Trailer: Maggie

Maggie
[Maggie, Henry Hobson, 2015]

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Branco Sai, Preto Fica

Branco Sai, Preto Fica

Uma ficção-científica caseira em forma de manifesto contra o status quo. O novo filme de Adirley Queirós, Branco Sai, Preto Fica, resgata o espírito revolucionário dos filmes de Rogério Sganzerla e André Luiz Oliveira, reprisando, inclusive, sua criatividade para explorar os recursos escassos que os financiavam. Queirós volta a buscar os limites entre documentário e ficção como em seu primeiro longa, A Cidade é uma Só?, utilizando atores com deficiências físicas para interpretar personagens que lidam com as consequências da violência policial. O diretor se inspira em casos reais, vividos por conhecidos dele, vítimas da brutalidade.

A denúncia social está ali, como subtexto que quase o tempo todo volta à superfície, mas o formato de brincadeira, com um terceiro protagonista, Dilmar Durães, na pele de viajante do futuro que investiga o que aconteceu com os dois primeiros, areja a postura política do longa. A criatividade das tramas criadas por Adirley Queirós colocam o diretor numa posição de vanguarda no atual cinema brasileiro. Nenhum cineasta dos dias de hoje assume tantos riscos e se predispõe a tocar em temas tão fortes de uma maneira tão pouco convencional. O filme tem um problema de ritmo que atrapalha um pouco o fluxo da história, mas que cabe em seu formato de panfleto libertário. Queirós reitera sua condição de cineasta imprevisível – e por isso mesmo muito interessante.

Branco Sai, Preto Fica EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Branco Sai, Preto Fica, Adirley Queirós, 2014]

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Frankies 1987: indicados e vencedores

Frankies 1987

A lista de estreias de filmes no circuito comercial brasileiro ao longo dos anos é confusa e obscura. A database só é mais clara a partir dos anos 2000, quando sites especializados começaram a relacionar os longas. Comecei uma pesquisa para listar os filmes que estrearam no país antes disso, ano a ano, e estou usando esses arquivos para ampliar meu prêmio anual de cinema, de acordo com a data em que os títulos foram lançados por estas bandas. A pesquisa já está bem adiantada e as parciais vão ser colocadas aqui no blogue. O primeiro post é relativo aos filmes que chegaram ao circuito brasileiro em 1987. A lista de filmes elegíveis está aqui (a partir do arquivo de jornais e considerando apenas as estreias em São Paulo, principal praça do país). Com asterisco, meus favoritos em cada categoria.

filme

[EstrelinhaConta Comigo, Rob Reiner
O Ilusionista, Jos Stelling
Os Intocáveis, Brian De Palma
O Selvagem da Motocicleta, Francis Ford Coppola
Veludo Azul, David Lynch

direção

Brian De Palma, Os Intocáveis
[EstrelinhaDavid Lynch, Veludo Azul
John Hughes, Curtindo a Vida Adoidado
Jos Stelling, O Ilusionista
Rob Reiner, Conta Comigo

ator

Christopher Walken, A Hora da Zona Morta
Freek de Jonge, O Ilusionista
Matt Dillon, O Selvagem da Motocicleta
[EstrelinhaMatthew Broderick, Curtindo a Vida Adoidado
Sean Connery, O Nome da Rosa

atriz

[EstrelinhaHolly Hunter, Arizona Nunca Mais
Kathleen Turner, Peggy Sue – Seu Passado a Espera
Marlee Matlin, Os Filhos do Silêncio
Melanie Griffith, Totalmente Selvagem
Susan Sarandon, As Bruxas de Eastwick

ator coadjuvante

Alan Ruck, Curtindo a Vida Adoidado
[EstrelinhaDennis Hopper, Veludo Azul
River Phoenix, Conta Comigo
Robert De Niro, Coração Satânico
Robert De Niro, Os Intocáveis

atriz coadjuvante

Cláudia Jimenez, Os Trapalhões no Auto da Compadecida
Dianne Wiest, A Era do Rádio
[EstrelinhaIsabella Rossellini, Veludo Azul
Julie Kavner, A Era do Rádio
Maggie Smith, Uma Janela para o Amor

elenco

As Bruxas de Eastwick
[EstrelinhaConta Comigo
Curtindo a Vida Adoidado
A Era do Rádio
Os Trapalhões no Auto da Compadecida

cena do ano

Conta Comigo, O corpo
Curtindo a Vida Adoidado, Twist and Shout
Os Intocáveis, O carrinho de bebê
[EstrelinhaVeludo Azul, Pela fresta
Veludo Azul, A máscara

roteiro original

Arizona Nunca Mais, Joel Coen & Ethan Coen
[EstrelinhaCurtindo a Vida Adoidado, John Hughes
A Era do Rádio, Woody Allen
O Ilusionista, Jos Stelling & Freek de Jonge
Veludo Azul, David Lynch

roteiro adaptado

[EstrelinhaConta Comigo, Raynold Gideon & Bruce A. Evans
Coração Satânico, Alan Parker
O Nome da Rosa, Andrew Birkin, Gérard Brach, Howard Franklin & Alain Godard
O Selvagem da Motocicleta, S.E. Hinton & Francis Ford Coppola
Os Trapalhões no Auto da Compadecida, Roberto Farias

filme de estreia

[EstrelinhaAnjos da Noite, Wilson Barros
Crocodilo Dundee, Peter Faiman
Os Filhos do Silêncio, Randa Haines
Re-Animator – A Volta dos Mortos-Vivos, Stuart Gordon
Sobre Ontem à Noite, Edward Zwick

filme brasileiro

Anjos da Noite, Wilson Barros
Anjos do Arrabalde, Carlos Reichenbach
Ele, o Boto, Walter Lima Jr.
[EstrelinhaOs Trapalhões no Auto da Compadecida, Roberto Farias
Vera, Sergio Toledo

fotografia

Amor Bruxo, Teo Escamilla
Betty Blue – 37,2º de Manhã, Carlos Conti
Os Intocáveis, Stephen H. Burum
[EstrelinhaO Selvagem da Motocicleta, Stephen H. Burum
Veludo Azul, Frederick Elmes

montagem

As Bruxas de Eastwick, Huibert La Buillerie & Richard Francis-Bruce
[EstrelinhaCurtindo a Vida Adoidado, Paul Hirsch
A Hora da Zona Morta, Ronald Sanders
Os Intocáveis, Gerald B. Greenberg & Bill Pankow
Veludo Azul, Duwayne Dunham

direção de arte

[EstrelinhaA Era do Rádio, Santo Loquasto
Os Intocáveis, William A. Elliott
Uma Janela para o Amor, Brian Ackland-Snow & Gianni Quaranta
O Nome da Rosa, Dante Ferretti
Verão Vermelho, Wilfred Shingleton

figurinos

A Era do Rádio, Jeffrey Kurland
Uma Janela para o Amor, Jenny Beavan & John Bright
O Nome da Rosa, Gabriella Pescucci
[EstrelinhaPeggy Sue – Seu Passado a Espera, Theadora Van Runkle
Verão Vermelho, Barbara Lane

maquiagem

A Companhia dos Lobos
Highlander, o Guerreiro Imortal
[EstrelinhaA Mosca
O Nome da Rosa
RoboCop – O Policial do Futuro

trilha sonora

[EstrelinhaOs Intocáveis, Ennio Morricone
A Missão, Ennio Morricone
Por Volta da Meia-Noite, Herbie Hancock
O Selvagem da Motocicleta, Stewart Copeland
Veludo Azul, Angelo Badalamenti

canção

Brilliant Mind, Alguém Muito Especial
A Kind of Magic, Highlander, o Guerreiro Imortal
Live to Tell, Caminhos Violentos
Somewhere Out There, Fievel – Um Conto Americano
[EstrelinhaWho Wants to Live Forever, Highlander, o Guerreiro Imortal

som

Os Intocáveis
[EstrelinhaPlatoon
Por Volta da Meia-Noite
RoboCop – O Policial do Futuro
Veludo Azul

efeitos visuais

Jornada nas Estrelas 4 – A Volta para a Terra
A Mosca
Uma Noite Alucinante
O Predador
[EstrelinhaRoboCop – O Policial do Futuro

animação

[EstrelinhaFievel – Um Conto Americano, Don Bluth

pior filme

Braddock 2 – O Início da Missão, Lance Hool
O Exterminador Implacável, Gary Sherman
Loucademia de Polícia 4: O Cidadão se Defende, Jim Drake
[Estrelinha] Super-Homem 4: Em Busca da Paz, Sidney J. Furie
Tubarão 87 – A Vingança, Joseph Sargent

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Estreias nos cinemas brasileiros: 1987

007 – Marcado para a Morte
Agonia
Alguém Muito Especial
Allan Quatermain em A Cidade do Ouro Perdido
Amor Bruxo
Anjos da Noite
Anjos do Arrabalde
Arizona Nunca Mais
Armados e Perigosos
Assassinato nos Estados Unidos
Assim é a Vida
Ataque, O
Aventureiros do Fogo, Os
Baixo Gávea
Bela Adormecida, A
Berlin Affair
Besame Mucho
Betty Blue – 37,2º de Manhã
Braddock 2 – O Início da Missão
Branca de Neve e os Sete Anões
Brasa Adormecida
Brincando com Fogo
Bruxas de Eastwick, As
Calafrio
Caminhos Violentos
Camorra
Cangaceiro Trapalhão, O
Casa do Espanto 2, A
Casa do Espanto, A
Chico Rei
Chuva de Chumbo
Click! A Máquina do Amor
Clube Paraíso
Comando de Ataque
Comboio do Terror, O
Companhia dos Lobos, A
Confissões de um Adolescente
Conta Comigo
Contos Assombrosos
Cor do Dinheiro, A
Cor do Seu Destino, A
Coração Satânico
Coronel Redl
Crack: Conexão da Morte
Criador
Crimes do Coração
Crocodilo Dundee
Curtindo a Vida Adoidado
Dança dos Bonecos, A
Dançando com um Estranho
De Volta às Aulas
Declínio do Império Americano, O
Desejo de Matar 3
Destemido Senhor da Guerra, O
Detrás das Grades
Diabo no Corpo
Difícil Arte de Amar, A
Divórcio Complicado, Um
Dois Policiais em Apuros
Duas Vidas de Mattia Pascal, As
Ele, o Boto
Encontro às Escuras
Era do Rádio, A
Eu
Execução Sumária
Exterminador do Século 23, O
Exterminador Implacável, O
Falcão – O Campeão dos Campeões
Fantasmas Trapalhões, Os
Fievel – Um Conto Americano
Filhos do Silêncio, Os
Filme Demência
Fonte da Saudade
Fulaninha
Garota de Trieste, A
Garoto que Podia Voar, O
Guerra do Brasil
Henrique 4
Highlander, o Guerreiro Imortal
História de O – Parte 2, A
Hora da Zona Morta, A
Hora das Criaturas, A
Hóspede do Barulho, Um
Ilusionista, O
Instinto Devasso
Intocáveis, Os
Invasores de Marte
Janela para o Amor, Uma
Janela Suspeita, Uma
Jornada nas Estrelas 4 – A Volta para a Terra
Jubiabá
Keruak – O Exterminador de Aço
La Bamba
Ladrona, A
Leila Diniz
Limite da Traição, O
Loucademia de Polícia 4
Lua de Mel Assombrada
Maldição de Samantha, A
Malone
Mandroid, o Exterminador
Manequim
Manhã Seguinte, A
Maquina Mortífera
Massacre da Serra Elétrica 2, O
Memórias de um Espião
Meu Marido de Batom
Minha Doce Motorista
Missão Ninja, A
Missão, A
Mistério da Viúva Negra, O
Momentos Decisivos
Mona Lisa
Morrer Mil Vezes
Mosca, A
Mulher do Chefe, A
Nada em Comum
Ninja – Programado para Matar
Noite
Noite Alucinante, Uma
Noite das Brincadeiras Mortais, A
Noite de Desamor
Noite dos Arrepios
Nome da Rosa, O
Onze para o Inferno
Otello
País dos Tenentes, O
Pânico em Kilimanjaro
Peggy Sue – Seu Passado a Espera
Pelotão de Guerra
Pequena Loja de Horrores, A
Perigosamente Juntos
Pesadelo 2 – A Vingança de Freddy
Piratas
Platoon
Por Favor, Matem Minha Mulher
Por Volta da Meia-Noite
Predador, O
Projeto Secreto – Macacos
Quadrilha da Mão, A
Que Sorte Danada
Quicksilver – O Prazer de Ganhar
Rapto do Menino Dourado, O
Re-Animator – A Volta dos Mortos-Vivos
Regresso para Bountiful, O
Resgate Infernal
RoboCop – O Policial do Futuro
Rockmania
Romance de Murphy, O
Salve-me Quem Puder
Sede de Amar
Segredo do Meu Sucesso, O
Selvagem da Motocicleta, O
Sem Perdão
Sem Tempo para Morrer
Sexo Frágil
Sexta-Feira 13 – Parte 6 – O Túmulo do Horror
Show de Horrores
Sobre Ontem à Noite
Somente Entre Amigas
Super-Homem 4: Em Busca da Paz
Terror no Espaço
Tira da Pesada 2, Um
Tomara Que Seja Mulher
Tornado – A Missão Continua
Totalmente Selvagem
Transformers – O Filme
Trapalhões no Auto da Compadecida, A
Trem para as Estrelas, Um
Tremenda Confusão, Uma
Três Amigos
Três Solteirões e um Bebê
Troll, o Mundo do Espanto
Tubarão 87 – A Vingança
Turma da Mônica e o Bicho Papão, A
Últimos Durões, Os
Ursinhos Carinhosos 2
Urubus e Papagaios
Veludo Azul
Vera
Verão Vermelho
Violetas São Azuis, As
Visão do Terror, A
Vitória dos Mais Fracos, A
Vozes do Além
Warbus – Ônibus de Guerra

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Oscar 2016: primeiras apostas e especulações

Oscar 2016

Enquanto você está aí, em frente ao computador, Hollywood ferve. A batalha pelo Oscar 2016 começou no dia seguinte à vitória de Birdman no Fuji Theatre. De um lado, os estúdios começam a eleger seus favoritos, empurrando suas estreias para o fim do ano, para que os filmes sejam mais facilmente lembrados por críticos e pela Academia. Do outro, blogues, sites e jornalistas especializados dão seus tiros no escuro, usando perfis, assinaturas e star powers para determinar quem tem chances na disputa do ano que vem mesmo sem ter visto os filmes. Muitos ainda nem ficaram prontos. A movimentação, ao longo dos próximos meses, termina provocando um buzz que, em maior ou menor grau, influencia a corrida.

Neste ano, grandes jogadores voltam ao embate. Steven Spielberg se reúne com Tom Hanks no drama de guerra Bridge of Spies, enquanto David O. Russell reprisa a parceria com Jennifer Lawrence e Bradley Cooper em Joy. Todd Haynes dirige Cate Blanchett em Carol e Leonardo DiCaprio estreia sob a batuta de Alejandro Gonzalez Iñarritu em The Revenant. O indie do ano promete ser Brooklyn, com Saoirse Ronan, mas Quentin Tarantino entrega seu novo filme, The Hateful Eight. Gus Van Sant visita a floresta dos suicidas com Matthew McConaughey em The Sea of Trees e Michael Fassbender vive Steve Jobs no filme de mesmo título, assinado por Danny Boyle. Só pra começar.

Com tanta gente de peso envolvida, vale a pena lançar as primeiras apostas sobre o Oscar do ano que vem. Tudo no escuro. Mais uma divertida tentativa de antecipar os passos da Academia. No decorrer do ano, uns vão subir, outros sumir, novos jogadores aparecerão e alguns filmes serão adiados pro ano que vem. Minhas primeiras apostas são estas aqui.

filme

minhas apostas

Bridge of Spies, Steven Spielberg
Brooklyn, John Crowley
Carol, Todd Haynes
The Hateful Eight, Quentin Tarantino
Joy, David O. Russell
Our Brand is Crisis, David Gordon Green
The Revenant, Alejandro Gonzalez Iñarritu
The Sea of Trees, Gus Van Sant
A Travessia, Robert Zemeckis

no páreo: Beasts of No Nation, Cary Fukunaga; The Danish Girl, Tom Hooper; Demolition, Jean-Marc Vallee; O Coração do Mar, Ron Howard; Suffragette, Sarah Gavron.

direção

minhas apostas

Alejandro González Iñárritu, The Revenant
Gus Van Sant, The Sea of Trees
John Crowley, Brooklyn
Steven Spielberg, Bridge of Spies
Todd Haynes, Carol

no páreo: Cary Fukunaga, Beasts of No Nation; David Gordon Green, Our Brand is Crisis; David O. Russell, Joy; Quentin Tarantino, The Hateful Eight; Tom Hooper, The Danish Girl.

ator

minhas apostas

Bryan Cranston, Trumbo
Eddie Redmayne, The Danish Girl
Jake Gyllenhaal, Demolition
Leonardo DiCaprio, The Revenant
Michael Fassbender, Steve Jobs

no páreo: Ian McKellen, Mr. Holmes; Joaquin Phoenix, Irrational Man; Matthew McConaughey, The Sea of Trees; Tom Courtenay, 45 Years; Tom Hanks, Bridge of Spies.

atriz

minhas apostas

Cate Blanchett, Carol
Charlotte Rampling, 45 Years
Jennifer Lawrence, Joy
Lily Tomlin, Grandma
Saoirse Ronan, Brooklyn

no páreo: Carey Mulligan, Suffragette; Marion Cotillard, Macbeth; Meryl Streep, Ricky and the Flash; Naomi Watts, Demolition; Sandra Bullock, Our Brand Is In Crisis.

ator coadjuvante

minhas apostas

Cillian Murphy, O Coração do Mar
Idris Elba, Beasts Of No Nation
Ken Watanabe, The Sea of Trees
Mark Rylance, Bridge of Spies
Tom Hardy, The Revenant

no páreo: Chris Cooper, Demolition; Emory Cohen, Brooklyn; Forest Whitaker, Southpaw; Jesse Eisenberg, The End of the Tour; Samuel L. Jackson, The Hateful Eight.

atriz coadjuvante

minhas apostas

Amy Ryan, Bridge of Spies
Diane Ladd, Joy
Helena Bonham Carter, Suffragette
Julie Walters, Brooklyn
Rooney Mara, Carol

no páreo: Helen Mirren, Trumbo; Jennifer Jason Leigh, The Hateful Eight; Melissa Leo, Snowden; Meryl Streep, Sufragette; Naomi Watts, The Sea of Trees.

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Força Maior

Força Maior

O instinto de sobrevivência tirou Tomas da mesa naquele almoço na estação de esqui. Uma reação instantânea ao medo da morte que custou a ele a confiança de sua família. Afinal, o que nos move?, questiona o cineasta Ruben Östlund. O protagonista de Força Maior precisa arcar com as consequências de ter agido por impulso num momento de perigo. O filme coloca Tomas no meio de um dilema que ele tenta evitar a qualquer modo. Ele acha o que aconteceu tão inconcebível que nega sua atitude de autopreservação não apenas para os outros, mas para si mesmo. A força maior do filme de Östlund não é a natureza, mas a natureza humana. E o diretor nos enche de perguntas e reflexões. Retirados todos os construtos da sociedade, o que sobra na nossa essência? Como lidar com o animal que guardamos dentro de nós?

É tão devastador perceber o quão primitiva é nossa alma que a Tomas sobra apenas a possibilidade de ficcionalizar a vida. Suas tentativas de colocar panos quentes no problema parecem ações desesperadas de homem que olhou para dentro de si mesmo e viu algo que não gostaria de ver. O debate moral é a base do trabalho de Östlund e o sueco se revela um ótimo manipulador de ânimos. Ao espectador é dado a incômoda tarefa de escolher um lado. Da mesma maneira que o ato de “covardia” gera repulsa, o medo do protagonista de perder tudo aquilo que construiu pede compaixão. O cineasta constrói o trauma da personagem nos moldes do melodrama familiar gélido como manda a tradição escandinava, mas talvez apresente tantos “finais” antes da solução que encontra para a trama que o desfecho, que parece servir para empatar as coisas para o marido, diminui um pouco o impacto da discussão. Mas o estrago na relação com a esposa, com os filhos e com ele mesmo já está feito.

Força Maior EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Force Majeure, Ruben Östlund, 2014]

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A História da Eternidade

A História da Eternidade

As mesas de almoço são fartas em A História da Eternidade. O sertão do filme de Camilo Cavalcante é tão árido quantos os outros sertões da ficção, mas não é a fome ou a miséria que está em questão. O longa fala de um certo peso ancestral que cai sobre os ombros dos moradores dos confins do Nordeste brasileiro. Nesse sentido, o diretor traz uma visão um tanto mística sobre essas pessoas, como se elas fossem condenadas pelo destino, amaldiçoadas pela inevitabilidade da tragédia. Não por acaso, as três protagonistas das histórias entrelaçadas que costuram o filme são mulheres, o que acentua sua sina de sofrimento.

Cada uma começa o filme com um martírio: Querência enfrenta a perda; Das Dores encara a solidão; Alfonsina padece com a falta de perspectivas. No decorrer de duas horas, Cavalcante irá ajudar a escrever o destino destas três mulheres, incorporando fatalidades recorrentes ao microcosmo sertanejo, fantasmas que assombram este povo geração atrás de geração. É verdade que o diretor abusa de uma poesia calculada em vários momentos do filme. A personagem de Irandhir Santos estrela vários deles e parece uma figura improvável naquele contexto de conhecimento limitado. Mas os excessos do papel e do próprio filme ajudam a entregar algumas cenas memoráveis, como a bela recriação de “Fala”, dos Secos & Molhados. Uma epifania em meio a uma história com os pés no chão.

Talvez os abusos de Cavalcante, um estreante em longas-metragens que traz uma nova perspectiva ao prolífico cinema pernambucano, talvez estes abusos sejam exatamente isso, epifanias, momentos de liberdade poética extremos no meio de um filme tão fatalista. Por isso mesmo, o excesso parece encontrar um espaço adequado nessa reflexão sobre a “Grande Tragédia do Sertão”. Não bastasse, Camilo Cavalcante cria uma lindíssima cena final. Uma cena em que declara seu carinho pelas três personagens principais, curando Querência, confortando Das Dores e libertando Alfonsina.

A História da Eternidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[A História da Eternidade, Camilo Cavalcante, 2014]

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Oscar 2015: why so serious?

Birdman

Deveria ter sido o Oscar mais emocionante em muito tempo, com disputas acirradas em boa parte das categorias: filme, diretor, ator, roteiros pra ficar somente nas principais, mas a festa deste ano foi bem maçante. Neil Patrick Harris começou muito bem no número de abertura, mas ficou pequeno e sem graça ao longo da noite, com poucos momentos inspirados, com exceção da corrida de Birdman, da leitura de suas previsões e da piada com John Travolta. Mas, mais do que o apresentador, havia um clima excessivamente sério no ar. Todo mundo parecia tentar encorpar seus momentos, seja nas lágrimas que rolaram soltas durante a apresentação de “Glory” (todo mundo chorando, mas cadê a diretora e o ator entre os indicados?), seja nos discursos de Eddie Redmayne, Julianne Moore, levando para fora do cinema os méritos por suas vitórias, ou Patricia Arquette, Graham Cooper e Johh Legend, tentando amplificar o efeito delas.

O prêmio da Academia, como qualquer outra coisa, reflete o tempo e o mundo em que vivemos, mas coincidentemente também é um prêmio de melhores do ano. Arbitrário e maneirista como qualquer prêmio de melhores do ano, inclusive os de festivais como Cannes e Berlim, que geralmente são apontados como reservas morais perto do Oscar. Então, esse maniqueísmo para tentar causar comoção – que me parece inerente e até automático ao Oscar, como se os premiados se sentissem obrigados a se explicar por ganhar – é completamente indevido. Talvez mais autêntico seja Alejandro Gonzalez Iñarritu, que fala em “arte verdadeira” quando Birdman leva o prêmio por seu roteiro original. A arrogância do cineasta pelo menos mostra que ele acredita e quer vender seu peixe, seu filme, seu “talento”.

Birdman não é ruim, mas seu discurso é. Mas isso realmente importa? Por quanto tempo dura um Oscar de melhor filme? Um ano? Alguns meses? O longa do Homem Pássaro foi eleito pela Academia como o melhor do ano, mas será que ele será o filme que entra para a História? E, por outro lado, será que um filme precisa entrar para a História? Se um dos indicados deste ano tem esse poder, certamente será Boyhood porque, diante de muitas biografias e pequenas histórias, ele e talvez O Grande Hotel Budapeste são os mais únicos. O filme de Richard Linklater, que merecia muito mais ter levado os dois prêmios principais do que o de Iñarritu, ficou marcado apenas por seus 12 anos de serviços, como se não fosse um retrato delicado do americano médio, do sonho americano em sua versão realidade.

A escolha de Birdman reprisa de certa forma a de Crash, oito anos atrás. Enquanto um supostamente desnuda Hollywood e suas figuras de cera, o outro tira a máscara de Los Angeles, a cidade do cada um por si. Premiar o filme de Inãrritu parece um voto político, de protesto, quando na verdade não se observou bem todas as nuances do filme. Mais estranho ainda é que este filme ganhe na categoria principal, em direção, roteiro original e fotografia, mas não consiga vender seu protagonista, Michael Keaton, que literalmente personifica o personagem criado pelo mexicano. Mas é preciso lembrar que a Academia geralmente considera os comebacks como café-com-leite, como fez com Mickey Rourke em O Lutador. Uma indicação já é vista como prêmio suficiente. Keaton perdeu para a caricatura bem feita de Redmayne num filme medíocre. Birdman, pelo menos, é um filme mais ousado.

Entre as atrizes, levou Julianne Moore, por Para Sempre Alice, que merecia ter ganho por Boogie Nights, Fim de Caso, Longe do Paraíso e As Horas. E por Magnolia, A Salvo, Tio Vânia em Nova York e A Fortuna de Cookie, pelos quais ela nem foi indicada. É a prática de premiar o conjunto da obra somado a uma isca que o Oscar adora, os filmes de doença. Mas é a Julianne e o conjunto estava fraco, exceto Marion Cotillard e Rosamund Pike. Patricia Arquette foi um prêmio merecido numa categoria fraca, atriz coadjuvante, onde só Emma Stone merecia alguma atenção. E olha que muita gente ficou de fora. J.K. Simmons, por sua vez, estava numa categoria disputada (ator coadjuvante), mas seu histórico de vitórias como ator coadjuvante o deixou numa liderança isolada.

No fim das contas, se Birdman ganhou quatro prêmios, O Grande Hotel Budapeste também levou quatro, inclusive trilha sonora, e as coisas ficam mais equilibradas. Wes Anderson fez um filme leve, doce, autorreferente e referente a um cinema que ficou na memória. Como Boyhood, deve entrar mais fácil para a História. Whiplash, triplamente premiado, é um caso mais à parte, mas merece toda a atenção. Ida venceu entre os estrangeiros porque a trilogia europeu, preto-e-branco, Segunda Guerra conta mais do que as profundezas da Rússia em Leviatã ou as pontualidades de Timbuktu, Tangerines e Relatos Selvagens.

Operação Big Hero ganhou de Como Treinar Seu Dragão 2 no que era uma das únicas quase-surpresas da noite. E Uma Aventura LEGO, que o Oscar nem indicou, rendeu o número musical mais divertido entre as indicadas a melhor canção. “Everything is Awesome” deixou o desafinado Adam Levine no chinelo – e olha que ele tinha uma música bem melhor -, mas não emocionou tanto quanto “Glory”, da qual a gente já falou. No entanto, foi justamente Lady Gaga, o patinho feio do ano, quem brilhou no palco, cantando “The Sound of Music”, e passando a bola para a incrível Julie Andrews, 80 anos neste ano. Idina Menzel voltou ao Oscar para garantir a piada com John Travolta, prêmio de pior maquiagem da festa (a melhor foi a do Capitão América, que estava com um lápis forte nos olhos). Valeu a piada. Foi a segunda melhor da noite. Só perdeu para a vitória de O Jogo da Imitação em roteiro adaptado. Ah, não era piada, o rapaz até disse que tentou se matar e que agora estava ali, ganhando um Oscar. Quis inspirar.

Por outro lado, o plano de Edward Snowden deu certo e Citizenfour foi o premiado na categoria de documentário. O timing faz do filme melhor do que ele é. Sniper Americano faturou mais de U$ 300 milhões, mas terminou com um prêmio solitário para edição de som, o que mostra que seu tema polêmico não conquistou Hollywood em cheio. Interestelar ganhou em efeitos visuais, só para empatar com 2001, em que ele mira antes de acertar no poder do amor. Idiossincrasias à parte, esse Oscar da disputa acirrada se revelou um dos mais óbvios dos últimos doze anos. Doze? Não, este aí é outro filme. Um muito melhor. Este, sim, bateu asas e voou sem precisar de ajuda.

Filme: Birdman
Direção: Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman
Ator: Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Atriz: Julianne Moore, Para Sempre Alice
Ator coadjuvante: J.K. Simmons, Whiplash
Atriz coadjuvante: Patricia Arquette, Boyhood
Roteiro original: Birdman
Roteiro adaptado: O Jogo da Imitação
Filme estrangeiro: Ida
Filme de animação: Operação Big Hero
Fotografia: Birdman
Montagem: Whiplash
Direção de arte: O Grande Hotel Budapeste
Figurinos: O Grande Hotel Budapeste
Maquiagem: O Grande Hotel Budapeste
Trilha sonora: O Grande Hotel Budapeste
Canção: “Glory”, Selma
Mixagem de som: Whiplash
Edição de som: Sniper Americano
Efeitos visuais: Interestelar
Documentário: CITIZENFOUR
Documentário curta: Crisis Hotline: Veterans Press 1
Curta de ação: The Phone Call
Curta de animação: O Banquete

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Oscar 2015: minhas apostas e preferências

É muito mais divertido imaginar quem serão os indicados ao Oscar do que prever os vencedores da festa da Academia. Primeiro, porque muitos dos melhores filmes do ano jamais teriam condição de virar candidatos com chances de vitória, então, é muito mais interessante perceber como esses outsiders entram nessa disputa dos “grandes” e como a temporada de prêmios influencia em quem será finalista. Apostar nos ganhadores é mais fácil, muitas vezes óbvio e as opções que restam são tão menos instigantes que  brincadeira perde parte da graça. No entanto, é preciso ir até o final, então, preparei este post com minhas últimas apostas para o Oscar (só pulei os curtas). Decifrando:

num mundo provável: o filme que eu acho que tem mais chances de ganhar.
num mundo possível: o filme que pode tirar o prêmio do favorito.
num mundo perfeito: o filme indicado em que eu votaria.
em outra dimensão: o filme que merecia ganhar, mas não foi indicado.

Filme

filme

Birdman, Alejandro Gonzalez Iñarritu
Boyhood, Richard Linklater
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson
O Jogo da Imitação, Morten Tyldum
Selma, Ava DuVernay
Sniper Americano, Clint Eastwood
A Teoria de Tudo, James Marsh
Whiplash, Damien Chazelle

num mundo provável: Birdman
num mundo possível: Boyhood
num mundo perfeito: Boyhood
em outra dimensão: Era Uma Vez em Nova York

direção

direção

Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman
Bennett Miller, Foxcatcher
Morten Tyldum, O Jogo da Imitação
Richard Linklater, Boyhood
Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste

num mundo provável: Richard Linklater, Boyhood
num mundo possível: Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman
num mundo perfeito: Richard Linklater, Boyhood
em outra dimensão: James Gray, Era Uma Vez em Nova York

Ator

ator

Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação
Bradley Cooper, Sniper Americano (*)
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Michael Keaton, Birdman
Steve Carell, Foxcatcher

num mundo provável: Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
num mundo possível: Michael Keaton, Birdman
num mundo perfeito: Michael Keaton, Birdman
em outra dimensão: Timothy Spall, Sr. Turner

Atriz

atriz

Felicity Jones, A Teoria de Tudo
Julianne Moore, Para Sempre Alice
Marion Cotillard, Dois Dias, Uma Noite
Reese Witherspoon, Livre
Rosamund Pike, Garota Exemplar

num mundo provável: Julianne Moore, Para Sempre Alice
num mundo possível: Reese Witherspoon, Livre
num mundo perfeito: Marion Cotillard, Dois Dias, Uma Noite
em outra dimensão: Marion Cotillard, Era Uma Vez em Nova York

Ator coadjuvante

ator coadjuvante

Edward Norton, Birdman
Ethan Hawke, Boyhood
J.K. Simmons, Whiplash
Mark Ruffalo, Foxcatcher
Robert Duvall, O Juiz

num mundo provável: J.K. Simmons, Whiplash
num mundo possível: Edward Norton, Birdman
num mundo perfeito: Ethan Hawke, Boyhood
em outra dimensão: Robert Pattinson, The Rover – A Caçada

Atriz coadjuvante

atriz coadjuvante

Emma Stone, Birdman
Keira Knightley, O Jogo da Imitação
Laura Dern, Livre
Meryl Streep, Caminhos da Floresta
Patricia Arquette, Boyhood

num mundo provável: Patricia Arquette, Boyhood
num mundo possível: Emma Stone, Birdman
num mundo perfeito: Patricia Arquette, Boyhood
em outra dimensão: Rene Russo, O Abutre

Foxcatcher

roteiro original

O Abutre, Dan Gilroy
Birdman, Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris & Armando Bo
Boyhood, Richard Linklater
Foxcatcher, E. Max Frye & Dan Futterman
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson & Hugo Guinness

num mundo provável: O Grande Hotel Budapeste
num mundo possível: Birdman
num mundo perfeito: Foxcatcher
em outra dimensão: Leviatã

Whiplash

roteiro adaptado

O Jogo da Imitação, Graham Moore
Sniper Americano, Jason Dean Hall
A Teoria de Tudo, Anthony McCarten
Vício Inerente, Paul Thomas Anderson
Whiplash, Damien Chazelle

num mundo provável: Whiplash
num mundo possível: O Jogo da Imitação
num mundo perfeito: Whiplash
em outra dimensão: Planeta dos Macacos: O Confronto

filme de animação

Os Boxtrolls, Graham Annable & Anthony Stacchi
Como Treinar Seu Dragão 2, Dean DeBlois
O Conto da Princesa Kaguya, Isao Takahata
Operação Big Hero, Don Hall & Chris Williams
Song of the Sea, Tomm Moore

num mundo provável: Como Treinar Seu Dragão 2
num mundo possível: Operação Big Hero
num mundo perfeito: O Conto da Princesa Kaguya
em outra dimensão: Uma Aventura LEGO

Leviatã

filme estrangeiro

Ida (Polônia)
Leviatã (Rússia)
Relatos Selvagens (Argentina)
Tangerines (Estônia)
Timbuktu (Mauritânia)

num mundo provável: Ida (Polônia)
num mundo possível: Relatos Selvagens (Argentina)
num mundo perfeito: Leviatã (Rússia)
em outra dimensão: E Agora? Lembra-me (Portugal)

Ida

fotografia

Birdman, Emmanuel Lubezki
O Grande Hotel Budapeste, Robert D. Yeoman
Ida, Ryszard Lenczewksi & Lukasz Zal
Invencível, Roger Deakins
Sr. Turner, Dick Pope

num mundo provável: Birdman
num mundo possível: Ida
num mundo perfeito: Sr. Turner
em outra dimensão: Sob a Pele

Boyhood

montagem

Boyhood, Sandra Adair
O Grande Hotel Budapeste, Barney Pilling
O Jogo da Imitação, William Goldenberg
Sniper Americano, Joel Cox, Gary Roach
Whiplash
, Tom Cross

num mundo provável: Boyhood
num mundo possível: O Grande Hotel Budapeste
num mundo perfeito: Whiplash
em outra dimensão: Garota Exemplar

O Grande Hotel Budapeste

desenho de produção

Caminhos da Floresta, Dennis Gassner & Anna Pinnock
O Grande Hotel Budapeste, Adam Stockhausen
Interestelar, Nathan Crowley, Gary Fettis & Paul Healy
O Jogo da Imitação, Maria Djurkovic
Sr. Turner, Suzie Davies & Charlotte Watts

num mundo provável: O Grande Hotel Budapeste
num mundo possível: Caminhos da Floresta
num mundo perfeito: O Grande Hotel Budapeste
em outra dimensão: Guardiões da Galáxia

Malévola

figurinos

Caminhos da Floresta, Colleen Atwood
O Grande Hotel Budapeste, Milena Canonero
Malévola, Anna B. Sheppard
Sr. Turner, Jacqueline Durran
Vício Inerente, Mark Bridges

num mundo provável: O Grande Hotel Budapeste
num mundo possível: Sr. Turner
num mundo perfeito: O Grande Hotel Budapeste
em outra dimensão: Era Uma Vez em Nova York

Guardiões da Galáxia

maquiagem

Foxcatcher
O Grande Hotel Budapeste
Guardiões da Galáxia

num mundo provável: O Grande Hotel Budapeste
num mundo possível: Foxcatcher
num mundo perfeito: Guardiões da Galáxia

em outra dimensão: Malévola

Interestelar

trilha sonora

O Grande Hotel Budapeste, Alexandre Desplat
Interestelar, Hans Zimmer
O Jogo da Imitação, Alexandre Desplat
Sr. Turner, Gary Yearshon
A Teoria de Tudo, Jóhann Jóhannsson

num mundo provável: A Teoria de Tudo
num mundo possível: O Grande Hotel Budapeste
num mundo perfeito: O Grande Hotel Budapeste
em outra dimensão: Sob a Pele

Uma Aventura Lego

canção

“Everything is Awesome” (Shawn Patterson, Joshua Bartholomew, Lisa Harriton, The Lonely Island), Uma Aventura LEGO
“Glory” (John Legend & Common), Selma
“Grateful” (Diane Warren), Além das Luzes
“I’m Not Gonna Miss You” (Glen Campbell), Glen Campbell: I’ll Be Me
“Lost Stars” (Gregg Alexander, Danielle Brisebois, Nick Lashley, Nick Southwood), Mesmo Se Nada Der Certo

num mundo provável: “Glory”, Selma
num mundo possível: “I’m Not Gonna Miss You”, Glen Campbell: I’ll Be Me
num mundo perfeito: “Lost Stars”, Mesmo Se Nada Der Certo em outra dimensão: “Let Me In”, A Culpa é das Estrelas

Birdman

mixagem de som

Birdman, Jon Taylor, Frank A. Montaño & Thomas Varga
Interestelar, Gary A. Rizzo, Gregg Landaker & Mark Weingarten
Invencível, Jon Taylor, Frank A. Montaño & David Lee
Sniper Americano, John Reitz, Gregg Rudloff & Walt Martin
Whiplash, Craig Mann, Ben Wilkins & Thomas Curley

num mundo provável: Whiplash
num mundo possível: Sniper Americano
num mundo perfeito: Whiplash
em outra dimensão: Garota Exemplar

Interestelar

edição de som

Birdman, Martín Hernández & Aaron Glascock
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, Brent Burge & Jason Canovas
Interestelar, Richard King
Invencível, Becky Sullivan & Andrew DeCristofaro
Sniper Americano, Alan Robert Murray & Bub Asman

num mundo provável: Sniper Americano
num mundo possível: Birdman
num mundo perfeito: Sniper Americano
em outra dimensão: Sob a Pele

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

efeitos visuais

Capitão América: O Soldado Invernal, Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill & Dan Sudick
Guardiões da Galáxia, Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner & Paul Corbould
Interestelar, Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter & Scott Fisher
Planeta dos Macacos: O Confronto, Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett & Erik Winquist
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie & Cameron Waldbauer

num mundo provável: Interestelar
num mundo possível: Planeta dos Macacos: O Confronto
num mundo perfeito: Planeta dos Macacos: O Confronto
em outra dimensão: Godzilla

Life Itself

documentário

CITIZENFOUR, Laura Poitras
A Fotografia Oculta de Vivian Maier, John Maloof & Charlie Siskel
Last Days in Vietnam, Rory Kennedy
O Sal da Terra, Juliano Ribeiro Salgado & Wim Wenders
Virunga, Orlando von Einsiedel

num mundo provável: CITIZENFOUR
num mundo possível: Virunga
num mundo perfeito: CITIZENFOUR
em outra dimensão: Elena

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A esquizofrenia do Oscar

Oscar

Existe uma certa esquizofrenia na maneira como a maioria das pessoas lida com o Oscar. É extremamente comum ouvir críticas ao prêmio por sua arbitrariedade, caretice ou suas escolhas erradas. Mas talvez seja ainda mais costumeiro escutar alguém dizer que “o filme A é muito bom, mas não para ganhar o Oscar”. Ou seja, muitas vezes as mesmas pessoas que criticam o prêmio da Academia acreditam, lá no fundo, que ele é mesmo o reconhecimento máximo do cinema. Vejamos bem, o Oscar é um prêmio norte-americano, criado nos anos 1920 para dar um certo status a uma arte que era considerada mera diversão. Ajudou a dar estofo para o cinema, mas nunca deixou de ser uma láurea da indústria. E da indústria norte-americana.

Faz-se muitas listas com as injustiças do Oscar como se o prêmio fosse resultado dos méritos dos candidatos e não o ápice de um imenso processo – cada vez mais de conhecimento público – que envolve muitos outros elementos (festas para lançar os filmes, anúncios, envio de DVDs para quem vota na Academia, sessões especiais, prêmios de críticos e da indústria). É muito ingênuo falar do “absurdo” do filme x perder pro filme y quando na corrida daquele ano, no contexto daquele ano, o filme x não tinha a menor chance de ganhar. Cada edição do Oscar reflete os doze meses anteriores à festa e, muitas vezes, esses doze meses negam o ano anterior.

O Oscar não evolui ou involui em suas escolhas como muita gente quer determinar. Ele acerta ou erra (e isso é bem subjetivo) a cada ano. Anna Paquin ganhou seu primeiro Oscar aos 11 anos, enquanto Peter O’Toole e Richard Burton foram indicados várias vezes ao longo de suas longas carreiras e nunca levaram um prêmio. Nada disso foi planejado. Talvez a Academia apenas tenha achado que esses dois grandes atores nunca foram os melhores em cada ano em que estiveram na disputa. Do mesmo jeito que Meryl Streep foi indicada 19 vezes não apenas porque ela é uma ótima atriz, mas porque a própria lenda que se criou em torno de sua história no Oscar deixa mais fácil para os integrantes da Academia, gente que ao contrário dos críticos não é paga para ver filmes, sempre a considerarem já que ela sempre está ali, dando sopa.

Os prêmios dos críticos que vêm antes do Oscar são muito importantes porque esses, sim, recebem para ver filmes e dizer que qualidades ou não vêem neles. E ajudam a nortear quem está ou não valendo naquele ano. Só que ao longo dos anos, essas premiações criam suas próprias histórias e as “injustiças” de nunca terem premiado esse ou aquele ator no Oscar nem sempre se repetem nos outros prêmios, que têm outras dinâmicas. E aí, as influências mudam. E a Academia decide por si. Quando alguém ganha um Oscar pelo “conjunto da obra”, como deve acontecer com a Julianne Moore neste ano, sem demérito porque é uma boa interpretação, talvez conte mais o fato dela, uma atriz respeitadíssima, ter sido indicada quatro vezes antes e nunca ter ganho do que sua performance em si. Curioso que Julianne deve ganhar e todo mundo provavelmente vai achar merecido, inclusive eu, pelas razões erradas: ela é uma grande atriz e merece ter um Oscar, independentemente do papel, do filme.

Então, é meio maluco que ao mesmo tempo em que se critique o Oscar pelo conformismo, tradicionalismo, intervenção dos estúdios, campanhas de marketing acima da qualidade dos concorrentes, cite-se essas justiças e injustiças como se o Oscar tivesse acertado ou falhado nesses momentos. Afinal, o Oscar é normalmente justo e erra às vezes, justificando listas de injustiças? Ou o Oscar é um prêmio conceitualmente equivocado que de vez em quando premia quem realmente merece? Falta uma coerência aí. Eu realmente espero que Boyhood ganhe o Oscar porque eu gosto muito do filme e ficaria feliz em vê-lo premiado. Mas entendo se Birdman vencer porque conversa mais com anseios da indústria de cinema. Só não vou sair falando da grande injustiça que a Academia cometeu porque as coisas não são tão simples assim.

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