologia e de recursos fáceis, que não assustam ninguém. Não vi nada que justifique o nome de Vittorio Storaro, o mestre, na fotografia. A trilha é vergonhosa. Vergonha maior é saber que refilmaram 90% das cenas depois da demissão do Paul Schrader e que a versão dele vai ser relançada (ou já foi?). Que mico!

As Brumas de Avalon EstrelinhaEstrelinha[Uli Edel, 2001]

O que esperar do diretor de Corpo em Evidência, aquela miséria com a Madonna? Um trabalho ruim mesmo que o tema seja Camelot e seus personagens. Filmado para TV em formato de série (deve ter sido uma tortura acompanhá-la até o final) naquele formato grandes eventos mitológicos. Deturpa o que pode dos livros de onde tira o título. A maioria dos atores é ruim (Joan Allen, mesmo com quilos de frases-clichê, é a melhor em cena) e os cenários parecem às vezes que vão cair. Qual o melhor filme sobre Arthur e a Távola Redonda e Avalon e Morgana? Quem se arrisca?

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Confidências Muito Íntimas

Tudo o que acontece entre quatro paredes costuma sempre chamar muita atenção. Em Confidências Muito Íntimas, o casamento em crise leva Sandrine Bonnaire a um psicanalista que não é exatamente um psicanalista. A troca de personas, a princípio, parece bem interessante, mas logo Patrice Leconte, que já foi tão bem-sucedido ao falar de amor em O Marido da Cabeleireira , cai numa sequência de armadilhas para tornar seu filme estranhozinho que dá com os burros n’água. Como Bonnaire é uma atriz grande, consegue contornar boa parte do que o roteiro tenta fazer com sua personagem (torná-la misteriosamente vilã, por exemplo, com caráter e origem questionáveis). Fabrice Luchini, que passa o filme inteiro com cara de pastel (quando não faz cara de de saltenha), não fornece o contraponto necessário para o filme se desenvolver. Então, falar de experiências e fantasias sexuais, o que pode ser bem excitante, se converte num blá-blá-blá sem muito atrativo.

Confidências Muito Íntimas  EstrelinhaEstrelinha
[Confidences Trop Intimes, Patrice Leconte, 2004]

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Sob o Domínio do Medo, de Sam Peckinpah.

Não fosse de conteúdo tão sexista, este filme seria um excepcional estudo sobre a violência que o homem guarda em si. Peckinpah, o mais macho dos cineastas, vai ao interior da Inglaterra para condenar a personagem de Susan George como pivô das agressões que ela, seu marido e sua casa sofrem dos vizinhos rústicos e beberrões. Os estereótipos estão por todos os lados e a brutalidade parece querer ser explicada. A fotografia e a trilha sonora são impecáveis, mas o texto não passou na prova. Irritado só porque o filme é politicamente incorreto? Não, isso não vem ao caso, e, às vezes, pode ser bem interessante. Apenas insatisfeito com um tratamento tão primário a uma premissa tão promissora.

Robot Monster, de Phil Tucker.

Besteira futurista-catastrófica que causa alguma diversão. Primo-irmão de Edward D. Wood Jr, Tucker consegue dar um pouco mais de consistência a sua historinha, mas perde feio quando o quesito é filosofia, o que sobrava em Wood. Interessante ver como o filme economiza em absolutamente tudo: cenários, locações, direção de arte; o mais caro foi a – boa – trilha de Elmer Bernstein. Filme a preço de banana, possivelmente, já que estamos falando de macacos espaciais…

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Tentação

Ainda não sei o que pensar desse Tentação. Fica na corda bamba entre o mais-do-mesmo dos filmes sobre relacionamentos e um obra com algo a dizer a partir de uma pequena história sobre adultério e troca de casais. Há aquele clima interiorano, cenário perfeito para que os dramas particulares de um casamento ganhem imensas proporções nas vidas simples de seus protagonistas. Há um certo cuidado em evitar frases feitas e situações clichê, mas não consegue uma conclusão eficiente. Não uma conclusão de história, mas de idéia.

Mark Ruffalo é o melhor em cena. Cada vez melhor ator, ele tem o papel mais tridimensional, mais redondo. Naomi Watts está ok e Laura Dern às vezes não consegue assumir direito a quase-neurose de sua personagem. Peter Krause só não está melhor porque o roteiro trata seu papel com descaso e sob uma visão condenatória. O melhor é quando as personagens se mostram perdidas. Aí o filme assume um tom bucólico que traz alguma discussão sobre comportamento e procura por satisfação.

Tentação EstrelinhaEstrelinha½
[We Don´t Live Here Anymore, John Curran, 2004]

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