Truman

Truman

Assim como Já Sinto Saudades, de Catherine Hardwicke, que chegou aos cinemas no fim do ano passado, Truman, do catalão Cesc Gay, tenta olhar para seu protagonista doente sem comiseração. Um dos trunfos do filme é apontar o foco para o momento de descoberta da gravidade do problema em vez de mostrar o processo gradativo de sofrimento da personagem. Truman também é uma aposta segura, um “filme de Ricardo Darín”, quase um subgênero cinematográfico (pelo menos, no Brasil) que passeia pelo agridoce com muito humor e algumas delicadezas para agradar um público mais velho que geralmente associa esse tipo de filme a uma obra de arte. Embora mantenha a sobriedade e o equilíbrio durante um bom tempo, Gay comete alguns deslizes melosos aqui e ali, como na cena em que o protagonista chama os amigos para fazer uma “grande revelação”. O resultado fica fragilizado, mas ainda é honesto. A química entre Darín e Javier Cámara, de Fale com Ela, funciona muito bem. Dolores Fonzi, que tem o único papel feminino de destaque no filme, bem boa, também o polêmica Paulina.

Truman EstrelinhaEstrelinha½
[Truman, Cesc Gay, 2015]

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Sinfonia da Necrópole

Sinfonia da Metrópole

O horror sempre foi material de trabalho para Juliana Rojas. Os elementos fantásticos e sobrenaturais estão presentes em praticamente todos seus curtas e em seu longa de estreia, Trabalhar Cansa, codirigido pelo parceiro de sempre, Marco Dutra. O que ninguém imaginava é que em seu primeiro trabalho solo, Juliana fosse usar o terror apenas como ambientação para fazer um musical. Sinfonia da Necrópole é um filme único no cinema brasileiro recente, uma mistura de gêneros que, no olhar particular da diretora, encontrou um formato diferente e bem resolvido. Há um clara evolução na direção de atores, na montagem e no próprio fluxo do roteiro em relação ao longa anterior (assim como no primeiro trabalho solo de Dutra, Quando Eu Era Vivo). As músicas de ambos os filmes, por sinal, foram compostas pelos dois parceiros: melodias bonitas, autorais, de estruturas complexas, com letras cheias de ironia. Elas ajudam Juliana a contar a história do aprendiz de coveiro que é convocado para para fazer o recadastramento de túmulos abandonados no cemitério. À medida em que analisa e ironiza o crescimento urbano e homenageia, inclusive no título, Berlim, Sinfonia da Metrópole, Juliana Rojas encontra uma maneira completamente original de fazer cinema no Brasil.

Sinfonia da Necrópole EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Sinfonia da Necrópole, Juliana Rojas, 2014]

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Zoom

Zoom

Cinema adolescente com roteiro adolescente, piadas adolescentes e uma sensação adolescente de que tudo aquilo é extremamente original. Pedro Morelli tinha feito um trabalho consideravelmente melhor em Entre Nós, que nem era um grande filme, mas pelo menos era mais coeso e bem menos pretensioso. Talvez o pulo para uma produção internacional tenha redimensionado as coisas – pro lado errado. Trabalhar com um elenco estrangeiro e majoritariamente em inglês pode ter influenciado em encontrar uma trama mais truqueira, que reprisa aquela velha máxima das histórias paralelas que têm relação entre si – relação esta que aqui encontrou o pior gancho possível. Mariana Ximenes ficou robótica atuando em inglês e a virada de sua personagem é a mais tosca do filme. Allison Pill, sempre simpática, tenta encontrar algum caminho mais interessante embora sua personagem seja boba demais. O maior acerto é deixar a narrativa de Gael García Bernal toda em animação, mas isso não é suficiente para fortalecer o conjunto.

Zoom Estrelinha
[Zoom, Pedro Morelli, 2015]

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É o Amor

É o Amor

Os protagonistas de É o Amor parecem embriagados. Encharcados de sentimentos tortos e conflituosos, nunca completamente explicados porque não existe muita regra para sentimentos. O contador, sua mulher, seu amante, o amante deste seu amante, todas as personagens do filme parecem completamente apaixonados, mas sem saber exatamente o que fazer com isto. Paul Vecchiali comanda o longa como maestro de uma melodia curta, encantadora e meio maluca, que brinca com a métrica e com a perspectivas das cenas. O diretor, um provocador por natureza, escolhe como uma das personagens principais um ator que teria ganho o César depois de fazer um filme sobre pegação gay, numa claríssima alfinetada ao recente Um Estranho no Lago. Talvez o cineasta não enxergue afeto no drama árido de Alain Guiraudie, talvez prefira encher seus protagonistas de sentimentos conflituosos que deixam seus passos menos prováveis, mais interessantes. Vecchiali volta a dirigir o casal de protagonistas de seu filme anterior, Noites Brancas no Píer, Astrid Adverbe e Pascal Cervo. Mas duas atrizes coadjuvantes roubam as únicas cenas em que aparecem: a mãe de Odile, vivida pela excelente Simone Tassimot, cuja participação musical é encantadora, e a agente de Jean, papel de Mireille Roussel, num momento de comédia que enche o filme de esperança.

É o Amor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[C'est L'amour, Paul Vecchiali, 2015]

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Autorretrato de uma Filha Obediente

Autorretrato de uma Filha Obediente

Dos filmes romenos exibidos em festivais no ano passado, Autorretrato de uma Filha Obediente pode não ser o melhor, mas é certamente o mais surpreendente (embora um western do leste europeu esteja na disputa). Surpreendente por ser dirigido por uma mulher, que entra num mundo bem fechado de Cornelius, Radus e Catalins, e oferece uma visão de mundo mais original e mais radical do que todos eles, e também por apresentar proposta diferente do que se espera do cinema romeno, onde geralmente se parte de um fato (um crime, uma proposta, um mistério) para se fazer uma observação do comportamento daquela sociedade. Ana Lungu concentra as coisas em sua protagonista, uma estudante que nunca vemos realmente estudar, que não trabalha, que sobrevive com a ajuda dos pais, mas se sente livre. Complexa e interessantíssima, sua história não segue um roteiro propriamente dito, mas uma sobreposição de cenas que não têm grande relação entre si, mas que aos poucos dizem para o espectador muito sobre quem é aquela mulher. Sua relação com o pai, um acumulador compulsivo de objetos culturais, renderia uma tese de doutorado, mas no filme rende os diálogos mais deliciosos, amorais e inteligentes diante da verborragia sarcástica do velho.

Autorretrato de uma Filha Obediente EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Autoportretul unei Fete Cuminti, Ana Lungu, 2015]

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A Bruxa

A Bruxa

A Bruxa talvez assuste menos do que deveria, mas o horror que o diretor Robert Eggers procura é outro. Embora o fantástico, o místico, o sobrenatural assombrem as personagens do filme de maneira muito concreta, o terror maior do longa de Eggers é o provocado pelo homem. A história se passa em 1630, na Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, um lugar tomado à força de seus verdadeiros moradores, que tiveram suas terras e seus deuses roubados em troca da truculência de uma cultura e de uma religião que elegem demônios diante do menor motivo. O horror de A Bruxa é o horror de apontar culpados, de ignorar laços familiares, de ignorar o amor em prol de uma fé cega. A família de William é expulsa de uma cidade por questões religiosas, muda-se para um campo ao lado de uma floresta e, num piscar de olhos, o caçula da família, o bebê Sam, desaparece enquanto brincava com a irmã mais velha, Thomasin. Diante de uma situação sem explicação, o luto da família é trocado, literalmente, por uma caça às bruxas, onde sussurros e brincadeiras podem ser mal interpretados. A formação de Eggers é como diretor de arte, então, existe uma preocupação clínica com a reconstituição de época, o desenho de produção, os figurinos e a plástica do filme como um todo, que é impecável, embora resulte num excesso de solenidade e numa frigidez que só é quebrada pelas interpretações. Anya Taylor-Joy e, sobretudo, Harvey Scrimshaw são excelentes. A expressão Katie Dickie, revelada em Game of Thrones, e a voz de trovão de Ralph Ineson ajudam a manter a atmosfera de incertezas. Se o filme não dá os sustos que poderia, aterroriza pela maneira que mostra o ser humano.

A Bruxa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[The Witch, Robert Eggers, 2015]

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Batman v Superman: A Origem da Justiça

Batman v Superman: A Origem da Justiça

O excesso parece ser o fantasma dos filmes baseados nos heróis das DC Comics. Se a escala dos eventos – e, consequentemente, das cenas de ação – era a maior aposta e o maior pecado de O Homem de Aço, esta continuação quer trabalhar numa intensidade ainda maior. É a tentativa de estabelecer de uma vez por todas – e com anos de atraso -, um universo interligado para os personagens da editora no cinema, tentando recuperar o tempo perdido em relação ao extremamente bem-sucedido projeto de sua rival, a Marvel. Mas enquanto a megalomania não enforca os planos capitaneados por Zack Snyder, discípulo do grande culpado por isso tudo, Christopher Nolan, o fã de quadrinhos pode surpreender com um filme cheio de equívocos, mas com belíssimos acertos como Batman v Superman: A Origem da Justiça.

Antes, seria interessante observar que a questão da escala em que os eventos acontecem nesse filme parece ser uma consequência direta do perfil dos principais personagens da editora. Se os nomes fortes da Marvel surgiram nos anos 60, no embalo da contracultura, da luta pelos direitos humanos e no meio de um cenário onde grande parte da população americana era contrária à Guerra do Vietnã, os ícones da DC nasceram durante a Segunda Guerra Mundial, uma época muito mais romantizada, em que heróis como Superman, Batman e Mulher-Maravilha rapidamente se transformaram em símbolos de justiça e liberdade. Os quadrinhos surgiam tanto como arte quanto como indústria e, ao contrário do que aconteceu com a Marvel, que humanizou seus personagens para apostar na identificação com o público, a DC investiu na inspiração. Ela queria deuses e foi isso que criou.

O roteiro de Chris Terrio e David Goyer tem extrema consciência do tipo de material que tem em mãos e, obedecendo o crescendo inaugurado pelos Batmans de Nolan e consolidado na reapresentação do Superman, assinada pelo mesmo Snyder que dirige este novo filme, tem a intenção de ir além, levando os conflitos para um outro nível. Encaixar esses personagens mitológicos num contexto realista, também cortesia dos filmes de Nolan, é um desafio que a dupla cumpre em parte. As cenas de ação são, mais uma vez, longas, exaustivas, excessivamente plastificadas, estreladas por um vilão pouquíssimo carismático, mas ganham um importante aliado no objetivo maior do filme, que já era conhecido por quem acompanha os bastidores desde que o projeto foi anunciado numa convenção de quadrinhos: lançar a semente da Liga da Justiça.

Nesse sentido, as decisões tomadas para o desfecho do filme parecem ter sido as melhores possíveis porque, além de arriscadas, são bastante emocionais, oferecendo um contraponto tão gigantesco quanto a escalada de destruição que vemos nas cenas de ação. Essa preocupação em não deixar o emocional de lado mesmo com as obrigações de blockbuster está espalhada pelo longa, que, além de seguir a história de O Homem de Aço, precisa reintroduzir o homem-morcego nesse novo contexto já que os filmes de Christopher Nolan não tinham compromisso em alimentar um universo compartilhado. A escolha por um Batman mais velho, ousada, que deve muito em corpo e espírito ao herói imaginado por Frank Miller em “O Cavaleiro das Trevas”, deu certo porque explora uma maturidade até então inédita para o personagem no cinema.

A chegada de Terrio parece domar o gosto de Goyer pela grandiloquência, ordena melhor as narrativas paralelas, estabelece com relativo sucesso o clima de conspiração e encontra espaço para desenvolver os personagens. Para se ter uma ideia, as cenas de bastidor são infinitamente superiores às de batalha. E, contrariando todos os prognósticos, Ben Affleck se encaixa muito bem ao papel, numa interpretação surpreendentemente sóbria, com seu vigilante recebendo tratamento em pé de igualdade ao messias humilde de Henry Cavill. O bom mocismo do ator mais uma vez parece bem adequado ao espelho do herói, desta vez mais fiel a sua essência do que no longa de 2013. E, se vemos mais uma releitura da cena clássica em que Bruce Wayne perde os pais, vemos também a exploração de um elo bem interessante entre os dois personagens e que tem a ver com duas figuras elementares em suas formações.

A participação da Mulher-Maravilha, de quem temos uma palhinha bastante razoável, é muito bem resolvida e Gal Gadot não faz feio, o que desperta mais interesse ainda pelo longa solo da personagem que Patty Jenkins dirige para o ano que vem e que parece ser um filme de época. Por outro lado, Jesse Eisenberg abraça forte seu Lex Luthor, mas o tratamento que o personagem recebe do roteiro é meio questionável porque aproxima Luthor das características de outro dos pilares da vilania no universo DC, o Coringa. Em vez do estrategista racional que nas HQs, numa sacada genial, se tornou presidente dos Estados Unidos, temos um psicótico cheio de tiques que Eisenberg defende com competência, mas talvez não da maneira mais correta.

No entanto, o grande problema é que muitas das boas ideias do filme não são levadas a cabo de maneira satisfatória até o final: o duelo entre Batman e Superman parece uma briga de moleques, o truque de Luthor para enganar o Homem de Aço é simples demais e o “grande” vilão de ação do filme transforma o campo de batalha numa interminável sequência digital. Mas há uma coisa que realmente funciona nesse filme e que passa por sentimentos que talvez sejam difíceis de colocar em palavras. A reunião gradual e respeitosa dos três maiores ícones da DC Comics, pela primeira vez juntos num mesmo filme, ao mesmo tempo em que abraça um novo espectador, aponta diretamente para o emocional do leitor dos quadrinhos, remete a uma espécie de origem de tudo. Ou à nova metamorfose de um universo. Ter a consciência de estar presente nesse momento de criação, ainda mais depois de um desfecho tão sentimental, é extremamente recompensador para quem nunca deixou de acreditar em suas lendas.

Batman v Superman: A Origem da Justiça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Batman v Superman: Dawn of Justice, Zack Snyder, 2016]

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Oscar 2016: apostas finais

O Regresso

filme

Brooklyn EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Fox Searchlight)
A Grande Aposta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Paramount)
Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Warner)
Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Fox)
Ponte de Espiões EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Warner)
O Quarto de Jack EstrelinhaEstrelinha (A24)
O Regresso EstrelinhaEstrelinha½ (Fox)
Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Open Road)

esnobados

Divertida Mente (Disney)
Carol (Weinstein)
Os Oito Odiados (Weinstein)
Straight Outta Compton (Universal)

Spotlight começou a temporada em primeiro, ganhando todos os prêmios da crítica. Jornalistas adoraram se ver como mocinhos num filme, coisa realmente rara. Além disso, o tema “importante” e a realização sem firulas reforçam o tom sério do filme. O Oscar já estava praticamente certo quando O Regresso ganhou o Globo de Ouro. Mas o prêmio dos críticos estrangeiros já está meio desgastado enquanto prévia do resultado da Academia e ninguém levava muito a sério a ideia de dar outro Oscar para um filme dirigido pelo mesmo cineasta que ganhou no ano passado. Então, começaram a sair os indicados para os prêmios dos sindicatos e A Grande Aposta estava em todos eles.

Do dia para noite, o filme de Adam McKay, o último a entrar no jogo, tinha virado favorito, condição que se confirmou com a escolha do Sindicato dos Produtores, que o elegeu o melhor do ano. Desde que o Oscar aumentou o número de indicados para melhor filme, os produtores não erram uma. Spotlight ganhou uma sobrevida ao ser escolhido na categoria de melhor elenco do SAG. Desde que aconteceu aquela hecatombe da vitória de Crash no Oscar, criou-se a lenda de que o vencedor do prêmio de elenco do Sindicato dos Atores ganha a estatueta principal da Academia. Não é bem assim, mas o povo tem memória curta. E aí, quando tínhamos dois protagonistas na temporada, O Regresso ganha o DGA. E depois o Bafta de filme e diretor. E o fantasma do Oscar consecutivo parece não assombrar mais ninguém.

É como se a temporada tivesse dado o aval para a Academia premiar Iñarritú e seu filme de novo. Será? A campanha está fortíssima, a votação começou na semana passada, exatamente no momento em que o filme está no auge, mas será que Hollywood não vai achar demais? Será que o quadro de votantes, que ainda não mudou apesar do anúncio da Academia de que vai diversificar seus membros, vai reeleger um diretor mexicano? Ou será que a presença de Leo DiCaprio, a maior barbada do ano, vai dar uma força para o filme? Ou ainda será que a Academia ligou o dane-se e vai comprar melhor campanha, ops, escolher o melhor filme de acordo com o que ela acha mesmo? É bom lembrar que o Globo de Ouro e o Bafta premiaram Boyhood no ano passado. Não tinham esse problema de repetir vencedores.

O fato é que se Spotlight ganhar, vão ter que dar substância a essa vitória. O filme certamente leva roteiro original, mas um melhor do ano se sustenta com só mais um Oscar? A Academia nunca achou isso muito bonito. Mas é difícil pensar numa vitória de Tom McCarthy, cujo trabalho é quase invisível. Teria Mark Ruffalo força para derrubar Stallone (ou Mark Rylance) e se eleger como coadjuvante para que o “filme do ano” tivesse pelo menos três prêmios, que parece ser o mínimo aceitável para um grande vencedor? Com Crash e Argo foi assim. Agora, se “A Grande Aposta” ganhar, o prêmio de filme vai estar escorado num de roteiro adaptado, onde ele é favorito, e possivelmente num de montagem, que é a alma do longa. Mas essa produção pequena, essa comédia um pouco mais séria, tem perfil de Oscar? E de melhor filme?

Os três favoritos têm prós e contras. E os contras de todos são tão fortes que terminou surgindo um boato nos últimos dias: os votos vão se dividir e O Quarto de Jack pode se beneficiar com isso já que tem ousadia e dramaturgia “na medida certa” (ideia geral, não que reflita a opinião do autor deste texto), uma atriz garantida na premiação e, caso se precise, um prêmio extra para o roteiro, derrubando o filme de McKay, já que é baseado num livro bem querido. Não é de todo estranho. Carruagens de Fogo e Conduzindo Miss Daisy já haviam surpreendido anos atrás, mas pode ser especulação demais. O Regresso tem tudo para ganhar o Oscar. Tem um tom épico, uma campanha competente, bastidores que convencem, um número de indicações recorde, o maior astro do mundo e o aval da temporada. Deve ganhar. Só não merece. Minha aposta final vai pra ele, com Spotlight na sequência e A Grande Aposta em terceiro. E, olha, vai ser emocionante.

direção

direção

Adam McKay, A Grande Aposta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Alejandro Gonzalez Iñarritu, O Regresso EstrelinhaEstrelinha½
George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Lenny Abrahamson, O Quarto de Jack EstrelinhaEstrelinha
Tom McCarthy, Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

esnobados

Ridley Scott, Perdido em Marte
Todd Haynes, Carol

Se começou a temporada como um coadjuvante na disputa de melhor diretor – principalmente porque já ganhou no ano passado com Birdman -, Alejandro G. Iñarritú chegou à reta final da disputa na condição de favorito. Deu sorte. Num ano em que seus rivais eram um diretor de filme de ação (George Miller, de Mad Max: Estrada da Fúria; um diretor de comédias que fez um filme mais ambicioso (Adam McKay, de A Grande Aposta) e um diretor indie cujo trabalho é tão discreto que mal aparece (Tom McCarthy, de Spotlight), seu “épico da sobrevivência”, como ele vende, realizado num trabalho hercúleo, como a campanha de marketing vende, chama muito a atenção. O mexicano ganhou o Globo de Ouro, o Bafta e foi o primeiro cineasta a fazer dobradinha dois anos seguidos no prêmio do Sindicato dos Diretores, o poderoso DGA. Suficiente para que a Academia, que já deu prêmios consecutivos para John Ford e Joseph L. Mankiewicz nos anos 1940 e 1950, decidir que “no problem” dar esse segundo Oscar para Iñarritu. Ainda mais num ano em que a falta de diversidade dos indicados virou um escândalo de grandes proporções. Na falta de uma desculpa melhor, a Academia pode ficar com um “não temos negros, mas adoramos os chicanos”. E não vai deixar de ser verdade. Se Iñarritu ganhar, vai ser o terceiro Oscar seguido para um cineasta mexicano. George Miller é visto com uma alternativa, mas não vejo a Academia premiando o diretor de Mad Max (gostaria de estar errado). Também não vejo um prêmio para McKay ou McCarthy. Abrahmson, nem pensar. Vamos, infelizmente, com Iñarritu, com Miller como ameaça distante.

Ator

ator

Bryan Cranston, Trumbo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Eddie Redmayne, A Garota Dinamarquesa EstrelinhaEstrelinha½
Leonardo DiCaprio, O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Matt Damon, Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Michael Fassbender, Steve Jobs EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½

esnobado

Johnny Depp, Aliança do Crime

Se a categoria de atriz está forte, com ótimas interpretações, a de ator só tem coisa mais ou menos. Leonardo DiCaprio devem ganhar, diz a temporada de prêmios de cinema deste ano. Além de vencer o Globo de Ouro, o prêmio do Sindicato dos Atores, o Critics’ Choice e o Bafta, o ator se apoia na campanha mais violenta que Hollywood viu nos últimos anos para alguém levar a estatueta, destacando como foi fazer “o filme mais difícil” da sua vida. Passar perrengue nunca foi sinônimo de boa performance e DiCaprio, que é sim um ótimo ator, já mereceu muito mais por filme em que foi indicado (O Lobo de Wall Street, Gilbert Grape) ou em que nem chegou a finalista (Romeu + Julieta, Prenda-me se For Capaz). Faz anos que querem dar esse prêmio para ele e esse sentimento de “justiça” parece onipresente. Num ano em que nenhum de seus oponentes se destaca, vai reinar absoluto. Não que seja merecido. Aposto em Leonardo DiCaprio, sem alternativas.

Atriz

atriz

Brie Larson, O Quarto de Jack EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Cate Blanchett, Carol EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Charlotte Rampling, 45 Anos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Jennifer Lawrence, Joy EstrelinhaEstrelinha½
Saoirse Ronan, Brooklyn EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½

esnobada

Charlize Theron, Mad Max: Estrada da Fúria

Brie Larson foi abraçada pela temporada como há muito tempo não se via. Ganhou tudo o que importa: Globo de Ouro, Critics Choice, Bafta e SAG. E ainda levou o Spirit, o Oscar dos indies. É meio impossível dar outro resultado. Cate Blanchett seria uma ótima rival, mas ganhou seu segundo Oscar há dois anos e Carol chegou fraco à lista de indicações. Charlotte Rampling sempre foi um azarão, mas perdeu toda e qualquer chance quando abriu a boca contra o boicote anunciado por Spike Lee e Jada Pinkett. Saoirse Ronan poderia ser uma surpresa, mas Brooklyn é discreto demais perto do exibicionismo de O Quarto de Jack. E J-Law, não, thanks. Aposto em Brie Larson, sem alternativas.

Ator coadjuvante

ator coadjuvante

Christian Bale, A Grande Aposta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Mark Ruffalo, Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Mark Rylance, Ponte de Espiões EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Sylvester Stallone, Creed EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Tom Hardy, O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

esnobados

Benicio Del Toro, Sicario
Idris Elba, Beasts of No Nation
Michael Keaton, Spotlight

Esta é uma categoria importante e pode se tornar algo decisiva na disputa principal. O favorito de todos é Sylvester Stallone, que tem belos momentos em Creed. Se ganhar, vai ser um daqueles momentos par entrar pra história e o Oscar adora fazer história. Neste ano, Sly não concorreu ao prêmio do Sindicado dos Atores, o SAG, nem ao Bafta, mas levou o Globo de Ouro e o Critics’ Choice. Mesmo assim, com sua popularidade, continua na liderança. Mas é bom lembrar que a Academia tem um problema com gente popular demais. Eddie Murphy, por exemplo, tinha um SAG, prêmio do Sindicato dos Atores, e um Globo de Ouro. Perdeu o Oscar. Se Stallone não vencer, Mark Rylance, de Ponte de Espiões, que venceu o Bafta, leva vantagem, apesar de ser desconhecido. Mas tem uma possibilidade curiosa: Mark Ruffalo vem sendo apontado como uma ameaça maior para Sly com seu papel em Spotlight. Ainda não vejo este prêmio, mas se ele acontecer realmente indica que a Academia gostou muito do filme e, combinado com o favoritismo no roteiro original, pode dar a base necessária para a vitória do longa de Tom McCarthy na categoria principal. Aposto em Sylvester Stallone, com Mark Rylance em segundo.

Atriz coadjuvante

atriz coadjuvante

Alicia Vikander, A Garota Dinamarquesa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Jennifer Jason Leigh, Os Oito Odiados EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Kate Winslet, Steve Jobs EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Rachel McAdams, Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Rooney Mara, Carol EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

esnobadas

Alicia Vikander, Ex Machina
Helen Mirren, Trumbo
Jane Fonda, Juventude

Alicia Vikander, de A Garota Dinamarquesa, e Kate Winslet, de Steve Jobs, polarizam a disputa entre as coadjuvantes femininas. A primeira ganhou o SAG e o Critics’ Choice. A segunda levou o Bafta e o Globo de Ouro. Vikander fez cinco filmes neste ano. Foi “a revelação” e nesta categoria o Oscar adora inovar (Goldie Hawn, Marisa Tomei, Anna Paquin foram surpresas em seus respectivos anos). Já Winslet, que já tem um Oscar, é uma atriz respeitada e não seria estranho vê-la novamente homenageada, mas Steve Jobs não foi muito “comprado” pela temporada e suas chances ficaram menos claras. Jennifer Jason Leigh e Rooney Mara tiveram seus momentos durante os últimos meses, mas chegaram à reta final desacreditadas. Se bem que esta é a categoria em que a Academia adora fazer uma surpresinha. Aposto em Alicia Vikander – no ano em que se clama por diversidade, premiar uma estrangeira pegaria bem. Kate Winslet vem na cola, mas à distância.

Straight Outta Compton

roteiro original

Divertida Mente EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Josh Cooley, Pete Docter & Meg LeFauve
Ex Machina EstrelinhaEstrelinha½, Alex Garland
Ponte de Espiões EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Matt Charman, Ethan Coen & Joel Coen
Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Thomas McCarthy & Josh Singer
Straight Outta Compton EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andrea Berloff, Jonathan Herman, S. Leigh Savidge, Alan Wenkus

esnobados

Os Oito Odiados, Quentin Tarantino
Sicario, Taylor Sheridan

Bem surpreendente a exclusão de Os Oito Odiados nesta categoria porque quem imaginaria que Ex Machina ou Straight Outta Compton teriam mais votos do que um texto de Tarantino? Os dois insiders não têm muita chance de vitória, mas devem – e muito – comemorar suas indicações. Ponte de Espiões é outro que parece estar aí para preencher a lista de cinco, embora tenha a assinatura dos irmãos Coen e seja um bom exemplo de finalista de roteiro de tempos atrás. O vencedor deve ser Spotlight porque tem o tema mais importante, é baseado numa história real e porque daria a base necessária para ganhar o Oscar de melhor filme. E, se existir uma ameaça, ela vem de Divertida Mente, elogiadíssimo, farta bilheteria. Mas animação vencer aqui custa mais caro.

A Grande Aposta

roteiro adaptado

Brooklyn EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Nick Hornby
Carol  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Phyllis Nagy
A Grande Aposta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Adam McKay & Charles Randolph
Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Drew Goddard
O Quarto de Jack EstrelinhaEstrelinha½, Emma Donoghue

esnobados

O Regresso, Alejandro G. Innaritu, Mark L. Smith
Steve Jobs, Aaron Sorkin

Mesmo com o flop nas bilheterias, o que fez com que as apostas no filme caíssem, Steve Jobs era dado como certo aqui, mas o roteiro de Aaron Sorkin teve menos votos do que o de Drew Goddard para Perdido em Marte, que andava menos cotado, mas deve ter sido ajudado pelo conjunto, mas não é ameaça para a vitória. Com as campanhas um tanto discretas de Carol e Brooklyn, o prêmio deve ficar entre A Grande Aposta, que estreou por último e foi bastante elogiado, e O Quarto de Jack, que vem sendo muito comentado até para uma eventual vitória na categoria principal. Ambos estão indicados nas categorias de filme e direção, mas representam prêmios opostos. O primeiro celebraria um estilo intrincado, cheio de explicações econômicas, verborrágico, mas que pode ser comprado pela Academia como um negócio importante. O segundo é mais um drama psicológico, que também tem truques de estrutura, mas que segue um caminho mais melancólico – e é um livro mais famoso e bastante querido. Os investidores do Filmes do Chico vão de A Grande Aposta, mas se O Quarto de Jack ganhar aqui, essa ideia de que ele seria um azarão para melhor filme pode se reforçar.

Mad Max: Estrada da Fúria

fotografia

Carol EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Edward Lachman
Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, John Seale
Os Oito Odiados EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Robert Richardson
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Emmanuel Lubezki
Sicario EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Roger Deakins

esnobados

Perdido em Marte, Dariusz Wolski
Ponte de Espiões, Janusz Kaminski

O veterano Roger Deakins conseguiu sua décima terceira indicação. Será que desta vez ele finalmente vai ganhar um prêmio? Pelo terceiro consecutivo, seu maior adversário é Emmanuel Lubezki, que conseguiu duas vitórias consecutivas antes. Aí surgem as dúvidas: 1) a Academia daria três Oscars consecutivos para o mesmo homem? Será que eles prestam atenção em quem está ganhando nesta categoria? 2) Sicario teria força para vencer este prêmio? 3) Edward Lachman, de Carol, um dos trabalhos mais impressionantes do ano, não seria uma ótima opção para não premiar Lubezki de novo, nem dar um prêmio de consolação para o Deakins? 4) Mad Max ameaça? A única certeza é que Bobby Richardson é café-com-leite. Vou de O Regresso, cuja fotografia é o coração do filme, com Mad Max em segundo.

Spotlight

montagem

A Grande Aposta  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Hank Corwin
Mad Max: Estrada da Fúria  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Margaret Sixel
O Regresso EstrelinhaEstrelinha½, Stephen Mirrione
Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Tom McArdle
Star Wars: O Despertar da Força EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Maryann Brandon e Mary Jo Markey

esnobados

Perdido em Marte, Pietro Scalia
Ponte de Espiões, Michael Kahn
Sicario, Joe Walker

Até um tempo atrás, esta categoria era uma espécie de primeira parada antes de chegar ao prêmio principal, mas tem cada vez mais seguido uma história independente. A princípio, A Grande Aposta é uma BOA aposta já que a montagem é a essência do filme e o longa levou o prêmio de melhor “montagem de comédia” (ridículo, hein?) do Sindicato dos Editores. Spotlight, mesmo que sem chamar muito a atenção nesse quesito, pode indicar uma volta à condição de “categoria de suporte” e receber o prêmio para reforçar uma eventual vitória em melhor filme. O problema é que o longa de Tom McCarthy sequer concorreu no sindicato. A mesma lógica que explicaria um prêmio para Spotlight valeria se O Regresso ganhasse. Não é impossível, mas não parece o mais provável. Mad Max, a princípio, seria o filme para bater A Grande Aposta, já que poderia facilmente papar todas as categorias técnicas. É bom lembrar que esta categoria já premiou Matrix e Gravidade. Na real, somente Star Wars parece não ter chances de ganhar. Fico com A Grande Aposta, seguido por Mad Max.

A Garota Dinamarquesa

direção de arte

A Garota Dinamarquesa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Eve Stewart & Michael Standish
Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Colin Gibson & Lisa Thompson
Perdido em Marte  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Arthur Max; Celia Bobak, Zoltan Horvath
Ponte de Espiões  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Adam Stockhausen, Rena DeAngelo & Bernhard Henrich
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jack Fisk & Hamish Purdy

esnobados

Carol, Judy Becker
Cinderela, Dante Ferretti; Casey Banwel, Francesca Lo Schiavo
Star Wars: O Despertar da Força, Rick Carter, Darren Gilford; Lee Sandales

Sem Carol na disputa, um pecado mortal já que a direção de arte, junto com a fotografia, está no coração no filme e o trabalho é impecável, é bem capaz de Mad Max ganhar o prêmio aqui. Seria lógico que um filme tão celebrado ganhe numa categoria em que ele mostra algumas de suas principais características. O filme de George Miller ganhou o prêmio no Sindicato dos Diretores de Arte como melhor filme de fantasia. O Regresso foi eleito como filme de época e Perdido em Marte como filme contemporâneo. Pela tradição da categoria, as duas primeiras categorias contam mais porque “mostram mais” direção de arte. Como Mad Max tem muito mais cenários e parte do zero, vou com ele. O Regresso é o segundo, mas não sei se A Garota Dinamarquesa não tem mais chances.

Carol

figurinos

Carol EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Sandy Powell
Cinderela EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Sandy Powell
A Garota Dinamarquesa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Paco Delgado
Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jenny Beavan
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jacqueline West

esnobados

Brooklyn, Odile Dicks-Mireaux
A Colina Escarlate, Kate Hawley
Trumbo, Daniel Orlandi

A grande Sandy Powell repete o feito de 1998 e teve dupla indicação. Naquele ano, ganhou o primeiro de seus três Oscars. Aqui, deveria ser a favorita de novo, mas no prêmio do Sindicato dos Figurinistas foi para Mad Max (em filme de fantasia) e A Garota Dinamarquesa (em filme de época), embananando a disputa. O primeiro é concorrente direto da extravagância de Powell em Cinderela e o outro do trabalho refinado a moça em Carol. Nesta categoria, a primeira costuma contar um pouco mais, vide os prêmios para Priscilla, a Rainha do Deserto, Anna Karenina e O Grande Gatsby. Jacqueline West poderia ser um azarão, mas não parece muito provável, a não ser que queiram crescer o número de prêmios para O Regresso. Minha aposta é Mad Max: Estrada da Fúria, com Cinderela em segundo, mas pode dar A Garota Dinamarquesa ou Carol.

O Homem de 100 Anos

maquiagem

O Homem de 100 Anos que Pulou a Janela e Desapareceu EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Eva Kozma, Erzsebet Racz
Mad Max: Estrada da Furia EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lesley Vanderwalt, Damian Martin, Elka Wardega
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Graham Johnston, Adrien Morot, Robert Pandini

esnobados

Aliança do Crime, Joel Harlow, Gloria Casny
Sr. Holmes, Dave Elsey

Uma das grandes notícias da lista de indicados deste ano é a esnobada geral em Aliança do Crime, longa sem qualidades que foi vendido como um novo grande filme de máfia. Melhor ainda é saber que um longa sueco o eliminou da categoria em que ele mais tinha chances de ser indicado. O Homem de 100 Anos que Pulou a Janela e Desapareceu soma mais um ponto às indicações “estrangeiras” desta categoria, que já prestigiou o francês Piaf, que saiu premiado, e o italiano Il Divo. Não tem muitas chances. O prêmio de deve ser de Mad Max, mas O Regresso é uma boa alternativa.

Os Oito Odiados

trilha sonora

Carol (ouça) EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Carter Burwell
Os Oito Odiados (ouça) EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Ennio Morricone
Ponte de Espiões (ouça) EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Thomas Newman
Sicario (ouça) EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jóhann Jóhannsson
Star Wars: O Despertar da Força (ouça) EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, John Williams

esnobados

Divertida Mente (ouça), Michael Giacchino
A Garota Dinamarquesa (ouça), Alexandre Desplat

Não consigo pensar em outro resultado que não seja a vitória de Ennio Morricone, uma lenda de 87 anos que criou algumas da trilhas mais famosas do mundo, já foi indicado 5 vezes antes e nunca ganhou. Ainda mais: seria a chance de dar pelo menos um prêmio para Os Oito Odiados, que não parece ter muitas chances fora daqui (talvez em atriz coadjuvante). Apesar da linda trilha de Carter Burwell, Carol não parece ter chances, mas a ameaça ao italiano pode vir da 50ª indicação de outro mestre, John Wiliams. Star Wars fez quase dois bilhões de dólares em bilheteria, é bom lembrar. As trilhas de Sicario e Ponte de Espiões estão mais para coadjuvantes nessa disputa.

007 contra Spectre

canção

“Earned It” (ouçaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
música e letras de Abel Tesfaye, Ahmad Balshe, Jason Daheala Quenneville & Stephan Moccio, Cinquenta Tons de Cinza
“Manta Ray” (ouçaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
música de J. Ralph; letras de Antony Hegarty, Racing Extinction
“Simple Song #3” (ouçaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
música e letras de David Long, Juventude
“Til It Happens To You” (ouçaEstrelinhaEstrelinha½
música e letras de Diane Warren e Lady Gaga, The Hunting Ground
“Writing’s On the Wall” (ouçaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
música e letra de Jimmy Napes e Sam Smith, 007 contra Spectre

esnobada

“Love Me Like You Do” (ouça), Cinquenta Tons de Cinza
“See You Again” (ouça), Velozes e Furiosos 7

Como o Tiago Faria reclamou no podcast que eu, ele e o Michel Simões gravamos semanalmente (ouça aqui), todo mundo ficou meio passado com a exclusão do hit “See You Again”, de Velozes e Furiosos 7, que, além do apelo popular, tinha o apelo de ser uma homenagem ao Paul Walker. Mas esta categoria é cheia de surpresas. Em 2008, conseguiram esnobar Bruce Springsteen e Clint Eastwood de uma só vez. Sem a música de Whiz Kalifa, o prêmio deve ficar entre as canções de Sam Smith e Lady Gaga. As apostas estão todas para Gaga e Spectre não teve a força dos últimos 007. Por conta disso, vou com a maioria. Por sinal, as músicas feitas para documentários ganharam força. Foram duas indicada neste ano: a de Gaga e a de J Ralph. Com a indicação da popstar, o Oscar vai marcar o reencontro dela com Leo DiCaprio. Se eles fossem espertos, faturam em cima disso colocando os dois pra apresentar um prêmio juntos.

Ponte de Espiões

mixagem de som

Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Ben Osmo, Chris Jenkins, Gregg Rudloff
Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Mac Ruth, Paul Massey, Mark Taylor
Ponte de Espiões EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Drew Kunin, Andy Nelson, Gary Rydstrom
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Chris Duesterdiek, Frank A. Montaño, Jon Taylor, Randy Thom
Star Wars: O Despertar da Força EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Stuart Wilson, Andy Nelson, Chris Scarabosio

esnobados

Sicario, John Reitz, Tom Ozanich, William Sarokin
Straight Outta Compton, Willie Burton, Jon Taylor, Frank A. Montano

As duas categorias de som têm listas bem parecidas, quatro indicados em comum, com Ponte de Espiões fazendo a diferentona aqui. Diferentona em termos já que a Academia sempre indica filmes “sérios”, que também concorrem ao prêmio principal aqui, como Forrest Gump ou O Paciente Inglês. Até Shakespeare Apaixonado esteve entre os finalistas no ano dele. Straight Outta Compton, um filme essencialmente “de som”, ficou de fora. A briga parecia se concentrar entre Mad Max e Star Wars, mas como eles abraçaram o filme de Iñarritu com força, O Regresso entrou forte na disputa. Ainda aposto no filme de George Miller, com Iñarritu seguindo a cavalo logo atrás (tomara que em direção a um precipício).

Perdido em Marte

edição de som

Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Scott Hecker, Mark Mangini, David White
Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Oliver Tarney
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Martin Hernandez, Randy Thom, Lon Bender
Sicario EstrelinhaEstrelinha½, Alan Robert Murray
Star Wars: O Despertar da Força EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David Accord, Matthew Wood

esnobado

Os Oito Odiados, Wylie Stateman

Aqui, é Sicario que assume a quinta vaga, derrubando o filme de Quentin Tarantino, indicado pelo sindicato. Parece uma indicação justa, mas sem chances de ir além. Mais uma vez, a disputa parece concentrada entre os filmes de George Miller e JJ Abrams, com O Regresso, mais uma vez ameaçando, principalmente se a Academia resolver transformá-lo no filme do ano. Coração Valente ganhou o Oscar nesta categoria 20 anos atrás. E também foi o melhor filme daquele ano. Minha aposta também fica com Mad Max, com O Regresso em segundo lugar.

Star Wars

efeitos visuais

Ex Machina EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andrew Whitehurst, Paul Norris, Mark Ardington & Sara Bennett
Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andrew Jackson, Tom Wood, Dan Oliver, Andy Williams
Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Richard Stammers, Chris Lawrence, Anders Langlands, Steven Warner
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Rich McBridge, Matt Shumway, Jason Smith, Cameron Waldbauer
Star Wars: O Despertar da Força EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Roger Guyett, Patrick Tubach, Neal Scanlan, Chris Corbould

esnobados

Homem-Formiga, Jake Morrison, Greg Steele, Russsell Earl, Dan Sudick
Jurassic World, Tim Alexander, Glen McIntosh, Tony Plett, Michael Meinardus
A Travessia, Kevin Baillie, Jim Gibbs, Viktor Muller, Sebastien Moreau

Somente três dos finalistas nesta categoria concorrem ao prêmio principal da Visual Effects Society, o sindicato da categoria: Mad Max, Perdido em Marte e Star Wars, o que deixaria os três na disputa pelo prêmio. Para o filme de George Miller, seria uma vitória lógica já que ele é o filme de ficção mais elogiado do ano, concorrendo nas duas categorias centrais, mas é bem possível que a comoção pela volta da franquia Skywalker leve este prêmio aqui, já que Star Wars e efeitos visuais são quase sinônimos. E este é o filme de maior bilheteria da história dos EUA. As menções a Ex Machina e O Regresso foram bem interessantes, já que eliminaram filmes mais “tradicionais” para esta categoria, mas as chances do longa de Iñarritu, com duas cenas de efeitos especiais são aparentemente menores. Se O Regresso ganhar aqui, fica meio evidente que ele vai ganhar tudo, inclusive melhor filme. Mas minha aposta fica com Mad Max, seguido por Star Wars.

O Menino e o Mundo

filme de animação

Anomalisa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Paramount), Charlie Kaufman, Duke Johnson & Rosa Tran
Divertida Mente EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Disney/Pixar), Pete Docter & Jonas Rivera
As Memórias de Marnie EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha(GKids), Hiromasa Yonebayashi & Yoshiaki Nishimura
O Menino e o Mundo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (GKids), Alê Abreu
Shaun, o Carneiro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Lionsgate), Mark Burton & Richard Starzak

esnobado

O Bom Dinossauro (Disney/Pixar), Peter Sohn

Terceiro ano em que a GKids, que distribui filmes de animação estrangeiros em Hollywood emplaca dois indicados nesta categoria. Os filmes, entre eles o belíssimo brasileiro O Menino e o Mundo não ameaçam ganhar, mas é bem legal perceber os movimentos desta categoria. Divertida Mente é o favorito absoluto. Fala-se de sua vitória desde que ele foi lançado. Chegou incólume à noite do Oscar (e mais forte com a indicação de roteiro) e é um prêmio mais do que merecido. O filme de Pete Docter merecia muito mais uma vaga na categoria principal do que vários dos indicados. Em determinado momento da temporada, falou-se muito de Anomalisa, mas o longa de Charlie Kaufman se viu refém de sua natureza “alternativa”. Divertida Mente na cabeça, sem “alternativas”.

O Filho de Saul

filme estrangeiro

O Abraço da Serpente EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Colômbia), Ciro Guerra
Cinco Graças EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha(França), Deniz Gamze Ergüven
O Filho de Saul EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Hungria), László Nemes
Guerra EstrelinhaEstrelinha½(Dinamarca), Tobias Lindholm
Theeb EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Jordânia), Naji Abu Nowar

esnobados

Labirinto de Mentiras (Alemanha), Giulio Ricciarelli
O Novíssimo Testamento (Bélgica), Jaco Von Dormael

Para uma pré-lista em que 7 dos 9 semifinalistas eram europeus, a lista de indicados surpreendeu um pouco. No entanto, confirmada sua candidatura, o húngaro O Filho de Saul parece reinar absoluto na categoria de filme em língua estrangeira. A princípio, somente Cinco Graças parece uma ameaça, mas bem distante. Já aconteceu muitas vezes de, na reta final, o favorito perder para o “filme pequeno e tocante”. Remember O Segredo dos Seus Olhos. Se premiar Cinco Graças, o Oscar vai validar uma fraude. O filme concorre pela França, mas foi dirigido por uma turca na Turquia, com elenco turco, falando turco e contando uma história de tradições e cultura turca. A esnobada no pasteurizado alemão Labirinto de Mentiras e no elogiado belga O Novíssimo Testamento abriu espaço para as primeira indicações da Jordânia e da Colômbia. Por sinal, nos últimos 7 anos, 6 filmes latinoamericanos concorreram ao Oscar. Minha aposta: O Filho de Saul, seguido por Cinco Graças.

Amy

documentário

Amy EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha(A24), Asif Kapadia & James Gay-Rees
Cartel Land (The Orchard), Matthew Heineman & Tom Yellin
O Peso do Silêncio EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Drafthouse), Joshua Oppenheimer & Signe Byrge Sørensen
What Happened, Miss Simone? EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Netflix), Liz Garbus, Amy Hobby & Justin Wilkes
Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom (Netflix), Evgeny Afineevsky & Den Tolmor

esnobados

Going Clear: Scientology and the Prison of Belief (Home Box Office), Alex Gibney
A Verdade Sobre Marlon Brando (Showtime), Stevan Riley
Where to Invade Next (Unnamed Quinn/Janego/League Label)

Amy Winehouse ganhou a companhia de Nina Simone na categoria de documentário. Se a gente pensar bem, as duas têm muito a ver, mas o filme de Nina, feito pelo Netflix, que só foi lembrado aqui, não faz sombra ao favoritismo de Amy, que é o frontrunner nesta categoria desde as primeiras apostas. Talvez porque a morte da cantora inglesa ainda esteja muito presente na memória das pessoas. Talvez por ter um formato de doc televisivo com imagens de paparazzi bem comum aos dias de hoje. Cartel Land e O Peso do Silêncio, segunda parte da odisseia de Joshua Oppenheimer pelo massacre da Indonésia, foram bastante comentados e como aqui os azarões surpreendem muitas vezes… quem sabe? Da lista de elegíveis, o maior pecado foi não terem selecionado o belo A Verdade Sobre Marlon Brando. Minha aposta é Amy, com Cartel Land em seguida.

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O Oscar dos Meus Sonhos: versão 2016

Todo ano eu brinco de votante da Academia. Fuço lá na lista de filmes elegíveis para o Oscar e faço minhas próprias escolhas, independentemente do marketing, do hype, seguindo apenas minhas preferências. Esta aqui é a lista do Oscar dos Meus Sonhos, versão 2016. Respeitei o mesmo número de indicados em cada categoria e segui as especificações da Acacemia para os quesitos que têm pré-finalistas: trilha sonora, canção, efeitos visuais, documentário, animação e filme estrangeiro. Em cada categoria, indico o meu vencedor, com duas setinhas ao lado do nome do indicado.

filme

Acima das Nuvens
Brooklyn
Carol
Corrente do Mal
Divertida Mente
La Jaula de Oro
>> Mad Max: Estrada da Fúria
Spotlight

direção

David Robert Mitchell, Corrente do Mal
>> George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria
Olivier Assayas, Acima das Nuvens
Pete Docter & Ronnie Del Carmen, Divertida Mente
Todd Haynes, Carol

ator

Abraham Attah, Beasts of No Nation
Jacob Tremlay, O Quarto de Jack
Jason Segel, O Fim da Turnê
>> Paul Dano, Love & Mercy
Tom Courtenay, 45 Anos

atriz

Cate Blanchett, Carol
>> Charlize Theron, Mad Max: Estrada da Fúria
Charlotte Rampling, 45 Anos
Juliette Binoche, Acima das Nuvens
Saoirse Ronan, Brooklyn

ator coadjuvante

Christian Bale, A Grande Aposta
>> Emory Cohen, Brooklyn
Mark Rylance, Ponte de Espiões
RJ Cyler, Eu, Você e a Garota que Vai Morrer
Sylvester Stallone, Creed

atriz coadjuvante

>> Kristen Stewart, Acima das Nuvens
Kristen Wiig, The Diary of a Teenage Girl
Marion Cotillard, Macbeth
Oona Laurence, Nocaute
Phyllis Smith, Divertida Mente

roteiro original

Acima das Nuvens
Corrente do Mal
>> Divertida Mente
Spotlight
Tangerine

roteiro adaptado

Brooklyn
Carol
>> The Diary of a Teenage Girl
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria

filme estrangeiro

A Assassina (Taiwan)
O Filho de Saul (Hungria)
Ixcanul (Guatemala)
As Mil e uma Noites: Volume 2 – O Desolado (Portugal)
>> Que Horas Ela Volta? (Brasil)

filme de animação

Anomalisa
>> Divertida Mente
As Memórias de Marnie
O Menino e o Mundo
Minions

fotografia

>> Carol
Corrente do Mal
Macbeth
No Coração do Mar
Os Oito Odiados

montagem

Corrente do Mal
Divertida Mente
A Grande Aposta
Kingsman
>> Mad Max: Estrada da Fúria

direção de arte

Carol
>> A Colina Escarlate
Corrente do Mal
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria

figurinos

Carol
>> A Colina Escarlate
A Garota Dinamarquesa
Longe Deste Insensato Mundo
Macbeth

maquiagem

>> Mad Max: Estrada da Fúria
No Coração do Mar
Sr. Holmes

trilha sonora

>> Carol
Divertida Mente
Longe Deste Insensato Mundo
Mad Max: Estrada da Fúria
Os Oito Odiados

canção

“Feel Like Summer”, Shaun, o Carneiro
“Hey Baby Doll”, Danny Collins
“I’ll See You in My Dreams”, I’ll See You in My Dreams
“Love Me Like You Do”, Cinquenta Tons de Cinza
>> “See You Again”, Velozes e Furiosos 7

edição de som

Corrente do Mal
Divertida Mente
>> Mad Max: Estrada da Fúria
O Menino e o Mundo
Star Wars: O Despertar da Força

mixagem de som

Love & Mercy
>> Mad Max: Estrada da Fúria
No Coração do Mar
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

efeitos visuais

>> Homem-Formiga
Mad Max: Estrada da Fúria
No Coração do Mar
Perdido em Marte
Star Wars: O Despertar da Força

documentário

Em Jackson Heights
Iris
Os Irmãos Lobo
>> O Peso do Silêncio
A Verdade Sobre Marlon Brando

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Top 5: as melhores animações de todos os tempos, segundo Alê Abreu

Perguntei para o Alê Abreu quais eram os filmes de animação de que ele mais gostava e pedi para que escrevesse textinhos curtos sobre cada um deles para eu publicar aqui no blogue. Ele me respondeu no dia 15 de julho do ano passado e a lista permaneceu inédita até hoje. Imagino que hoje, poucas horas antes do Oscar, onde ele concorre ao prêmio de melhor longa de animação como o belo O Menino e o Mundo, não exista hora melhor para publicar o Top 5 do Alê. Ele, de cara, já avisa: “Não significa que sejam os melhores, nem estão em qualquer ordem de importância”. E lá vão eles:

Top 5 animações do Alê Abreu

Os Mestres do Tempo
[Les Maítres du Temps, René Laloux, 1982]

Não é o melhor filme do Laloux – eu diria que é Planeta Selvagem (ou Planeta Fantástico) - e também não é nenhum primor técnico, mas tem um “clima” incrível. Após um desastre, um menino perde-se num planeta perigoso. Descobri este filme quando estudava animação no Museu da Imagem e do Som, nos anos 8o, através de um livro sobre a arte do filme (que tem a participação do mestre Moebius). Mas naquela época não era tão fácil conseguir uma cópia. Então passei parte da minha adolescência imaginando diversas histórias para aqueles desenhos. Um dia, já com 17 anos de idade, finalmente pude assistir ao filme. Um marco na minha história da animação.

Meu Vizinho Totoro
[Tonari no Totoro, Hayao Miyazaki, 1988]

Talvez não seja o melhor dos filmes do mestre japonês (se me perguntassem, talvez eu dissesse A Viagem de Chihiro), mas é daqueles inesquecíveis. A história de descoberta das duas irmãs que acabaram de mudar-se para uma casa no campo, onde aguardam a mãe retornar do hospital, encanta adultos e crianças. Ouvi dizer que foi inspirada numa história verídica, de uma menina que desapareceu. Descobri um pequeno cinema de arte em Paris, onde apresentei O Menino e o Mundo“, que exibe Totoro todos os domingos, há vinte anos!

O Túmulo dos Vagalumes
[Hotaru no Haka, Isao Takahata, 1988]

Realizado pelo sócio do Miyazaki no estúdio japonês Ghibli, é mais um clássico da animação japonesa. A história dos dois irmãos que tentam sobreviver no Japão em meio a Segunda Guerra é muito emocionante. Não conheço uma alma viva que não tenha chorado exaustivamente na última sequência deste filme.

Ghost in the Shell
[Kôkaku Kidôtai, Mamoro Oshii, 1995]

Lançado no Brasil como O Fantasma do Futuro, é o terceiro Japonês da lista. Este é um policial futurista filosófico, sobre a tecnologia. Tem uma das cenas antológicas do cinema de animação, praticamente feitas só de cenários, com pouquíssima animação (a cidade). Este filme foi a inspiração principal para os Wachowski, em Matrix.

As Bicicletas de Belleville
[Les Triplettes de Belleville, Sylvain Chomet, 2003]

Acho um filme emblemático – por sua linguagem e ousadia. Lançado num momento em que a animação 3D conhecia seu ápice, as caricaturas 2D, a ausência de diálogos e o universo cativante deste filme nos lembra que a boa animação é aquela capaz de nos transportar para um universo crível e cheio de graça.

E o Alê Abreu ainda deu um chorinho: O Mágico [Sylvain Chomet, 2010], Wall-E [Andrew Stanton, 2008] (a primeira parte), Persépolis [Vincent Paronnaud & Marjane Satrapi, 2007], Planeta Selvagem [René Laloux, 1973], Pink Floyd – The Wall [Alan Parker, 1982], A Viagem de Chihiro [Hayao Myiazaki, 2003], e até filmes recentes como Ernest e Célestine [Stéphane Aubier, Vincent Patar & Benjamin Renner, 2012] e A Canção do Oceano [Tomm Moore, 2014], poderiam entrar nesta lista.

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