Foxcatcher

Foxcatcher

Foxcatcher deveria ter sido lançado em 2013, mas não ficou pronto em tempo hábil. Bennett Miller pode ter demorado a encontrar o tom que gostaria de impor ao filme, a versão de uma história real sobre um evento trágico que, como o título brasileiro ressalta, abalou os Estados Unidos no final dos anos 80. E foi exatamente no presságio da tragédia que o cineasta, que assina apenas seu terceiro longa ficcional, encontrou sua inspiração. O filme parece anunciar o destino trágico das personagens na fotografia que muitas vezes os aprisiona nos cenários imenos, na trilha sonora que impõe melancolia à história e até no desempenho discreto do trio principal. Esse tom solene marca, move e causa estranheza a Foxcatcher.

Miller remonta a história de quando o milionário americano John du Pont – um homem riquíssimo, mas que nunca conseguiu se fazer útil em sua própria família -, resolve convocar os irmãos Mark e David Schultz, medalhistas olímpicos, que já não estavam em suas fases mais prósperas, para montar uma equipe de luta livre e disputar os jogos de Seul. O diretor acerta ao materializar o vazio nas vidas dos personagens principais. Steve Carell está especialmente assustador, além de transfigurado pela maquiagem, no papel do milionário de fala mansa e olhar doentio e, embora ronde a caricatura, geralmente escapa ileso e ofereça uma melancolia dolorida. A personagem carrega o peso de uma certa herança aristocrática tipicamente americana.

Ele é o adulto que nasceu em berço de ouro, mas que, provavelmente por causa de sua sexualidade dúbia, nunca foi levado a sério. É o homem que, se não consegue ser herói, escolheu comandar heróis da vida real – atletas, lutadores, medalhistas olímpicos -, para tentar virar o protagonista que sempre almejou. É o homem que busca aprovação, que se coloca no papel de mestre mesmo que não tenha bagagem para ser um exímio professor e que talvez amenize seus instintos secretos no contato físico que tem com seus “pupilos”. Carell consegue traduzir toda essa complexidade numa interpretação difícil, que encontra no atleta arredio vivido por Channing Tatum, um ator que cresce a cada papel, um oposto complementar perfeito para deixar fluir suas peculiaridades.

Mark Schultz, o verdadeiro, reclamou de seu retrato no filme e das liberdades históricas de Miller (os irmãos nunca teriam estado ao mesmo tempo na fazenda que abriga a equipe montada por Du Pont), mas a personagem criada por Tatum foge dos esteréotipos, apresentando um homem que não cabe em si mesmo. Um herói que não se conforma em ter perdido seu posto. Mark Ruffalo, com seu jeito tímido de falar, completa o elenco, dando corpo a um bom coadjuvante.

De um lado é possível reconhecer um esforço gigantesco do diretor em tornar tudo muito importante. Do outro, esse esforço parece realmente ter capturado um sentimento de estranhamento, como se fosse o filme realmente se realizasse como o prelúdio de uma tragédia. Foxcatcher talvez seja incômodo por seu diretor ter encontrado a maneira mais fiel de apresentar homens verdadeiramente tristes, buscando uma maneira de materializar o vazio de suas vidas, revelando para a América o que os americanos têm de mais frágil.

Foxcatcher EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Foxcatcher, Bennett Miller, 2104]

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Amor, Plástico e Barulho

Amor, Plástico e Barulho

A frustração é a premissa – de história e de cinema – de vários filmes recentes. Um dos mais originais deles é Amor, Plástico e Barulho, de Renata Pinheiro. A pernambucana, que estreia em ficções, invade a gigantesca cena da música brega no Recife, criando um espécie de versão “cultura popular” e distorcida de A Malvada, onde uma jovem dançarina não mede esforços para chegar à condição de estrela; condição que ela acredita que sua musa inspiradora já alcançou. A musa em questão é interpretada por Maeve Jinkings, estrela de O Som ao Redor, cuja determinação a transformou numa das rainhas desta cena. A personagem é riquíssima e já coloca a atriz entre as melhores do ano: uma mulher que chega ao trono de seu universo para se descobrir sozinha, vazia, isolada.

A frustração aparece tanto na tentativa da aspirante quanto na desilusão da veterana – e Renata a utiliza também como método de cinema: para traduzir a efemeridade desse universo, a diretora arquiteta uma série de situações para, na Hora H, frustrar as expectativas e não permitir catarses. O espectador não tem chance de ver o “nascimento” da estrela, mas em contrapartida é bombardeado por uma série de imagens de YouTube, como se a cineasta dissesse que ali está o futuro dela, dialogando diretamente com o cinema pernambucano recente que contrapõe o homem, a cidade e a tecnologia em seu crescimento desenfreado. Renata Pinheiro, além de cineasta, é artista plástica e sua versão desse Recife elétrico é cheia de cores e luzes, como numa versão nordestina de um filme de Wong Kar-Wai. Fotografia e direção de arte estão afinadas e servem de palco para abrigar os dramas das duas protagonistas.

O duelo de interpretações é excepcional, principalmente porque a diretora contrapõe os sentimentos diferentes (inveja, admiração) que uma sente pela outra, evitando maniqueísmo. Nada é preto no branco. Tanto Nash Laila, protagonista de Deserto Feliz, um talento nato, quanto Maeve Jinkings, uma das melhores atrizes brasileiras do momento, estão excelentes em seus papeis. Uma das cenas mais fortes do filme é quando Maeve sobe num palco de um galpão, pobre e vazio, e canta numa versão lenta e a capella “Chupa que é de uva”. Só uma grande atriz para encontrar o equilíbrio entre a melancolia de uma personagem triste com a força de uma mulher que tenta sustentar aquilo que conseguiu.

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[Amor, Plástico e Barulho, Renata Pinheiro, 2013]

Renata Pinheiro

entrevista com Maeve Jinkings

Você sabia que essa cena da música brega no Recife tivesse essa dimensão?

Sabia que havia uma forte cena do brega em Recife, porém não conhecia o brega contemporaneo com influencias tão fortes do funk, dos mcs, que é mais agressivo. No inicio fiquei um pouco chocada, o brega que eu conhecia dos tempos de quando vivi em Belem do Pará, super romantico, está mais pra “baile da saudade”…

Sua personagem é a grande diva dessa cena. Que referências você usou para compor a personagem?

Fui a vários shows de grandes estrelas do brega local como Musa do Calypso, Banda Kitara e Michelle Melo. Mas prestei ainda mais atenção a cantoras de bandas menores, com shows mais simplórios que muitas vezes abriam o show das bandas mais famosas. Me interessava a foma como se comportavam essas cantoras menos “bem sucedidas”. Como todo showbusiness, o sucesso nesse meio é muito fugaz, você precisa produzir novidade constantemente ou está decadente. Minha personagem está nesse lugar, enquanto lida com a propria condição de mulher, perdendo a infancia da filha que é criada pela avó. Ou seja, o tempo é muito opressor pra ela.
No ensaios, é importante identificar os proprios preconceitos: sendo de um genero popular super erotizado, eu as imaginava mais vulgares, no entanto a maioria delas é incrivelmente classuda. São verdadeiras rainhas. Michelle Melo me disse que o brega a ensinou a ser mulher, e de alguma forma isso afetou a mim também. Tenho a sensação de que saí do filme um pouco mais feminina.

O filme parece uma versão “cultura popular” de “A Malvada”, com a jovem querendo o lugar da veterana. Você reconhece a semelhança?

Sim, com certeza. nossa preparadora Amanda Gabriel apontou essa semelhança, falamos bastante a respeito e cheguei a rever o filme naquela época. Foi certamente parte de minha construção. Mas ainda que reconheça a semelhança, a própria Renata nunca citou o filme durante os ensaios, ela dizia que essas mulheres podem ser a mesma pessoa em momentos diferentes da vida. E creio que isso foi fundametal pra que eu e Nash mantivessemos a dualidade amor/repulsa entre as personagens.

“Amor, Plástico e Barulho” evita catarses, inclusive catarses musicais com poucas cenas das apresentações da banda. Isso é intencional?

Certamente a Renata responderia isso com mais propriedade. Mas meu ponto de vista é que o filme está muito mais interessado na relação entre essas duas mulheres, em suas expectativas de sucesso, amor e derrota. O brega é quase um pano de fundo pra tratar da humanidade delas. Isso é o que mais admiro no filme… é onde me toca. Vou te dar um exemplo: a cena onde canto “chupa que é de uva” precisava ser um detonador de uma curva pra personagem da Nash. Era importante que eu a impressionasse, e pensei muito no que significava isso. Um dia assisti um video de Billie Holliday cantando “Strange Fruit” com uma dor tremenda, um olhar cortante… Era isso! “Como se canta a dor?”, pensei. Essas mulheres se conectam não simplesmente pela disputa, mas porque compreendem a dor e o prazer de forma parecida. No dia de filmar, em minha auto-preparacão da cena, escutei “Strange Fruit” em looping, na voz de Nina Simone. E me conectei com a personagem da Nash: de cima do palco olhei pra ela, nos olhamos profundamente. Aquilo me comoveu, me trouxe a dimensão da solidão dessas mulheres no palco lutando pra se manter ali… elas apenas queriam ser amadas. Como todos nós.

Uma diretora e duas atrizes nas personagens principais. “Amor, Plástico e Barulho” é um filme feminino. Como isso funciona no set? O que muda em relação ao que você já fez antes?

Penso que muda a profundidade com que se olha a mulher, isso é natural, num set dominado por mulheres. Jaqueline Carvalho, a personagem de Amor Plastico e Barulho, foi a personagem mais complexa que pude desenvolver até aquele momento. Depois disso filmei “Estatua” com Gabriela Almeida e interpretei Isabel, outra personagem muito complexa . Essas experiencias foram tão importantes, que passei a refletir muito sobre a forma como se retrata a mulher no cinema. São olhares muito generosos sobre a mulher. É claro que um homem pode ir fundo na alma de uma personagem feminina, mas não é comum.

Mais um filme pernambucano no seu currículo. Você já virou pernambucana? Falando sério, depois de “O Som ao Redor”, já tivemos “Tatuagem”, “Eles Voltam”, só pra citar alguns, e agora “Amor, Plástico e Barulho” chegando aos cinemas brasileiros com grande destaque. É uma invasão?

Tenho a sensação de que cheguei em Recife e já era pernambucana. E trabalhar nesse espaço afetivo, com amigos, é a melhor maneira de mergulhar num trabalho sem rede de segurança. Não sei se é uma invasão dos cinemas brasileiros, mas talvez seja uma revolução na minha vida.

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Livre

Livre

Depois de um trabalho tão simples e bem resolvido como Clube de Compras Dallas, o novo filme de Jean-Marc Vallée, Livre, que ainda tem a assinatura de Nick Hornby no roteiro, parece um pouco decepcionante. Anódino talvez a palavra mais correta. Seguindo a linha das “viagens transformadoras” pelo interior dos Estados Unidos, o longa traz a história real de Cheryl Strayed, uma mulher que sai para uma trilha de milhares de quilômetros em busca da cura “para as feridas de uma vida de sofrimento”. Um dos grandes problemas do filme é exatamente que nem Vallée, Hornby ou Reese Witherspoon conseguem dar a dimensão das tragédias na vida da protagonista. A sensação é que ela sofre por ter tido uma história comum a muita gente ou mais fácil do que tantas outras por aí. Seu desespero nunca consegue ser propriamente justificado e a solução encontrada para remontar sua vida, um uso excessivo de flashbacks didáticos e de “fantasminhas” (que deveriam garantir a espiritualidade da jornada) incomoda. Mesmo os medianos Na Natureza Selvagem, que pelo menos tem uma filosofia, e o problemático 127 Horas, que pelo menos tem um protagonista mais inspirado, exploram melhor essa relação de encontro com a natureza como uma experiência verdadeiramente significativa. A viagem de Cheryl parece mais um passeio de uma mulher da cidade em busca do exótico. Identificar-se com ela não é muito fácil. E Reese Witherspoon, que ficou mais bonita depois de madura, não impressiona em nenhuma cena e ainda assim foi indicada para o Oscar. Mais grave é o caso de Laura Dern, que nem tem a chance de estrelar uma cena inteira de maneira direta por causa do papel inconsistente e também disputa a estatueta.

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[Wild, Jean-Marc Vallée, 2014]

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Leviatã

Leviatã

A gigantesca carcaça do Leviatã ainda assombra um vilarejo russo onde tudo e todos parecem estar condenados ao fracasso. O monstro marinho, descrito no Antigo Testamento, é a alegoria escolhida pelo cineasta Andrei Zvyagintsev para escancarar seu pessimismo em relação a seu país, um estado de descrença que persegue e se transforma em principal temática de seu cinema. Para o diretor, a corrupção se instalou na coração da Rússia e se espalhou como metástase pela política, pela justiça, pela igreja e pela moral. Um exército cruel e onipresente que cerca e atropela os elementos dissonantes. O novo filme do cineasta é como uma profecia bíblica que não guarda muita salvação para seus protagonistas. Nikolay enfrenta o prefeito da cidade, que quer tomar suas terras a qualquer custo. Sua recusa em ceder inicia uma série de tragédias. Zvyagintsev administra essas tragédias com certas doses de fatalismo, mas parece justificar a escala que utiliza para o desastre a cada entrelinha. Os capitães do mal mudam de nome, mas permanecem no poder. O diretor não poupa nenhum deles de suas culpas e ainda convida o espectador a acertá-los com um tiro de espingarda, mas ironicamente preserva aqueles que ainda não foram condenados pela “história”, mas estão presentes em cada parede.

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[Leviathan, Andrei Zvyagintsev, 2014]

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Oscar 2015: indicados comentados

Bennett Miller consegue ser indicado na categoria de direção, que tem apenas cinco vagas, mas seu longa, Foxcatcher, não entra na lista de melhor filme, que poderia chegar até dez finalistas. Birdman, um dos campeões de indicação no ano, nove, não aparece na categoria de montagem, um quesito geralmente associado à categoria principal. Dois Dias, Uma Noite, é eliminado até do shortlist de filme estrangeiro, mas sua protagonista, Marion Cotillard, consegue vaga entre as atrizes. Mesmo falando em francês. Todo ano o Oscar traz uma série de idiossincrasias que refletem o longo e tumultuado processo que culmina com a lista de indicados.

Boyhood, de Richard Linklater, teve apenas seis indicações, mas continua confortável na posição de favorito ao prêmio principal. Entrou em todas as categorias em que era cotado (filme, direção, coadjuvantes, roteiro e montagem). Seu principal rival, O Jogo da Imitação, do norueguês Morten Tyldum, teve mais indicaçoes, mas mais parece uma opção que a temporada encontrou (para o caso de evitar um filme tão independente como Boyhood) do que um adversário com chances reais. Richard Linklater tem a seu favor uma carreira de prestígio, um nome que gera simpatia, respeito e experiência e, sobretudo, um projeto único na história.

Essas qualificações devem acalmar aquele membro da ala mais antiga da Academia que gosta de narrativas mais tradicionais. Aquele que provavelmente indicou um filme medíocre como A Teoria de Tudo para melhor filme do ano e que pode ter estranhado e resistia a votar em Boyhood. Linklater, apesar dos méritos de seu longa, pode ganhar um Oscar pelo conjunto da obra. Por outro lado, Tyldum fez um filme de narrativa clássica, que se passa na Segunda Guerra, com astros ingleses e o sotaque britânico sempre é uma opção de voto mais conservador, como foi O Discurso de Rei, que bateu A Rede Social em 2010.

O Oscar confirma o abraço que a temporada deu em O Grande Budapeste Hotel, nove indicações, mas o filme só parece ter chances mesmo nas categorias de direção de arte, trilha e talvez roteiro. Por outro lado, resistiu a celebrar O Abutre, que coloca Los Angeles, a cidade da Academia, no centro do mundo do consumo desenfreado da informação.

Filme

filme

Birdman, Alejandro Gonzalez Iñarritu
Boyhood, Richard Linklater
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson
O Jogo da Imitação, Morten Tyldum
Selma, Ava DuVernay
Sniper Americano, Clint Eastwood
A Teoria de Tudo, James Marsh
Whiplash, Damien Chazelle

Pela primeira vez desde as mudanças nas regras que deixam essa categoria com um número mínimo de 5 e um máximo de 10 indicados, esta é a primeira vez em que oito filmes (e não nove) são finalistas. Todos eles estavam bem cotados e não era muito difícil prever suas indicações. Mas o número menor de indicados frustrou a expectativa de muitos candidatos, entre eles Foxcatcher, que teve uma inexplicável indicação para direção mesmo falhando aqui; O Abutre, que terminou com uma indicação solitária em roteiro original; Garota Exemplar, um dos grandes esnobados do dia, também com uma menção apenas; Um Ano Mais Violento, completamente esquecido; Caminhos da Floresta, finalista em categorias técnicas; e Invencível, frustrante tentativa de Angelina Jolie ganhar o Oscar (ainda bem que ninguém caiu nesta). Nunca entenderei porque Era Uma Vez em Nova York sequer foi lembrado pelos precursores. A disputa se concentra em Boyhood e O Jogo da Imitação.

direção

direção

Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman
Bennett Miller, Foxcatcher
Morten Tyldum, O Jogo da Imitação
Richard Linklater, Boyhood
Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste

Bennett Miller parece um peixe fora d’água. Se a ideia era colocar um diretor de um filme da Sony aqui, seria mais lógico dar a vaga para o Damien Chazelle, de Whiplash, indicado a melhor filme. Na lista do Directors Guild of America, o lugar de Miller foi tomado por Clint Eastwood (ou vice-versa). Por sinal, dar seis indicações para Sniper Americano e desconsiderar seu diretor foi meio estranho. Richard Linklater parte como favorito. Seu maior rival é Iñarritu, que parece ter mais chances aqui do que na categoria principal. Tyldum só ameaça se seu filme crescer muito este mês. Harvey Weinstein tem muito trabalho pela frente. E finalmente eles reconhecem o Wes Anderson!

Ator

ator

Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação
Bradley Cooper, Sniper Americano (*)
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Michael Keaton, Birdman
Steve Carell, Foxcatcher

A Academia realmente adora o Bradley Cooper para dar três indicações consecutivas para um ator esforçado, mas não mais do que isso. Mostra a força do tema do filme do Clint. Carell, que era um dos favoritos no começo da corrida, entrou quase como um azarão, mas parece que o Oscar gostou mesmo do Foxcactcher. Os dois não têm muitas chances. Benedict Cumberbatch tem um pouco mais, mas a personagem de Eddie Redmayne faz exatamente a linha que o Oscar tanto adora: figura real e deficiência física. No entanto, Michael Keaton está fortíssimo. É o comeback do ano e eles gostam muito disso. E, ao contrário de Mickey Rourke alguns anos atrás, Keaton não tem um Sean Penn para atrapalhar sua festa. A ausência mais sentida é a de Jake Gyllenhaal por O Abutre e David Oyelowo parece ter se prejudicado pela falta de repercussão de Selma nos prêmios anteriores. Timothy Spall e Ralph Fiennes, por Sr. Turner e O Grande Hotel Budapeste também seriam ótimos azarões.

Atriz

atriz

Felicity Jones, A Teoria de Tudo
Julianne Moore, Para Sempre Alice
Marion Cotillard, Dois Dias, Uma Noite
Reese Witherspoon, Livre
Rosamund Pike, Garota Exemplar

Uma categoria que parecia completamente decidida, mas trouxe uma das maiores surpresas deste ano: Marion Cotillard toma a vaga que seria de Jennifer Aniston por Cake. E faz isso com Dois Dias, Uma Noite, o candidato eliminado da Bélgica ao Oscar, falando em francês, quando tinha uma belíssima interpretação em inglês em Era Uma Vez em Nova York. Mas como ela está excelente nos dois, tanto faz. No entanto, é Julianne Moore quem já está com as duas mãos no Oscar. Além de fazer uma personagem real, que convive com o Alzheimer, papel isca para Oscars, a Academia sente que tem uma enorme dívida com ela, que já foi indicada quatro vezes. Rosamund Pike é uma indicação merecida, mas Felicity Jones e Reese Witherspoon estão bem qualquer coisa em seus respectivos filmes. Hilary Swank, Emily Blunt e Amy Adams poderiam, mas não empolgaram tanto.

Ator coadjuvante

ator coadjuvante

Edward Norton, Birdman
Ethan Hawke, Boyhood
J.K. Simmons, Whiplash
Mark Ruffalo, Foxcatcher
Robert Duvall, O Juiz

Nenhuma surpresa aqui, mas a indicação de Robert Duvall é bastante preguiçosa porque é o tipo de papel que o Oscar elege há anos, então, fugir um pouquinho do padrão seria altamente recomendável, ainda mais quando O Juiz é um filme tão medíocre. O problema é que nenhum outro candidato a essa vaga teve apoio suficiente da temporada de prêmios. Nem Christoph Waltz, nem Josh Brolin, nem Miyavi, nem os coadjuvantes de Selma, que sumiram. J.K. Simmons parece imbatível desde sempre e dificilmente as coisas irão mudar aqui. Norton é a única ameaça real, mas Birdman deve ganhar seus prêmios em outras pradarias.

Atriz coadjuvante

atriz coadjuvante

Emma Stone, Birdman
Keira Knightley, O Jogo da Imitação
Laura Dern, Livre
Meryl Streep, Caminhos da Floresta
Patricia Arquette, Boyhood

Eu tinha um palpite de que Laura Dern concorreria ao Oscar desde que vi Livre na Mostra. Não que ela mereça. É o tipo de papel que me incomoda muito e do filme eu não gostei nada, mas uma atriz experiente, que há tempos não se destacava, me parecia uma chance boa pro Oscar. Mas como a temporada não deu muita importância a ela, essa ideia foi se esvaindo e eu estava apostando em Jessica Chastain, mas Um Ano Mais Violento foi uma promessa de premiações não cumprida e quando Rene Russo surgiu em O Abutre, transferi meus sentimentos em relação a Laura Dern para ela, que está ótima, por sinal. Mas a Academia preferiu minha primeira aposta. De resto, Emma Stone está excelente (embora a Naomi Watts também esteja), Keira Knightley e Meryl Streep eram indicações óbvias, mas o prêmio deve ficar com a Patricia Arquette.

Foxcatcher

roteiro original

O Abutre, Dan Gilroy
Birdman, Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris & Armando Bo
Boyhood, Richard Linklater
Foxcatcher, E. Max Frye & Dan Futterman
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson & Hugo Guinness

Foxcatcher mostrou força com a indicação aqui. Era a única vaga incerta porque O Abutre, Birdman, Boyhood e O Grande Hotel Budapeste estavam praticamente garantidos. Um Ano Mais Violento e Sr. Turner eram boas apostas para uma indicação, mas ficaram bem enfraquecidos no decorrer da temporada. Para a vitória, sinceramente, o páreo é duro. Pelo número de indicações, pelo Globo de Ouro e pelo prestígio nesta categoria, Wes Anderson é um nome a se considerar, mas a briga feia mesmo será entre Boyhood, o favorito para melhor filme, e Birdman, o mais indicado e o que tem um roteiro mais “original” e com mais “texto”, caso a Academia ache que o filme de Linklater seja mais de diretor do que que de roteiro.

Whiplash

roteiro adaptado

O Jogo da Imitação, Graham Moore
Sniper Americano, Jason Dean Hall
A Teoria de Tudo, Anthony McCarten
Vício Inerente, Paul Thomas Anderson
Whiplash, Damien Chazelle

Paul Thomas Anderson tem prestígio mesmo. Eliminou Garota Exemplar de uma das categorias em que o filme mais tinha chance de indicação. Whiplash, que apenas a Academia considera um roteiro adaptado, conseguiu fazer a transição de categoria, o que mostra que o filme tem muita gente a seu favor. E a menção a Sniper Americano é mais uma prova de como é estranha a ausência de Clint Eastwood entre os diretores. A Teoria de Tudo era uma indicação certa (embora seja um trabalho convencional, chato e nada inventivo), mas não ameaça o favoritismo de O Jogo da Imitação, que, neste sentido, tem mais backup do que seus adversários originais no quesito de melhor filme. Não adiantou a Angelina Jolie chamar quatro roteiristas, entre eles os Coen (imagina o quanto eles não ganharam!) para escrever Invencível.

filme de animação

Os Boxtrolls, Graham Annable & Anthony Stacchi
Como Treinar Seu Dragão 2, Dean DeBlois
O Conto da Princesa Kaguya, Isao Takahata
Operação Big Hero, Don Hall & Chris Williams
Song of the Sea, Tomm Moore

Inexplicável a ausência de Uma Aventura LEGO, que era um dos favoritos para a vitória, mesmo que eu não goste tanto assim do filme. Mas se a vaga dele foi para O Conto da Princesa Kaguya, eu nem me importo muito com a esnobada. Além do longa de Isao Takahata, a GKids, distribuidora indie de filmes de animação, conseguiu um segundo finalista, Song of the Sea. Sem LEGO, a disputa deve ficar entre Como Treinar Seu Dragão 2, que ganhou o Globo de Ouro e teve 10 indicações ao Annie, e Operação Big Hero, que parecia que teria mais apoio da temporada e disputa 7 Annies.

Leviatã

filme estrangeiro

Ida (Polônia)
Leviatã (Rússia)
Relatos Selvagens (Argentina)
Tangerines (Estônia)
Timbuktu (Mauritânia)

A maior surpresa aqui foi Tangerines, primeira indicação da Estônia ao Oscar, trabalho pequeno e bonito. Supresa até certo ponto: muita gente apostava nele porque este tipo de filme, com a guerra como pano de fundo, faz sucesso junto à Academia. Mas se a gente pensar bem, a mesma coisa poderia ser dita sobre A Ilha dos Milharais, que ficou de fora, ou Timbuktu, que entrou. Ida, que ganhou o European Film Awards e outros trocentos prêmios, é o favorito e faz uma linha que a Academia se interessa em premiar. Fica ainda mais forte com a merecida indicação em fotografia, mas o melhor candidato da lista, Leviatã, vencedor do Globo de Ouro, e Relatos Selvagens, um filme extremamente popular, podem surpreender.

Ida

fotografia

Birdman, Emmanuel Lubezki
O Grande Hotel Budapeste, Robert D. Yeoman
Ida, Ryszard Lenczewksi & Lukasz Zal
Invencível, Roger Deakins
Sr. Turner, Dick Pope

Incrível a indicação de Ida e interessante a de O Grande Hotel Budapeste, embora houvesse trabalhos mais merecedores. Lubezki é o favorito e fez um trabalho exemplar, mas ganhou no ano passado e se a Academia se tocar disso pode procurar uma alternativa e Roger Deakins mataria dois coelhos com uma só cajadada: finalmente premiaria um veterano que já foi finalista várias vezes, mas nunca venceu, e daria um prêmio de cala-a-boca para a Angelina Jolie. A melhor fotografia do ano é, no entanto, a de Sr. Turner. E graças aos céus que os filtros de A Teoria de Tudo foram pra pqp.

Boyhood

montagem

Boyhood, Sandra Adair
O Grande Hotel Budapeste, Barney Pilling
O Jogo da Imitação, William Goldenberg
Sniper Americano, Joel Cox, Gary Roach
Whiplash
, Tom Cross

Não dá pra entender a ausência de Birdman, um ótimo trabalho, aqui. Será que eles acharam que o filme todo era um grande plano-sequência? Dificílimo um longa ganhar a categoria principal sem indicação em montagem. Boyhood não tem muito a cara deste prêmio, mas como é o favorito a melhor filme, pode ganhar aqui também. O Jogo da Imitação é uma ameaça séria, caso queiram dar estofo para poder justificar outros Oscars pro longa. Whiplash seria um vencedor mais merecido já que o trabalho de Tom Cross é quase o de um maestro. Uma vitória de O Grande Hotel Budapeste seria estranha, mas como está tudo meio em aberto…

O Grande Hotel Budapeste

desenho de produção

Caminhos da Floresta, Dennis Gassner & Anna Pinnock
O Grande Hotel Budapeste, Adam Stockhausen
Interestelar, Nathan Crowley, Gary Fettis & Paul Healy
O Jogo da Imitação, Maria Djurkovic
Sr. Turner, Suzie Davies & Charlotte Watts

Sem novidades. A lógica é dar O Grande Hotel Budapeste porque esta é a área em que o filme de Wes Anderson é mais forte. Merece. Sr. Turner seria um belo prêmio também, mas não vai ser. Era a única chance real de indicação para O Expresso do Amanhã. Não rolou.

Malévola

figurinos

Caminhos da Floresta, Colleen Atwood
O Grande Hotel Budapeste, Milena Canonero
Malévola, Anna B. Sheppard
Sr. Turner, Jacqueline Durran
Vício Inerente, Mark Bridges

Nem Selma, nem Grandes Olhos, nem Êxodo. Dos indicados, seria mais lógico premiar a Milena Canonero por O Grande Hotel Budapeste pelas mesmas razões da categoria acima. Mas pode dar Malévola, Caminhos da Floresta ou Sr. Turner. Já Vício Inerente, o azarão entre os indicados, se passa numa época que a Academia não tem o costume de premiar.

Guardiões da Galáxia

maquiagem

Foxcatcher
O Grande Hotel Budapeste
Guardiões da Galáxia

Entre a transformação de Steve Carell e os aliens da Marvel, acho que o Oscar vai com a segunda opção, embora esta categoria tenha um histórico de escolhas caretas. Mas Guardiões da Galáxia foi o hit do ano e celebrá-lo aqui poderia ser uma ótima oportunidade de reconhecer o filme em sua seara.

Interestelar

trilha sonora

O Grande Hotel Budapeste, Alexandre Desplat
Interestelar, Hans Zimmer
O Jogo da Imitação, Alexandre Desplat
Sr. Turner, Gary Yearshon
A Teoria de Tudo, Jóhann Jóhannsson

Alexandre Desplat teve oito indicações num período de nove anos. É a opção mais imediata, mas por qual filme? A música é um elemento fundamental em O Grande Hotel Budapeste, mas O Jogo da Imitação pode ser um trabalho mais “importante” na visão da Academia. A Teoria de Tudo ganhou o Globo de Ouro e um prêmio nesta categoria faria do Oscar faria bastante sentido também. A bela trilha de Sr. Turner foi um azarão aqui, roubando uma vaga que poderia ser de trabalhos mais experimentais como Sob a Pele e Garota Exemplar, mas não tem chances. Interestelar também parece fora de questão.

Uma Aventura Lego

canção

“Everything is Awesome” (Shawn Patterson, Joshua Bartholomew, Lisa Harriton, The Lonely Island), Uma Aventura LEGO
“Glory” (John Legend & Common), Selma
“Grateful” (Diane Warren), Além das Luzes
“I’m Not Gonna Miss You” (Glen Campbell), Glen Campbell: I’ll Be Me
“Lost Stars” (Gregg Alexander, Danielle Brisebois, Nick Lashley, Nick Southwood), Mesmo Se Nada Der Certo

Uma Aventura LEGO esnobado em animação e indicado aqui. Essa Academia, hein? Neste ano, deixaram de indicar as músicas de Lorde, Coldplay e Lana Del Rey, perdoável, mas como esquecer “Mercy Is”, da Patti Smith? Heresia. “Glory”, com John Legend e Common, parece ser a única chance de prêmio para Selma, que realmente sofreu com o problema dos screeners atrasados. Mandaram todos os que fizeram para a Academia, mas, sem passar pelos precursores, o filme enfraqueceu. Sua principal rival é “Lost Stars”, que ainda tem o Adam Levine no vocal, e seria um prêmio para o vocalista do lendário New Radicals.

Birdman

mixagem de som

Birdman, Jon Taylor, Frank A. Montaño & Thomas Varga
Interestelar, Gary A. Rizzo, Gregg Landaker & Mark Weingarten
Invencível, Jon Taylor, Frank A. Montaño & David Lee
Sniper Americano, John Reitz, Gregg Rudloff & Walt Martin
Whiplash, Craig Mann, Ben Wilkins & Thomas Curley

Lista interessante que não diz muita coisa sobre o que pensa a Academia nesta categoria. Birdman teria mais chances se fosse o favorito a melhor filme, mas nem o tipo de vencedor nesse quesito ele faz. Invencível, por ser um filme de guerra, faria bem mais o estilo, mas está com a moral muito baixa para vencer sem ter um motivo a mais (como em fotografia). Muita gente reclamou da mixagem de som de Interestelar, mas como ele concorre ao prêmio do guild e aqui, é sempre uma possibilidade. Sniper Americano pode ser uma maneira de premiar o filme de Clint Eastwood, mas isso faria mais sentido na edição de som. E Whiplash é sobre música, o que, na falta de um franco favorito, pode significar muita coisa.

Interestelar

edição de som

Birdman, Martín Hernández & Aaron Glascock
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, Brent Burge & Jason Canovas
Interestelar, Richard King
Invencível, Becky Sullivan & Andrew DeCristofaro
Sniper Americano, Alan Robert Murray & Bub Asman

Aqui, Sniper Americano tem chances mais sólidas já que os efeitos sonoros são essenciais ao filme. Mas ele só está um pouco à frente dos outros concorrentes. À exceção de O Hobbit, esta categoria pode ter resultados variados. Faltou Godzilla!

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

efeitos visuais

Capitão América: O Soldado Invernal, Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill & Dan Sudick
Guardiões da Galáxia, Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner & Paul Corbould
Interestelar, Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter & Scott Fisher
Planeta dos Macacos: O Confronto, Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett & Erik Winquist
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie & Cameron Waldbauer

A indicação de Capitão América: O Soldado Invernal foi uma bela surpresa. Três filmes com personagens da Marvel concorrem nesta categoria. Guardiões da Galáxia, pelo hype, é o favorito entre eles, mas vai ter que bater Planeta dos Macacos: O Confronto, que tem efeitos mais perceptíveis. A disputa vai ser boa. Interestelar e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido devem ser coadjuvantes aqui. Faltou Godzilla!

Life Itself

documentário

CITIZENFOUR, Laura Poitras
A Fotografia Oculta de Vivian Maier, John Maloof & Charlie Siskel
Last Days in Vietnam, Rory Kennedy
O Sal da Terra, Juliano Ribeiro Salgado & Wim Wenders
Virunga, Orlando von Einsiedel

Life Itself, que chegou a ser considerado o favorito nesta categoria, não foi nem indicado. Os críticos gostam mais do Roger Ebert do que os membros da Academia. O caminho está livre para CITIZENFOUR, mas é bom lembrar que acontece muita surpresa aqui. Então, Virunga, A Fotografia Oculta de Vivian Maier e O Sal da Terra não devem ser totalmente ignorados.

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Depois da Chuva

Depois da Chuva

A inquietude de um jovem diante das opções que o mundo lhe oferece é o tema central de Depois da Chuva, longa-metragem de estreia de Cláudio Marques e Marília Hughes, que finalmente chega ao circuito comercial depois de quase dois anos de que estreou em festivais. No filme, que abre espaço para uma nova frente de produção no cinema nordestino, a Bahia, o incômodo das personagens – e dos cineastas – é com as convicções. Estamos em 1985 e o Brasil vive o clima do iminente fim da Ditadura, uma época que marcou profundamente Marques. O protagonista, criado a partir de experiências pessoais do diretor, não encontra respostas nem no clima de esperança fabricado pelo movimento Diretas Já, nem no discurso utópico do grupo de anarquistas a que se junta. A fúria silenciosa do personagem só encontra voz no fortíssimo movimento punk rock baiano do início dos anos 80, praticamente desconhecido fora do estado e recriado com certa ousadia pelos diretores.

Desde a partida, temos um filme praticamente em primeira pessoa. A consciência e o posicionamento políticos que pulsam no longa são herdeiros da memória do diretor, o que impregna a obra de um tom intimista que é sua mola propulsora. A interpretação de Pedro Maia, que vive a personagem principal, é uma bela surpresa: ele impressiona ao conseguir traduzir as dúvidas de um jovem em busca de respostas com melancolia e raiva. A cena em que canta, travestido, numa apresentação do colégio, é um dos momentos mais fortes do filme, que captura uma Bahia de classe média branca, pré-axé, enquanto mostra o surgimento dos arquétipos políticos nos adolescentes. Talvez de uma forma um tanto didática, mas que funciona.

Marques e Hughes abriram mão do quase irresistível estereótipo baiano para fazer um filme sem sotaque, mas com outros temperos. Eles apontam para uma Bahia diferente, onde as pessoas escutam rock e têm uma atitude rock. Ao assumir esse recorte, ao eleger essa como a Bahia que eles queriam representar, sem dar chance ao que, a grosso modo, se entende como cultura popular baiana, os diretores deram a cara a tapa e enfrentaram quem esperava um retrato mais acarajé de um estado tão marcado pelo afro, pela religião, pelo axé music. Ao recusar o regional, seu filme se tornou mais universal para uns, mais afetado para outros. Em todo caso, os passos do protagonista nesse drama tão intimista quanto soteropolitano, fazem a diferença de Depois da Chuva.

Depois da Chuva EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Depois da Chuva, Cláudio Marques & Marília Hughes, 2013]

entrevista com o diretor Cláudio Marques

Depois da Chuva apresenta uma Bahia diferente do que quem vê o estado de fora espera da Bahia. Isso foi intencional?

Eu nunca vou esquecer que uma jornalista em Brasília, ao vivo, me “acusou” de mostrar uma Bahia melancólica… e eu tive que responder “Sim, há tristeza e conflitos na Bahia”. Isso foi ao vivo! Fato é que existem muitas “Bahias”, mas a mais conhecida é a barroca. Aquela coisa do “Baiano não nasce, estréia”. Nada contra, mesmo! Mas, somos mais que isso. E devemos nos representar dentro dessa diversidade. Foi durante as filmagens que nós compreendemos que o naturalismo do Depois da Chuva traz uma Bahia em muito diferente da forma como ela vem sendo tratada. Era um outro tom, muito mais baixo que o usual, mas não menos verdadeiro.

Jamais vou esquecer uma vez em que eu cheguei no aeroporto de Salvador e entrei em um táxi. Naquele dia, o motorista não trocou uma única palavra comigo durante todo o trajeto. Eu bem que tentei, mas ele se negou a manter um diálogo e apenas fez o trabalho dele. Em um filme ou série para a TV, um motorista de táxi na Bahia quase sempre está sorridente, eufórico e falando pelos cotovelos sobre a “Terra da Magia” a um visitante. Essa representação do baiano já foi muito utilizada, está desgastada. Precisamos retratar o nosso silêncio, também.

Por outro lado, Depois da Chuva foi exibido em diversos festivais mundo afora e eu entendi que a Bahia está para o Brasil assim como o Brasil está para o mundo. Sempre a primeira questão que surgia nos debates era o da representação: onde estão o samba e as pessoas felizes dançando no meio da rua? Por quê o punk?

Quando seu filme foi exibido em festivais, algumas críticas o acusavam de querer “camuflar” a Bahia, trocando ritmos regionais pelo rock? Falta informação sobre o rock baiano dos anos 80?

O filme se passa nos anos 84 e 85, momento imediatamente anterior ao surgimento do Axé-Music, que com o seu profissionalismo e poder de sedução fez com que a musica na Bahia passasse a ser vista de uma forma quase que única. Mas, tínhamos (e temos) uma cena pulsante que ficou na margem, com raras exceções. É verdade que falta informação sobre a nossa diversidade artística e cultural, mas creio que se trata de uma responsabilidade grande nossa. Estamos acomodados com a forma que a Bahia é vista. De novo, voltamos à questão da representação.

Que bandas participam de uma maneira ou de outra do filme?

A música possui função dramatúrgica. Não é mera trilha sonora, elas contam a história no filme. Muitas vezes, as musicas surgem em momentos de virada para o protagonista. Foram escolhidas canções que de alguma forma me influenciaram fortemente durante a minha adolescência, nos anos 80. Crac! e Dever de Classe são bandas baianas dos anos 80 e que possuem participações fundamentais. Destaco, aqui, a participação ao vivo na fábrica abandonada. A Crac! é uma banda jazz-punk, que fez um disco incrível produzido pelo Paulo Barnabé, irmão do Arrigo, no início dos anos 90. Esse disco JAMAIS foi lançado. É um dos discos mais espetaculares que eu já escutei. Eu sempre quis lançar o disco ou algumas músicas desse álbum. No filme, temos duas delas: “Canguru” e “Formigueiro”. A Dever de Classe é uma banda hardcore com influências do grupo californiano Dead Kennedys, que também aparece no filme com o clássico punk “Califórnia Uber Alles”. Preciso ainda citar Mateus Dantas, maestro e multi-instrumentista, discípulo do músico suíço Walter Smetak, que compôs algumas músicas para o filme. Destaco aqui a interpretação de “Poema em Linha Reta”, de Fernando Pessoa. No filme, ela surge quando as coisas passam a não funcionar tão bem para o protagonista. Ou seja, a frase “Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo” já antecipa o que vai acontecer dali por diante.

O protagonista não consegue encontrar respostas para suas angústias nem no clima das Diretas Já, que se espalhava pelo país, nem na revolta do grupo de anarquistas. Isso era (é) um incômodo seu também?

Ainda muito jovem, em 1984, eu não consegui me animar com a aliança que envolvia José Sarney, Antonio Carlos Magalhães e Jarbas Passarinho, nomes que deram suporte à ditadura. Ao mesmo tempo, o romantismo e contradições dos anarquistas logo me levaram a um grau de desânimo e até mesmo depressão…. Embora até hoje eu considere os textos anarquistas como os mais belos e lúcidos já escritos, em termos políticos, aos 16 anos eu não me sentia convicto para empunhar uma bandeira ou uma arma em nome de um ideal.

No filme, Caio (Pedro Maia) é um jovem em formação. Curioso, inteligente, ele se sente estimulado e à vontade no casarão de artistas anarquistas. Mas, ele não é como Tales (Talis Castro), um libertário convicto, romântico, que não vai negociar com ninguém. Caio vai experimentar um pouco de tudo até finalizar a sua transição. Dessa forma, mais do que um filme sobre o Brasil dos anos 80, eu acho que “Depois da Chuva” deve ser visto como um filme sobre a desilusão da juventude.

Você tem um longo envolvimento com o cinema, organizando festivais, administrando cinemas, mas este é seu primeiro longa-metragem como diretor, dividindo a tarefa com a Marília. Como foi esta transição?

Marília e eu trabalhamos juntos desde 2006. Dirigimos, produzimos, montamos, escrevemos os roteiros de seis curtas. Desde 1995, eu trabalho com cinema nas mais diferentes etapas. Gosto muito de quase tudo, acho que apenas a finalização dos filmes tem se revelado algo muito difícil.

Pedro Maia é um talento. Como você descobriu o potencial dele como ator?

Depois de procurar bastante e em diferentes lugares e até mesmo em outras cidades, nós nos deparamos com Pedro Maia e não tivemos dúvida que ele era o nosso Caio. Pela forma tranqüila com que ele se portava diante da câmera, pelo olhar expressivo e por ser um menino apaixonado pelo que faz. Marília e eu compreendemos isso rapidamente. Trabalhamos oito meses com Pedro antes de filmar e todo o elenco foi escolhido a partir dele. Nos preparamos para eventuais crises com Pedro, um adolescente de 16 anos. Essa crise ainda está por vir… bem, eu acho que não virá mais!

Finalmente Depois da Chuva chega no circuito comercial. Foi difícil lançar o filme?

Está sendo prazeroso. Estamos viajando muito e juntos com Pedro Maia e Sophia Corral, promovendo debates, conversando sobre juventude e política. As conversas normalmente rendem muito com o público. Muitos textos positivos sobre o filme foram publicados nos últimos dias. Sabemos, no entanto, que a publicidade rege as bilheterias. Ou seja, por mais que nos esforcemos, será muito difícil alcançar o grande público. Mas, estamos movimentando as redes sociais e trabalhando ao máximo para que um número expressivo de pessoas tenha acesso ao filme. As diversas críticas positivas e prêmios que Depois da Chuva recebeu estão ajudando! Vale registrar a parceria com Adhemar Oliveira, da distribuidora Espaço Filmes. Creio que o Adhemar é um dos poucos a trabalhar politicamente em favor do filme brasileiro, em termos de distribuição e exibição.

Pernambuco tem sido, nos últimos anos, um dos maiores pólos de produção de cinema no Brasil. Seu filme que abre espaço para outra frente de produção no Nordeste. É o começo de um movimento?

Eu realmente gostaria de acreditar nisso, pois temos muita gente boa em muitas cidades e em diferentes estados do nordeste. Uma geração com muito desejo de fazer cinema, que se “joga” para filmar com pouco dinheiro e consegue resultados admiráveis. Pernambuco possui uma geração admirável. O talento desses cineastas tem sido reconhecido pelo governo do estado, que criou e mantém uma política constante de investimentos na área. Acredito que o mesmo poderia estar acontecendo na Bahia e Ceará, por exemplo. Nesses dois estados surgiram alguns talentos, que poderiam ter sido estimulados a dar continuidade com políticas contínuas para o setor. Mas, não foi assim.

Na Bahia não existe um pensamento para o cinema. Não há um banco de dados de projetos, planejamento para os próximos anos e as decisões acabam nas mãos de comissões que a cada ano se modificam. Nos últimos quatros anos, nós tivemos três editais promovidos pela Secretaria de Cultura. Apenas dois foram plenamente pagos. E os valores desses editais são consideravelmente menores que os de Pernambuco. Assim, eu tenho visto muitos jovens que poderiam estar trabalhando com cinema migrando para outras áreas.

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Oscar 2015: apostas finais

filme

filme

minhas apostas

O Abutre, Dan Gilroy
Birdman, Alejandro Gonzalez Iñarritu
Boyhood, Richard Linklater
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson
O Jogo da Imitação, Morten Tyldum
Selma, Ava DuVernay
Sniper Americano, Clint Eastwood
A Teoria de Tudo, James Marsh
Whiplash, Damien Chazelle

têm chances

Um Ano Mais Violento, J.C. Chandor
Caminhos da Floresta, Rob Marshall
Foxcatcher, Benett Miller (* principal alternativa)
Garota Exemplar, David Fincher
Invencível, Angelina Jolie

direção

direção

minhas apostas

Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman
Clint Eastwood, Sniper Americano
Damien Chazelle, Whiplash
Richard Linklater, Boyhood
Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste

têm chances

Ava DuVernay, Selma
Dan Gilroy, O Abutre
David Fincher, Garota Exemplar
James Marsh, A Teoria de Tudo
Morten Tyldum, O Jogo da Imitação (*)

ator

ator

minhas apostas

Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação
David Oyelowo, Selma
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Jake Gyllenhaal, O Abutre
Michael Keaton, Birdman

têm chances

Bradley Cooper, Sniper Americano (*)
Oscar Isaac, Um Ano Mais Violento
Ralph Fiennes, O Grande Budapeste Hotel
Steve Carell, Foxcatcher
Timothy Spall, Mr. Turner

atriz

atriz

minhas apostas

Felicity Jones, A Teoria de Tudo
Jennifer Aniston, Cake
Julianne Moore, Para Sempre Alice
Reese Witherspoon, Livre
Rosamund Pike, Garota Exemplar

têm chances

Amy Adams, Grandes Olhos
Emily Blunt, Caminhos da Floresta
Hilary Swank, Dívida de Honra (*)
Marion Cotillard, Dois Dias, Uma Noite
Marion Cotillard, Era Uma Vez em Nova York

Ator coadjuvante

ator coadjuvante

minhas apostas

Edward Norton, Birdman
Ethan Hawke, Boyhood
J.K. Simmons, Whiplash
Mark Ruffalo, Foxcatcher
Robert Duvall, O Juiz

têm chances

Christoph Waltz, Grandes Olhos
Josh Brolin, Vício Inerente
Miyavi, Invencível
Steve Carell, Foxcatcher (*)
Tom Wilkinson, Selma

atriz coadjuvante

atriz coadjuvante

minhas apostas

Emma Stone, Birdman
Keira Knightley, O Jogo da Imitação
Meryl Streep, Caminhos da Floresta
Patricia Arquette, Boyhood
Rene Russo, O Abutre

têm chances

Carmen Ejogo, Selma
Jessica Chastain, Um Ano Mais Violento (*)
Laura Dern, Livre
Naomi Watts, Um Santo Vizinho
Tilda Swinton, O Expresso do Amanhã

Boyhood

roteiro original

minhas apostas

O Abutre, Dan Gilroy
Birdman, Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris & Armando Bo
Boyhood, Richard Linklater
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson & Hugo Guinness
Sr. Turner, Mike Leigh

têm chances

Um Ano Mais Violento, J.C. Chandor
Uma Aventura LEGO, Phil Lord, Chris Miller, Dan Hageman & Kevin Hageman
Foxcatcher, E. Max Frye & Dan Futterman (*)
Selma, Ava DuVernay, Paul Webb
Top Five, Chris Rock

Garota Exemplar

roteiro adaptado

minhas apostas

Garota Exemplar, Gillian Flynn
O Jogo da Imitação, Graham Moore
Sniper Americano, Jason Dean Hall
A Teoria de Tudo, Anthony McCarten
Whiplash, Damien Chazelle

têm chances

Caminhos da Floresta, Jame Lapine
Invencível, Joel Coen, Ethan Coen, Richard LaGravenese & William Nicholson
Livre, Nick Hornby (*)
Para Sempre Alice, Richard Glatzer & Wash Westmoreland
Vício Inerente, Paul Thomas Anderson

Uma Aventura Lego

filme de animação

minhas apostas

Uma Aventura Lego, Phil Lord & Christopher Miller
Os Boxtrolls, Graham Annable & Anthony Stacchi
Como Treinar Seu Dragão 2, Dean DeBlois
O Conto da Princesa Kaguya, Isao Takahata
Operação Big Hero, Don Hall & Chris Williams

têm chances

Cheatin’, Bill Plympton
Festa no Céu, Jorge R. Gutierrez
Rio 2, Carlos Saldanha
Rocks in My Pockets, Signe Baumane
Song of the Sea, Tomm Moore (*)

Leviatã

filme estrangeiro

minhas apostas

Força Maior (Suécia)
Ida (Polônia)
Leviatã (Rússia)
Tangerines (Estônia)
Timbuktu (Mauritânia)

têm chances

A Ilha dos Milharais (Geórgia)
O Libertador (Venezuela)
Lucia de B. (Holanda)
Relatos Selvagens (Argentina) (*)

Ida

fotografia

minhas apostas

Birdman, Emmanuel Lubezki
O Grande Hotel Budapeste, Robert D. Yeoman
Ida, Ryszard Lenczewksi & Lukasz Zal
Invencível, Roger Deakins
Sr. Turner, Dick Pope

têm chances

O Abutre, Robert Elswit
Garota Exemplar, Jeff Cronenweth
O Jogo da Imitação, Óscar Faura (*)
Interestelar, Hoyt Van Hoytema
A Teoria de Tudo, Benôite Delhomme

Whiplash

montagem

Birdman, Douglas Crise
Boyhood, Sandra Adair
O Grande Hotel Budapeste, Barney Pilling
O Jogo da Imitação, William Goldenberg
Whiplash, Tom Cross

têm chances

O Abutre, John Gilroy
Garota Exemplar, Kirk Baxter
Selma, Spencer Averick
Sniper Americano, Joel Cox, Gary Roach (*)
A Teoria de Tudo, Jinx Godfrey

O Grande Hotel Budapeste

desenho de produção

minhas apostas

Caminhos da Floresta, Dennis Gassner & Anna Pinnock
O Grande Hotel Budapeste, Adam Stockhausen
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, Dan Hennah & Ra Vincent
O Jogo da Imitação, Maria Djurkovic
Sr. Turner, Suzie Davies & Charlotte Watts

têm chances

Birdman, Kevin Thompson; George DeTitta Jr. (*)
O Expresso do Amanhã, Ondrej Nekvasil; Beata Brendtnerova
Grandes Olhos, Rick Heinrichs; Shane Vieau
Interestelar, Nathan Crowley, Gary Fettis & Paul Healy
Malévola, Dylan Cole, Gary Freeman & Lee Sandales

Malévola

figurinos

minhas apostas

Caminhos da Floresta, Colleen Atwood
O Grande Hotel Budapeste, Milena Canonero
Malévola, Anna B. Sheppard
Selma, Ruth E. Carter
Sr. Turner, Jacqueline Durran

têm chances

Êxodo: Deuses e Reis, Janty Yates
Grandes Olhos, Colleen Atwood
O Jogo da Imitação, Sammy Sheldon (*)
A Teoria de Tudo, Steven Noble
Vício Inerente, Mark Bridges

Foxcatcher

maquiagem

minhas apostas

Foxcatcher
O Grande Hotel Budapeste
Guardiões da Galáxia

têm chances

Malévola (*)
Noé
A Teoria de Tudo

Interestelar

trilha sonora

minhas apostas

Garota Exemplar, Trent Reznor & Atticus Ross
O Grande Hotel Budapeste, Alexandre Desplat
Interestelar, Hans Zimmer
O Jogo da Imitação, Alexandre Desplat
A Teoria de Tudo, Jóhann Jóhannsson

têm chances

Como Treinar Seu Dragão 2, John Powell
Dívida de Honra, Marco Beltrami
Invencível, Alexandre Desplat
O Juiz, Thomas Newman
Sob a Pele, Mica Levi (*)

Noé

canção

minhas apostas

“Glory”, Selma
“I’m Not Gonna Miss You”, Glen Campbell: I’ll Be Me
“Mercy Is”, Noé
“Lost Stars”, Mesmo Se Nada Der Certo
“Opportunity”, Annie

têm chances

“Big Eyes”, Grandes Olhos (*)
“Everything is Awesome”, Uma Aventura Lego
“The Last Goodbye”, O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
“Miracles”, Invencível
“Ryan’s Song”, Boyhood

Guardiões da Galáxia

mixagem de som

minhas apostas

Birdman
Guardiões da Galáxia
Invencível
Sniper Americano
Whiplash

têm chances

Caminhos da Floresta
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Interestelar (*)
Planeta dos Macacos: O Confronto
Transformers: A Era da Extinção

Planeta dos Macacos: O Confronto

edição de som

minhas apostas

Guardiões da Galáxia
Interestelar
Invencível
Planeta dos Macacos: O Confronto
Sniper Americano

têm chances

Birdman
Corações de Ferro
Garota Exemplar
Godzilla (*)
Operação Big Hero 6

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

efeitos visuais

minhas apostas

Guardiões da Galáxia
Interestelar
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Planeta dos Macacos: O Confronto
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

têm chances

Capitão América: O Soldado Invernal
Godzilla (*)
Malévola
Uma Noite no Museu 3
Transformers: A Era da Extinção

Life Itself

documentário

minhas apostas

CITIZENFOUR, Laura Poitras
A Fotografia Oculta de Vivian Maier, John Maloof & Charlie Siskel
Life Itself, Steve James
The Overnighters, Jesse Moss
Virunga, Orlando von Einsiedel

têm chances

The Case Against 8, Ben Cotner & Ryan White
Keep On Keepin’ On, Alan Hicks
Last Days in Vietnam, Rory Kennedy
O Sal da Terra, Juliano Ribeiro Salgado & Wim Wenders
Tales of the Grim Sleeper, Nick Broomfield (*)

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Oscar 2015: minhas apostas para o Globo de Ouro

filme – drama

Boyhood, Richard Linklater (deve ganhar)
Foxcatcher, Bennett Miller
O Jogo da Imitação, Morten Tyldum (ameaça)
Selma, Ava DuVernay (azarão)
A Teoria de Tudo, James Marsh

filme – comédia ou musical

Caminhos da Floresta, Rob Marshall
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson (ameaça)
Birdman, Alejandro Gonzalez Iñarritu (deve ganhar)
Pride, Matthew Warchus (azarão)
Um Santo Vizinho, Theodore Melfi

direção

Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman (ameaça)
Ava DuVernay, Selma
David Fincher, Garota Exemplar
Richard Linklater, Boyhood (deve ganhar)
Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste (azarão)

ator – drama

Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação
David Oyelowo, Selma (ameaça)
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo (deve ganhar)
Jake Gyllenhaal, O Abutre (azarão)
Steve Carell, Foxcatcher

ator comédia ou musical

Bill Murray, Um Santo Vizinho (azarão)
Christoph Waltz, Grande Olhos
Michael Keaton, Birdman (deve ganhar)
Ralph Fiennes, O Grande Hotel Budapeste (ameaça)
Joaquin Phoenix, Vício Inerente

atriz – drama

Felicity Jones, A Teoria de Tudo
Jennifer Aniston, Cake
Julianne Moore, Para Sempre Alice (deve ganhar)
Reese Whiterspoon, Livre (ameaça)
Rosamund Pike, Garota Exemplar (azarão)

atriz – comédia ou musical

Amy Adams, Grandes Olhos (deve ganhar)
Emily Blunt, Caminhos da Floresta (azarão)
Helen Mirren, A 100 Passos de um Sonho
Julianne Moore, Mapa para as Estrelas (ameaça)
Quvenzhané Wallis, Annie

ator coadjuvante

Edward Norton, Birdman (ameaça)
Ethan Hawke, Boyhood (azarão)
J.K. Simmons, Whiplash (deve ganhar)
Mark Ruffalo, Foxcatcher
Robert Duvall, O Juiz

atriz coadjuvante

Emma Stone, Birdman (azarão)
Jessica Chastain, Um Ano Mais Violento (ameaça)
Keira Knightley, O Jogo da Imitação
Meryl Streep, Caminhos da Floresta
Patricia Arquette, Boyhood (deve ganhar)

roteiro

Boyhood (deve ganhar)
Garota Exemplar (azarão)
Birdman (ameaça)
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

filme estrangeiro

Força Maior (ameaça)
Gett: The Trial of Viviane Amsalem
Ida (deve ganhar)
Leviatã (azarão)
The Tangerine Dream

animação

Uma Aventura Lego (deve ganhar)
Os Boxtrolls
Como Treinar Seu Dragão 2
Festa no Céu (azarão)
Operação Big Hero 6 (ameaça)

trilha sonora

Garota Exemplar (ameaça)
Birdman (deve ganhar)
Interestelar
O Jogo da Imitação (azarão)
A Teoria de Tudo

canção

“Big Eyes”, Grandes Olhos (ameaça)
“Glory”, Selma (deve ganhar)
“Mercy Is”, Noé
“Opportunity”, Annie
“Yellow Flicker Beat”, Jogos Vorazes (azarão)

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Whiplash

Whiplash

Whiplash é um falso positivo. Quem lê a sinopse ou assiste ao trailer do filme que revelou Damien Chazelle pro mundo imediatamente o associa a um gênero de cinema que, se não foi fundado, teve seu maior expoente em Ao Mestre, com Carinho, que, no final dos anos sessenta, ajudou a consolidar a carreira de Sidney Poitier: os filmes de professores que transformam as vidas dos alunos. Assim como deve acontecer com J.K. Simmons, Edward James Olmos concorreu a um Oscar num destes papéis, que também já atraíram gente do porte de Michelle Pfeiffer e James Belushi.

A grande questão é que, mesmo inspirados em pessoas reais, esses personagens se prendiam a uma concepção burocrática que misturava altruísmo e personalidade forte e eram base para uma história de superação que na imensa maioria das vezes paria um longa tecnicamente acomodado. O filme de Chazelle vira essa fórmula pelo avesso. O protagonista é um estudante de música arrogante e ambicioso e a “personalidade forte” do professor flerta com a vilania. A partir disso, o cineasta desconstrói a preguiça esquemática que impera no gênero, mesmo quando arma ganchos que sugerem exatamente as soluções que refuta.

Além dessa predisposição para quebrar padrões, Chazelle revela uma mão talentosa para dirigir as cenas musicais e as transformar na força motriz do filme. O diretor consegue transformar cada sequência de ensaio ou de apresentação da banda em que trabalham os personagens num espetáculo dramatúrgico de uma excelência técnica que realmente impressiona. A fotografia e, principalmente, a montagem estão a serviço da música e a música está a serviço da catarse emocional. Nesse ponto, Whiplash até tem uma intenção semelhante a dos filmes de que se distancia, pretende pegar o espectador pelo pé.

A diferença mora no método do diretor/roteirista. O duelo que Damien Chazelle promove em seu filme é muito mais do que um embate de egos, mas se transforma num conflito ideológico sem grandes verdades onde o cineasta abre espaço para humanizar os dois personagens mesmo que não dê moleza para nenhum deles. O thriller psicológico proposto pelo diretor revela que Miles Teller, jovem astro em ascensão em Hollywood, tem um belo futuro pela frente, e que J.K. Simmons pode ser um monstro, no melhor dos sentidos, com uma baqueta na mão.

Whiplash – Em Busca da Perfeição EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Whiplash, Damien Chazelle, 2014]

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Frankies 2014: os vencedores

Era Uma Vez em Nova York, do James Gray, foi meu filme favorito de 2014. O único que eu chamaria de obra-prima num ano de muitos filmes bons chegaram aos cinemas brasileiros. Segue agora meus favoritos em cada uma das categorias dos Frankies, meu prêmio pessoal de cinema.

filme do ano

Era Uma Vez em Nova York

Era uma Vez em Nova York
[The Immigrant, James Gray]

outros indicados

Cães Errantes, Tsai Ming-Liang
Ela, Spike Jonze
Eles Voltam, Marcelo Lordello
Planeta dos Macacos: O Confronto, Matt Reeves

Direção

direção
James Gray, Era uma Vez em Nova York

outros indicados
Paulo Sacramento, Riocorrente
Richard Linklater, Boyhood
Spike Jonze, Ela
Tsai Ming Liang, Cães Errantes

ator

ator

Lee Kang-sheng, Cães Errantes

outros indicados
Gérard Depardieu, Bem-Vindo a Nova York
Joaquin Phoenix, Era uma Vez em Nova York
Leonardo Di Caprio, O Lobo de Wall Street
Matthew McConaughey, Clube de Compras Dallas

Atriz

atriz

Marion Cotillard, Era uma Vez em Nova York

outros indicados
Kazuko Yoshiyuki, Uma Família em Tóquio
Leandra Leal, O Lobo Atrás da Porta
Luminita Gheorgiou, Instinto Materno
Ruth Sheen, Mais um Ano

ator coadjuvante

ator coadjuvante

Antônio Fagundes, Quando Eu Era Vivo

outros indicados
Ethan Hawke, Boyhood
Jared Leto, Clube de Compras Dallas
Robert Pattinson, The Rover – A Caçada
Will Forte, Nebraska

Atriz coadjuvante

atriz coadjuvante

Jacqueline Bisset, Bem-Vindo a Nova York

outros indicados
Gilda Nomacce, Quando Eu Era Vivo
June Squibb, Nebraska
Scarlett Johansson, Ela
Uma Thurman, Ninfomaníaca – Parte 1

elenco

elenco

Mais um Ano

outros indicados
Boyhood
Era uma Vez em Nova York
Nebraska
Nós Somos as Melhores!

ator

cena do ano

Cães Errantes, Música e lágrimas e chuva

outros indicados
Ela, Um passeio com Samantha
Era uma Vez em Nova York, Dois destinos
Uma Família em Tóquio, O jantar com Noriko
Riocorrente, O coquetel molotov

roteiro original

roteiro original

Ela, Spike Jonze

outros indicados
O Abutre, Dan Gilroy
Cães Errantes, Tsai Ming-liang, Peng Fei Song & Chen Yu Tung
Eles Voltam, Marcelo Lordello
Era uma Vez em Nova York, James Gray & Ric Minello

roteiro adaptado

roteiro adaptado

Planeta dos Macacos: O Confronto, Mark Bomback, Rick Jaffa & Amanda Silver
baseados no livro de Pierre Boulle

outros indicados
Uma Família em Tóquio, Yôji Yamada & Emiko Hiramatsu
baseados no filme de Yasujiro Ôzu
Guardiões da Galáxia, James Gunn & Nicole Perlman
baseados nos quadrinhos de Dan Abnett & Andy Lanning
Oslo, 31 de Agosto, Joachim Trier & Eskil Vogt
baseados no livro de Pierre Drieu La Rochelle
Sob a Pele, Jonathan Glazer & Walter Campbell
baseado no livro de Michel Faber

estreia

filme de estreia

O Abutre, Dan Gilroy

outros indicados
Capitão América – O Soldado Invernal, Anthony & Joe Russo
Fruitvale Station, Ryan Coogler
O Lobo Atrás da Porta, Fernando Coimbra
Malévola, Robert Stromberg

brasileiro

filme brasileiro

Eles Voltam, Marcelo Lordello

outros indicados
O Homem das Multidões, Cao Guimarães & Marcelo Gomes
O Lobo Atrás da Porta, Fernando Coimbra
O Menino e o Mundo, Alê Abreu
Riocorrente, Paulo Sacramento

fotografia

fotografia

Era uma Vez em Nova York, Darius Khondji

outros indicados
Ela, Hoyte Van Hoytema
Ida, Ryszard Lenczewski & Lukasz Zal
Saint Laurent, Josée Deshaies
Sob a Pele, Daniel Landin

montagem

montagem

Garota Exemplar, Kirk Baxter

outros indicados
O Abutre, John Gilroy
Ela, Eric Zumbrunnen & Jeff Buchanan
Eles Voltam, Eduardo Serrano
Riocorrente, Idê Lacreta & Paulo Sacramento

direção de arte

direção de arte

O Grande Hotel Budapeste, Adam Stockhausen

outros indicados
Ela, K.K. Barrett
Era uma Vez em Nova York, Happy Massee
Guardiões da Galáxia, Charles Wood
Trapaça, Judy Becker

figurinos

figurinos

Trapaça, Michael Wilkinson

outros indicados
Era uma Vez em Nova York, Patricia Norris
O Gebo e a Sombra, Adelaide Maria Trêpa
O Grande Hotel Budapeste, Milena Canonero
Malévola, Anna B. Sheppard

maquiagem

maquiagem

Guardiões da Galáxia

outros indicados
O Grande Hotel Budapeste
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Trapaça
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

trilha sonora

trilha sonora

Sob a Pele, Mica Levi

outros indicados
Ela, Arcade Fire
Frozen, Christophe Beck
Garota Exemplar, Trent Reznor & Atticus Ross
O Grande Hotel Budapeste, Alexandre Desplat

Canção

canção

“The Moon Song”, Ela
autores: Karen O & Spike Jonze
intérprete: Karen O & Ezra Koenig

outros indicados

“Hal”, Amantes Eternos
autores: Yasmine Hamdan
intérprete: Yasmine Hamdan

“In Summer”, Frozen
autores: Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez
intérprete: Josh Gad

“Let Me In”, A Culpa é das Estrelas
autor: Grouplove
intérprete: Grouplove

“Quando Eu Era Vivo”, Quando Eu Era Vivo
autores: Marco Dutra & Caetano Gotardo
intérprete: Sandy

som

som

Riocorrente

outros indicados
Ela
Garota Exemplar
O Menino e o Mundo
Sob a Pele

efeitos visuais

efeitos visuais

Guardiões da Galáxia

outros indicados
Godzilla
Lucy
Planeta dos Macacos: O Confronto
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

animação

animação

O Menino e o Mundo, Alê abreu

outros indicados
Como Treinar Seu Dragão 2, Dean DeBlois
Frozen, Chris Buck & Jennifer Lee
Operação Big Hero, Don Hall & Chris Williams
Vidas ao Vento, Hayao Miyazaki

documentário

documentário

A Imagem que Falta, Rithy Panh

outros indicados
Os Dias com Ele, Maria Clara Escobar
Dominguinhos, Joaquim Castro, Eduardo Nazarian & Mariana Aydar
Libertem Angela Davis, Shola Lynch
Junho, João Wainer

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