Monthly Archives: junho 2004

O Prisioneiro da Grade de Ferro

O Prisioneiro da Grade de Ferro

A verdade. Busca quase obsessiva de quem tenta contar uma história que aconteceu ou que acontece. Raramente exata, fartamente discutível. A incansável procura pela verdade é responsável por alguns dos maiores pecados do documentarista, o cineasta que deveria narrar um fato real sem a ajuda da ficção. A verdade que parece certa é aquela que tem tom de denúncia, que aparece para apontar culpados, revelar segredos, descobrir conspirações. É a tentativa de filme com função social ressaltada, destacada, elevada.

Nos últimos tempos, o documentário tenta assumir novas formas com novos objetivos. E alcança resultados muito irregulares. Alguns apontam para construções narrativas fora do padrão, outros muitos investem na proximidade com os programas televisivos comandados por apresentadores espertos que se travestem de portadores dela, a verdade. No meio do caminho, uma sucessão de excessos é cometida em seu nome. Ônibus 174 é um belo exemplo. O (ótimo) trabalho de investigação em torno do homem que matou uma mulher ao assaltar um coletivo no Rio de Janeiro se dedicou com tanta eficiência em explicar as motivações de seu protagonista que peca por quase querer justificar um homicídio.

Diante de um cenário muito propenso ao sensacionalismo, é admirável, extremamente admirável, que surja um filme como O Prisioneiro da Grade de Ferro, excelente longa de estréia de Paulo Sacramento, que trabalha com um tema justamente propenso à parcialidade: o Carandiru. Mas se o primeiro juízo a se fazer sobre um filme que se propõe a mostrar a realidade dentro do presídio é este, o diretor segue por uma estrada completamente avessa ao maniqueísmo. Ele entrega sua câmera para que seus personagens mostrem o que quiserem.

O filme, fruto de um curso de cinema e vídeo comandado por Sacramento dentro das grades da penitenciária – pouco antes de sua desativação e conseqüente implosão -, alcança um nível de desprendimento quase total. Seria ingênuo demais afirmar que a câmera do diretor (ou ainda, dos detentos) é completamente franca, sem cálculo, mas o naturalismo que os cineastas-narradores emprestam ao documentário é bem mais honesto que a tentativa tosca de culpar a construção de um país pelo massacre de Columbine. Quase amadores, os presidiários apresentam seu cotidiano com relativamente pouca interferência de um interlocutor. Eles comandam as cenas.

O mais louvável no filme é que ele nunca é um filme-denúncia. O Prisioneiro da Grade de Ferro é muito mais retrato do que acusação. As denúncias obviamente existem, mas surgem espontâneas dentro do mapa traçado pelo diretor. O filme começa político para se tornar familiar. Conta as pequenas histórias de cada personagem. Numa cena particularmente bonita, um pitbull bombadão se transforma num exemplo de prisioneiro, de bom marido. Nesse aspecto, a montagem creditada ao cineasta merece destaque: pula de cela em cela, apresentando, revelando um pouco da investigação particular de cada detento, e finalmente integrando as particularidades ao todo do presídio. Constrói a sua própria verdade a partir dos olhares mais honestos que poderia colher. À medida que o tempo passa, cresce o poder de discurso do filme, que alcança prismas mais sombrios, como o satanismo e o comércio de drogas. E mais uma vez, o faz com desprendimento. O longa de Paulo Sacramento avisa que a verdade é fragmentada e está sendo recriada a todo momento.

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[O Prisioneiro da Grade de Ferro, Paulo Sacramento, 2003]

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COTAÇÕES

COTAÇÕES PARA CONHECIMENTO

Vez por outra me perguntam sobre as cotações que eu utilizo aqui no blog. Para esclarecer tudo, todas as cotações junto com exemplos de filmes vistos este ano e comentados por estas bandas.

excelente

Elefante, de Gus Van Sant

ótimo

O Pântano, de Lucrecia Martel

bom

Swimming Pool, de François Ozon

regular

Tróia, de Wolfgang Petersen

ruim

A Paixão de Cristo, de Mel Gibson

péssimo

Van Helsing, de Stephen Sommers

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Cazuza – O Tempo Não Pára

Cazuza - O Tempo Não Pára

Seria muito mais cômodo para alguém que se propõe a resenhar filmes encontrar motivos para falar mal de Cazuza – O Tempo Não Pára. O primeiro seria questionar o teor capitalista do filme que explora uma figura mítica (polêmica e profana) para toda uma geração; um filme que, invariavelmente, faria dinheiro. Segundo, reclamar das indecorosas limitações que o trabalho exala por estar preso a um livro de forte conteúdo moralista e de auto-preservação e comiseração. Terceiro, culpar a equipe envolvida pelo assim entendido fracasso artístico do projeto. Há de se olhar as coisas com olhos mais carinhosos.

O Tempo Não Pára, que seria um título mais satisfatório e menos auto-referente, perdão pelo clichê, é um filme muito honesto, talvez o mais honesto dos últimos tempos na cinematografia brasileira. Sapientíssimos de suas limitações formais e ideológicas, os roteiristas realizaram bastante na sua tentativa de explorar o bastidor do ídolo, o ícone sob a máscara. O texto bem escrito (há exceções pontuais) encontra boa tradução no trabalho dos atores. Daniel Oliveira assume trejeitos e entrega um Cazuza, no mínimo, sincero. No máximo, espetacular. Não sei até que ponto sua interpretação decorre da imitação, mas reproduzir não induz de alguma forma tradução?

O filme é bem coerente com sua proposta, mesmo reproduzindo um discurso pré-fabricado, oficial e de abrangência restrita. Há saldo no fim das contas. A fotografia, creditada ao co-diretor Walter Carvalho, encontra ângulos inquietos e uma cor nostálgica. O Rio de Janeiro dos anos de Cazuza, eu nunca conheci. Mas confesso que tive saudade. O filme me fez relembrar parte da infância e adolescência que haviam se perdido porque aquilo nunca significou muito – e talvez ainda seja assim. Quem dá significação sou eu, é você. Eu que já andei pelos quatro do mundo (ouvindo suas canções, sem encontrar identificação ou poesia), foi justamente num filme que ele me falou, veja só…

Cazuza – O Tempo Não Pára EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Cazuza - O Tempo Não Pára, Sandra Werneck e Walter Carvalho, 2004]

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FILME DE AMOR

TODAS AS COISAS SÃO BELAS

Júlio Bressane supera seu cinema com uma ode à beleza

Confissão: vi pouco e não sou fã de Júlio Bressane. Mas Filme de Amor me tomou de tal forma que vou escrever este texto na primeira pessoa, o que faço restritas vezes. O novo trabalho do diretor (diretor marginal talvez uma forma muito arcaica de se referir ao homem) é um filme com o explícito objetivo de subverter. A primeira vítima de Bressane é o cotidiano, que limita, massacra e reduz os três protagonistas a dias parcos e histórias mínimas. A revelação está entre as cenas finais do longa, que se apresenta com a chegada de um homem e duas mulheres a um apartamento, onde, durante um fim-de-semana, haverá a celebração da beleza, do prazer e do amor.

Bressane nunca se prendeu às formas narrativas tradicionais. Seu cinema é muito mais de impressões que de histórias. Em Filme de Amor, não é diferente. O fiapo que o cineasta joga para que o espectador não se perca nos seus devaneios estéticos é apenas condutor para a ode que ele pretende. Uma ode a tudo que é belo, divino e profano. O filme reproduz com seus atores telas de pintores mitificados e sobrepõe textos de autores que filosofam sobre o erotismo e a plenitude. A fotografia de Walter Carvalho, talvez o melhor fotógrafo em atividade, traduz na concepção de imagens mais perfeita que – ouso dizer – o cinema brasileiro já viu toda a explosão de Bressane.

A proposta poderia resultar em pura masturbação intelectual, mas com sua a releitura do mito das três Graças, o diretor consegue dialogar com o sublime e atingir um patamar muito próximo ao divino. Um ponto capaz de fazer seus personagens voarem para longe de prisões formais em busca de algo além. É a criação que brota do caos.

FILME DE AMOR
Filme de Amor, Brasil, 2003.

Direção: Júlio Bressane.

Roteiro: Júlio Bressane e Rosa Dias.

Elenco: Bel Garcia, Josie Antello e Fernando Eiras.

Fotografia: Walter Carvalho. Montagem: Virgínia Flores. Direção de Arte: Moa Batsow. Música: Guilherme Vaz. Figurinos: Helen Milet. Produção: Tarcisio Vidigal e Lúcia Fares.

nas picapes: My Way, Sex Pistols.

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Respiro

Respiro

A diferença é o que faz a diferença. Não ser mais do mesmo é passível de punição, afastamento, exclusão. Não há sentimento pior de que o de não fazer parte. A falta de cumplicidade é o que mais entristece o coração da protagonista de Respiro. Valeria Golino, em boa forma, é a dona de casa e mãe da família que peca aos olhos dos vizinhos porque exalta a plenitude e não se prende a padrões de comportamento. Sua peculiaridade incomoda, atrapalha e finalmente extrapola os limites etéreos impostos por um pequeno vilarejo em algum ponto do litoral siciliano. Siciliano, eu disse. Fosse filmado sob lentes do outro lado do Atlântico, o filme certamente padeceria de um oceano de obviedades. Mas o cineasta Emanuele Crialese, tal qual sua personagem, nada contra a maré, transcende pré-conceitos e chega à superfície com fôlego restituído.

Respiro fala com inquietante sinceridade sobre querer a liberdade. Por mais tolo e primário que isso possa parecer. O estilingue que fere com perversidade juvenil também exalta a força da pureza, do mais forte que se impõe naturalmente, do que explode com os hormônios. O filho da protagonista mostra que a história vem ciclos. Ele é o espelho e o contraponto da mãe. Reprisa sua sensualidade inata e impulsividade crônica. Faz porque tem que fazer. Não respeita represas. Crialese abusa. Sua câmera explora aromas e reflexos. Sufoca o espectador a ponto da identificação tornar-se obrigatória. E há o mar. O mar como metáfora para a perda de horizontes. É para lá que a personagem de Golino tenta ir de carona; é no mar que ela se despe de roupas e de timidez; e é lá que se perde e renasce santa.

Respiro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Respiro,  Emanuele Crialese, 2002]

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ADANGGAMAN

NATIONAL GEOGRAPHIC EM NOVENTA MINUTOS

Filme africano interessa mais como uma pequena aula de história

No início, uma história de amor proibido. Filho do chefe de uma aldeia africana no final do século XVI se apaixona por uma escrava e desperta reações contrárias na família. Os minutos iniciais não são mais que vinte e, assim como a locação das primeiras cenas, a história de amor não resiste ao ataque de cruéis guerreiras amazonas (sim, elas existiram e eram bem violentas) e o filme se torna um didático registro sobre como funcionava a participação dos reis de tribos africanas no tráfico de escravos negros para fora do continente-mãe. Sob esse aspecto, o filme parece um daqueles vídeos da National Geographic em versão história da escravatura, o que não é de todo ruim. A trama, costurada a partir das informações repassadas através dos séculos sobre os personagens (nem todos devem ser reais), é ingenuamente dirigida e interpretada. Mas o amadorismo de Adanggaman, nome do rei negro, que é o maior vilão do filme, é até charmoso. Sua tentativa de denúncia e registro histórico é um válido exemplo de como o cinema pode servir para resgatar a memória coletiva.

ADANGGAMAN
Adanggaman, França/Suíça/Costa do Marfim/Burkina Fasso/Itália, 2000.

Direção: Roger Gnoan M’Bala.

Roteiro: Jean-Marie Adiaffi, Bertin Akaffou e Roger Gnoan M’Bala.

Elenco: Rasmane Ouedraogo, Albertine N’Guessan, Ziable Honoré Goore Bi, Bintou Bakayoko, Nicole Suzis Menyeng, Mireille Andrée Boti, Tie Dijian Patrick,Lou Nadège Blagone, Anastasie Tode Bohi, Didier Grandidier, Mylène-Perside Boti Kouame.

Fotografia: Mohammed Soudani. Montagem: Monica Goux. Direção de Arte: Jean-Baptiste Lerro. Música: Lokua Kanza. Figurinos: Aissatou Traore. Produção: Tiziana Soudani.

nas picapes: Amapola, Ennio Morricone

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O Pântano

O Pântano

Lucrecia Martel é uma esteta do caos. Em O Pântano, uma piscina suja é o centro do encontro entre duas famílias. Os personagens vivem em estado de inércia, prostrados ao sol e na vida, numa metáfora bem direta do momento histórico da Argentina no começo dos anos 2000. Em sua alegoria, Lucrecia abraça o caminho menos fácil: evita a poesia que virou modelo para muitos diretores argentinos. Seu filme é duro, quase ríspido. Parece querer sufocar o espectador com um trabalho de ambientação seco, sem emoção, que ressalta no filme o texto excelente e um elenco totalmente inspirado por ele.

O grau de estilização visual, seja na fotografia, seja na direção de arte, não existe. A família que é dona da casa da tal piscina é a própria aberração. Um pai bêbado, uma mãe reclusa, um filho de rosto desfigurado, uma filha desnorteada. Em contraposição, a família amiga, teoricamente melhor estruturada, se mostra tão suscetível à tragédia quanto a primeira. A cineasta sublima a ação em favor do retrato da desordem, do recorte, de mostrar. O olhar de Lucrecia Martel para seu próprio país é rico e sem filtros, coisa rara no cinema de hoje.

O Pântano EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[La Ciénaga, Lucrecia Martel, 2001]

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DELICADA RELAÇÃO

AMOR NO CAMPO DE BATALHA

Filme israelense se utiliza bem dos clichês para contar uma história de amor gay

As imagens incomodam. Não porque são dois homens se beijando, mas por um detalhe de tradução de linguagem: o filme foi feito para TV e a qualidade técnica cai bastante quando ele é visto numa sala de cinema. Apesar disso, o diretor Eytan Fox, que há algum tempo se aventura pelo tema, domina bem a câmera e consegue produzir cenas bonitas e não tão óbvias. Delicada Relação, título oportunista e claramente inspirado em Delicada Atração (Hattie McDonald, 96), um dos melhores filmes gays da década passada, conta uma história de amor entre dois oficiais do exército israelense. O capitão Yossi, o líder de um grupo de militares num dos pontos de tensão do país, e o soldado Jagger, que ganhou este apelido por ter pinta de rock star, são namorados e, entre uma missão e outra, trocam beijos e carícias.

Pois bem, Fox tinha na mão pelo menos dois pontos polêmicos: o confronto violento Israel-Palestina e o homossexualismo na caserna. Poderia ter feito um filme engajado, tanto no contexto político quanto na militância gay. Mas preferiu o caminho do meio. A guerra e a relação proibida são apenas cenário para o romance entre os militares. Ao evitar o campo minado, o cineasta lava as mãos e se afasta da polêmica. Opção que, num primeiro momento, parece cômoda, mas que, analisada por outro prisma, é bem interessante: o diretor apresenta um relacionamento amoroso, conturbado como qualquer outro, e acompanha seu desenrolar. O conflito acontece na esfera pessoal, particular. O inimigo do amor entre Yossi e Jagger não são os palestinos ou a intolerância, mas suas próprias limitações. Fox se apropria de clichês antigos, mas, como os trabalha bem, raramente é óbvio. Não parece pertinente cobrar qualquer posicionamento mais enfático do cineasta: Yossi & Jagger conta apenas mais uma história de amor. E faz isso bem.

DELICADA RELAÇÃO
Yossi & Jagger, Israel, 2002.

Direção: Eytan Fox.

Roteiro: Avner Bernheimer.

Elenco: Ohad Knoller, Yehuda Levi, Assi Cohen, Aya Steinovitz, Hani Furstenberg, Sharon Raginiano, Yuval Semo, Yaniv Moyal, Hanan Savyon, Erez Kahana, Yael Perl Becker, Shmulik Bernheimer.

Fotografia: Yaron Scharf. Montagem: Yosef Grunfeld. Direção de Arte: Amir Pick. Música: Ivri Lider. Figurinos: Natan Elkanovich. Produção: Amir Harel e Gal Uchovsky. Site Oficial: http://www.yossiandjagger.com.

nas picapes: You’re The Sunshine Of My Life, Stevie Wonder.

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MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA

A FEITICEIRA ESCARLATE

Talento da protagonista resgata Moça com Brinco de Pérola do calabouço estético

A sofisticação visual de Moça com Brinco de Pérola é inegável. Além da direção de arte e dos figurinos bem cuidados, a câmera chama atenção pelos quadros que produz e pelas cores que impõe ao cenário. O que mais se fala sobre o filme é como a fotografia se apropria da luz das telas de Veermer, o principal coadjuvante do longa de estréia de Peter Webber. A informação rodou tanto que é impossível não ler um texto que não divague sobre a condição de homenagem que o cineasta empregou ao filme. Mas nem tudo que reluz… você deve conhecer o ditado. Se a composição imagética impressiona, Moça com Brinco de Pérola guarda poucas surpresas nas suas opções narrativas. Webber conta com fidelidade cronológica, algo muito reverente e recorrente quando se retrata a vida de artistas no cinema, a aproximação gradual entre o pintor e sua empregada, que viria a se tornar musa de sua obra mais conhecida.

Lugares comuns não faltam. O maior talvez seja a condição demoníaca imposta à filha do artista, cujas cenas de maldades sempre se encerram com pequenos olhares macabros. Os vilões, por sinal, estão espalhados pelos cômodos da casa. A mulher e a sogra do pintor são retratadas como mulheres arrogantes e exploradoras, tanto dos empregados quanto do talento de Veermer. Colin Firth dá ao artista aquele toquezinho de gênio excêntrico, que todo mundo já viu em algum lugar. Diante disso, o maior destaque do filme é a interpretação de Scarlett Johansson, uma das melhores atrizes dos últimos tempos. Discreta e sutil, ela fala pouco e conquista pelo olhar tímido e espantado. A baixinha de rosto perfeito compõe sua personagem com a perspicácia de uma veterana, delicada e sedutora. Uma verdadeira inspiração para qualquer artista.

MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA
Girl With a Pearl Earring, Grã-Bretanha/Luxemburgo, 2003.

Direção: Peter Webber.

Roteiro: Olivia Hetreed, baseado no livro de Tracy Chevalier.

Elenco: Scarlett Johansson, Colin Firth, Tom Wilkinson, Judy Parfitt, Cillian Murphy, Essie Davis, Joanna Scanlan, Alakina Mann, Chris McHallem, Gabrielle Reidy, Rollo Weeks, Anna Popplewell, Anaïs Nepper, Melanie Meyfroid, Nathan Nepper.

Fotografia: Eduardo Serra. Montagem: Kate Evans. Direção de Arte: Ben van Os. Música: Alexandre Desplat. Figurinos: Dien van Straalen. Produção: Andy Paterson e Anand Tucker. Site Oficial: http://www.girlwithapearlearringmovie.com.

nas picapes: I?m Going Bananas, Madonna.

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DE CORPO E ALMA

PRODUTO DO MEIO

Altman invade o mundo da dança preocupado em explorar o processo e não seus personagens

Robert Altman adora muita gente reunida. Seus filmes são festas concorridas, com personagens que protagonizam cenas e não a obra inteira. Característica que contribui para roteiros ricos e avessos a vícios de estrelismo. O cineasta é um autor, sem dúvida. E como todos os autores, sua carreira tem momentos bons e ruins. Muita gente se dedicou a escrever sobre como De Corpo e Alma é um filme que se encaixa na última categoria. Para isso, argumentos não faltaram: Neve Campbell protagonizando, produzindo e escrevendo o texto, a partir de suas experiências como dançarina foi o maior deles. Vejam bem, eu não sou fã de Neve Campbell, mas ela sempre me pareceu uma mocinha bastante simpática e bonita. Adoro os dois primeiros Pânicos e confesso que os problemas adolescentes de Party of Five eram bem legais de acompanhar. Mas o caso não é este: Neve Campbell é, mas não é, protagonista deste filme. Porque Altman não a trata assim.

Ry é uma integrante da companhia cujos bastidores o filme acompanha. Seu espaço no longa é quase o mesmo dedicado aos outros personagens. E isso, retorno, é uma característica do diretor, mesmo em filme encomendados com esse. Os efeitos são controversos. O vício de Altman de invasor de universos (o do country, o da moda, o do cinema, o do exército) encontra aqui a dança. Mas, hábil em se dedicar ao conjunto, o cineasta peca porque desta vez não consegue desenvolver bem os personagens. Muito mais refém de clichês, Fama (Alan Parker, 80) se dá bem melhor neste quesito, se é que é possível comparar os filmes. No filme de Altman, os atores são apenas elementos da companhia do título original. O tratamento, se não é raso, pode ser chamado de descuidado. A falta de elaboração nesse aspecto é substituída pela dedicação ao processo. O cineasta quer mostrar como tudo aquilo é feito. E o faz com razoável sucesso. Mas esta opção, em troca de se aprofundar no tratamento aos indivíduos, deixa o filme com um gosto mecânico. Isso incomoda. Não mais que as coreografias apresentadas no longa que, aos olhos do não-especialista que vos escreve, pareceram bem feinhas.

DE CORPO E ALMA
The Company, EUA/Alemanha, 2003.

Direção: Robert Altman.

Roteiro: Barbara Turner, baseada na história dela e de Neve Campbell.

Elenco: Neve Campbell, Malcolm McDowell, James Franco, Barbara E. Robertson, William Dick, Susie Cusack, Marilyn Dodds Frank, John Lordan, Mariann Mayberry, Rick Peeples, Yasen Peyankov, Deborah Dawn, John Gluckman, David Gombert, Suzanne L. Prisco, Domingo Rubio, Emily Patterson, Maia Wilkins, Sam Franke, Trinity Hamilton, Julianne Kepley, Valerie Robin, Deanne Brown, Michael Smith, Matthew Roy Prescott, Lar Lubovitch, Robert Desrosiers.

Fotografia: Andrew Dunn. Montagem: Geraldine Peroni. Direção de Arte: Gary Baugh. Música: Van Dyke Parks. Figurinos: Susan Kaufmann. Produção: Robert Altman, Joshua Astrachan, Neve Campbell, Pamela Koffler, David Levy, David Ley, Christine Vachon. Site Oficial: http://www.sonyclassics.com/thecompany.

nas picapes: Femme Fatale, REM.

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