Mostra SP 2014: post cinco

Leviatã

Leviatã EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Leviathan, Andrei Zvyagintsev, 2014]

A gigantesca carcaça do Leviatã ainda assombra um vilarejo russo onde tudo parece estar fadado ao fracasso. O monstro marinho, descrito no Antigo Testamento, é a alegoria escolhida pelo cineasta Andrei Zvyagintsev para escancarar seu pessimismo em relação a seu país, um estado de descrença que persegue e se transforma em principal temática de seu cinema. Para o diretor, a corrupção se instalou na coração da Rússia e se espalhou como metástase pela política, pela justiça, pela igreja e pela moral. Um exército cruel e onipresente que cerca e atropela os elementos dissonantes. O novo filme do cineasta é como uma profecia bíblica que não guarda muita salvação para seus protagonistas. Nikolay enfrenta o prefeito da cidade, que quer tomar suas terras a qualquer custo. Sua recusa em ceder inicia uma série de tragédias. Zvyagintsev administra essas tragédias com certas doses de fatalismo, mas parece justificar a escala que utiliza para o desastre a cada entrelinha. Os capitães do mal mudam de nome, mas permanecem no poder. O diretor não poupa nenhum deles de suas culpas e ainda convida o espectador a acertá-los com um tiro de espingarda, mas ironicamente preserva quem aqueles ainda não foram condenados pela “história”, mas estão presentes em cada parede.

Pássaro Branco na Nevasca

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[White Bird in a Blizzard, Gregg Araki, 2014]

O novo filme do outsider Gregg Araki tem menos bizarrices do que os trabalhos anteriores do cineasta – quer dizer, melhor você chegar antes ao final deste aqui, sobre o desaparecimento de uma mulher, que aparentemente abandona o marido e a filha numa cidade do interior. O longa é estrelado por Shailene Woodley, do ótimo Os Descendentes, que está no auge da beleza. Durante boa parte do filme, Araki mantém seus maneirismos indies em favor de criar um ambiente delicado para explorar os dilemas da adolescente. A trilha sonora assinada por Robin Guthrie, um dos fundadores do Cocteau Twins, dá um diferencial. Oito das doze faixas compostas para o filme são de autoria dele e remetem diretamente à sonoridade de seu grupo de origem. De bônus, ainda ouvimos “Dazzle”, do Siouxise and the Banshees. O problema é que o universo que o diretor consegue criar enfraquece gradativamente à medida que a trama cobra o fim do mistério.

A Vida Pode Ser

A Vida Pode Ser EstrelinhaEstrelinha
[Life May Be, Mania Akbari & Mark Cousins, 2014]

A iraniana Mania Akbari, atriz de Dez, de Abbas Kiarostami, e também cineasta, faz, neste filme, uma espécie de troca de correspondências com o crítico e documentarista Mark Cousins, autor do excelente livro História do Cinema, que também virou série de TV. A cada troca de mensagens, os dois divagam sobre temas importantes e complexos como o exílio, o mundo de hoje e os cinema. Mas a combinação de seus estilos diferentes, que prometia produzir um cinema simples e sincero, sempre disposto a refletir sobre a existência, cai num espiral de onde não consegue sair. O resultado é uma intenção quase sempre forçada de fazer poesia, ora com imagens parecem ter sido escolhidas a dedo – no Google -, ora com um texto que não se acerta nunca, passando do “visceral”, com Akbari falando sobre sexo, ao pretensamente delicado.

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Mostra SP 2014: post quatro: Acima das Nuvens

Acima das Nuvens

O novo filme de Olivier Assayas se arrisca em tantas camadas que é realmente surpreendente que ele seja tão bem resolvido. Juliette Binoche interpreta Maria Enders, atriz de sucesso convidada para fazer uma nova montagem da peça que a lançou, mas desta vez em vez de viver a personagem jovem que a consagrou, caberá a ela o papel da mulher mais madura. A partir desta premissa muito simples, o diretor lança uma série de questionamentos que se desdobram em outros ainda maiores.

Paralelamente às dúvidas da protagonista em aceitar o papel, que geram uma discussão sobre o passar do tempo, a velhice e, mais tarde, sobre as perspectivas que maturidade traz, inicia-se um diálogo/duelo com Kristen Stewart, ótima no papel da assistente pessoal e voz da consciência de Enders. Esta segunda personagem introduz um debate, que parece velho, sobre a Hollywood de hoje e o culto à celebridade que devorou o culto ao artista, mas que o cineasta nos apresenta por outro prisma. Stewart atua como porta voz de Assayas, que reconhece valores num ambiente tão hostil ao talento.

Se Binoche faz a atriz europeia e veterana que vive à margem dos holofotes e Chloë Grace Moretz encarna a nova mini-diva hollywoodiana, Kristen Stewart tem, na verdade, uma metapersonagem, que catalisa as discussões sobre exposição sem ser uma caricatura da atriz fora das telas. O casting de Stewart é excelente e faz com que ela própria questione sua persona pública e exerça uma espécie de direito de resposta à maneira como a mídia a trata, uma escolha corajosa da atriz em aceitar alguns diálogos que se referem diretamente a sua vida pessoal.

A vampira da Saga Crepúsculo também aciona outro dispositivo importante no filme, a discussão sobre representação. Ao ajudar Enders na leitura da peça, assumindo o papel da jovem enquanto Binoche lê as falas da mulher mais velha, as duas questionam a representação em si. Não no nível quase laboratorial de “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho, mas em diálogos com ecos bergmaníanos que transformam essas leituras em ensaios comentados do próprio texto. Assayas comanda todas essas discussões com uma habilidade para revezá-las e justificá-las, deixando o fluxo das coisas orgânico em Acima das Nuvens.

Acima das Nuvens EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Clouds of Sils Maria, Olivier Assayas, 2014]

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Mostra SP 2014: post três

Detetive D: O Dragão do Mar

Detetive D: O Dragão do Mar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Di Renjie: Shen du Long Wang, Tsui Hark, 2013]

Prequel de Detetive D e o Império Celestial, este filme do ás do cinema de ação oriental Tsui Hark mostra um diretor interessadíssimo em mergulhar na tecnologia. Rodado em 3D, mais da metade das cenas do longa tem efeitos especiais em larga escala, sem medo da comparação com as superproduções hollywoodianas. Hark volta no tempo para acompanhar a primeira missão do Detetive D, que precisa desvendar uma conspiração para tomar o poder dentro da família imperial e ainda descobre um monstro marinho. Saem Andy Lau e Tony Leung Ka-Fai e entram Mark Chao e Angelababy. O diretor mistura elementos históricos com fantasia sem qualquer pudor e o resultado é um filme cheio de cenas de ação memoráveis. Embora o 3D não seja de primeira grandeza, o longa garante a diversão.

O Segredo das Águas

O Segredo das Águas EstrelinhaEstrelinha½
[Futatsume no Mado, Naomi Kawase, 2014]

Embora ainda não tenha conseguido reeditar seus melhores momentos (Shara ou Suzaku), O Segredo das Águas tira Naomi Kawase de uma fórmula mezzo documental, mezzo ficcional que vinha se repetindo em seus últimos filmes e que parecia uma prisão formal. O longa, no entanto, guarda muitas das ideias e dos temas que a diretora vem desenhando ao longo dos anos em sua obra, sobretudo a relação entre homem e natureza e a chegada da morte como elemento transformador. Aqui, dois adolescentes são assombrados por medos. Ele pelo medo do mar. Ela pelo medo da morte. Juntos, eles descobrem como lidar com suas pauras e como explorar seus corpos. Existe algo meio didático em alguns diálogos nesse processo e o interesse de Kawase pelo espiritual quase faz o filme dialogar com a auto-ajuda, o que não acontece, mas as cenas subaquáticas mostram que Kawase tenta se esquivar do lugar comum.

Tristeza e Alegria

Tristeza e Alegria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Sorg og Glæde, Nils Malmros, 2013]

A cena de abertura do filme de Nils Malmros é uma das mais impactantes dos últimos tempos. Um homem volta para casa e recebe a notícia devastadora de que a esposa matou a filhinha do casal. O diretor, um dos mais importantes nomes do cinema dinamarquês nas últimas décadas, embora tenha feito só três filmes em dez anos, faz um poderoso melodrama sobre a dor da perda. Embora honre a tradição de excelência da dramaturgia escandinava,  o filme é muito mais forte quando se concentra no que acontece no tempo presente, trabalhando basicamente com personagens destruídos. Os flashbacks, que Malmros julga necessários para explicar a relação entre Johannes e Signe e o estado de saúde mental dela, fragilizam a narrativa, justificando excessivamente os atos dela. O desespero e a desesperança da sequência de abertura humanizam muito mais os caminhos do protagonista.

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Mostra SP 2014: post dois

À procura

À Procura Estrelinha
[The Captive, Atom Egoyan, 2014]

Onde foi exatamente que Atom Egoyan se perdeu? Porque O Doce Amanhã e Exótica são belos filmes, mas este À Procura é um policial rocambolesco com um roteiro que persegue um tom poético, mas que só encontra o risível em várias situações, desde a relação estabelecida entre sequestrador e sequestrada até a maneira “macabra” que Egoyan impõe para denunciar um maquiavélico esquema de pedofilia. O grandalhão Kevin Durand tem uma personagem patética, tentando emular psicopatas débeis. É possivelmente o pior casting do ano. A trilha sonora ofensiva insiste em divulgar um suspense cansado e a discussão central parece ficar sempre num plano flutuante, sem nunca ter muito compromisso com algo mais palpável. Rosario Dawson se prejudica com o desenvolvimento de sua personagem, quando o roteiro resolve “explicar” suas motivações. Ryan Reynolds é que está bem, mas a cereja do bolo é uma homenagem involuntária a Elvira, a Rainha das Trevas.

Dois Dias, Uma Noite

Dois Dias, Uma Noite EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Deux Jours, Une Nuit, Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne, 2014]

Embora guarde todos os elementos de seus filmes mais célebres, como a câmera orgânica, as interpretações naturalistas e o tempo contínuo, Dois Dias, Uma Noite talvez indique uma virada dos irmãos Dardenne em direção a um público mais amplo. Salvo engano, é a primeira vez que eles recorrem a um intérprete que não nasceu na Bélgica como protagonista de um filme. Marion Cotillard mudou seu acento e se revelou uma escolha acertada para viver a mulher que, para recuperar seu emprego, tenta convencer seus colegas a votarem contra um bônus que só será concedido se ela for demitida. No espaço de pouco mais de um dia, ela persegue, casa a casa, seu objetivo. Cada encontro joga Sandra num contexto diferente, muitas vezes doloroso, promovendo uma versatilidade emocional rara no cinema da dupla, que além de arejar a narrativa do longa, testa os limites da personagem, sempre à beira de um ataque de nervos, e da atriz. Aqui, os Dardenne continuam sua sina de analistas da Europa contemporânea, desta vez discutindo bem especificamente a crise financeira do continente e o impacto na vida do cidadão comum. Os interesses individuais são confrontados com os interesses do mercado numa luta desigual pela sobrevivência.

Rhino Season

Rhino Season EstrelinhaEstrelinha½
[Rhino Season, Bahman Ghobadi, 2013]

A presença de Monica Bellucci indica que o cinema de Bahman Ghobadi está mais internacional do que nunca, mas, embora a obra do iraniano guarde muitas delicadezas e alguns posicionamentos de protesto, raramente seus filmes “de festival” assumiram uma postura política tão direta contra o governo de seu país. Rhino Season é muito mais prático e convencional em relação aos filmes anteriores do diretor, que abusam de uma espécie de exotismo mágico que às vezes funciona, mas em outras parece pura perfumaria. A história é a do poeta curdo que é libertado depois de trinta anos de prisão e descobre que sua esposa acha que ele está morto. Enquanto evoca o thriller político, mais documental, mesmo em sua bagunça cronológica, a “temporada de rinocerontes” segue mais interessante do que quando Ghobadi tenta aplicar cores mais pessoais e liberdades poéticas, que destoam do conjunto. Um trabalho válido que pisa em falso aqui e ali.

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Mostra SP 2014: post um

As Bruxas de Zugarramurdi

As Bruxas de Zugarramurdi EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Las Brujas de Zugarramurdi, Álex de la Iglesia, 2013]

Hugo Silva, o copiloto bonitão do último filme de Almodóvar, é protagonista de mais este delírio delicioso do espanhol Álex de la Iglesia, um dos autores mais coerentes do cinema espanhol. Desde o começo da carreira, o cineasta elege o fantástico como tema de todos os seus filmes, geralmente comédias que não têm pudor com o escracho. Em As Bruxas de Zugarramurdi, coloca dois homens e um garoto que acabaram de assaltar um banco diante de uma família de feiticeiras, radicadas na cidade que dá título ao filme, um local cujo paganismo levou muitas mulheres à figueira na Idade Média. De la Iglesia acerta em cheio ao combinar ritmo acelerado, humor afiado e efeitos visuais excelentes com o respeito às histórias de terror, o que dá ao filme um quê algo sério no meio de todas as ironias. O elenco é ótimo, com destaque para Carmen Maura e, especialmente, Terele Pávez, premiada com o Goya de coadjuvante.

Foxcatcher

Foxcatcher EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Foxcatcher, Bennett Miller, 2104]

Embora haja méritos óbvios em Foxcatcher, o sentimento em relação ao filme pode ser bastante controverso. De um lado é possível reconhecer um esforço gigantesco do Bennett Miller em tornar tudo muito importante. Há um tom inato de épico intimista a essa “história real” desde a direção de atores até a utilização da trilha sonora. Do outro, esse esforço parece realmente ter capturado um sentimento de estranhamento, como se fosse o filme realmente se assumisse como prelúdio de uma tragédia. Miller acerta ao materializar o vazio nas vidas dos dois personagens principais, que encontraram intérpretes inspirados. Steve Carrell usa uma maquiagem perfeita e, embora ronde a caricatura, geralmente escapa ileso e ofereça uma melancolia dolorida. Channing Tatum, que vem se revelando bom ator, foge do esteréotipo do atleta arredio com um personagem que não cabe em si mesmo. Mark Ruffalo, com seu jeito manso de falar, completa o elenco, dando corpo a um bom coadjuvante.

Relatos Selvagens

Relatos Selvagens EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Relatos Salvajes, Damián Szifrón, 2014]

A maior parte da carreira de Damián Szifrón foi como roteirista de TV e parece ter sido justamente da televisão que ele tirou a agilidade e a comédia popular de Relatos Selvagens. O filme em episódios, que abre a Mostra deste ano, no entanto, não recorre ao humor grosseiro comumente visto em programas televisivos brasileiros que inspiraram muitas comédias lançadas no país nos últimos anos. O cineasta argentino mantém um diálogo próximo com o espectador principalmente quando parece sacanear estereótipos, trollando fórmulas. Aqui, os episódios se transformam em contos ácidos de humor negro sobre tolerância e os melhores entre eles são aqueles que trabalham brincando com formatos conhecidos, como o do avião, uma aliteração deliciosa de um esquete televisivo caricato, ou o dos motoristas na estrada, um versão sarcástica e em carne-e-osso de um duelo de desenho animado. Esqueçam Ricardo Darín, o episódio dele é um dos mais bobos. Embora tenhas altos e baixos, o filme oferece uma saída diferente para quem aprecia uma boa comédia latina.

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Mostra SP 2014: programação por datas

38ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA EM SÃO PAULO

16/10/2014 – Quinta

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 1

Sessão 1 – 13:00
FILHA (DUKHTAR), de Afia Nathaniel (93′). PAQUISTÃO. Falado em urdu. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: Livre.
Sessão 2 – 15:00
A VIDA INVISÍVEL (A VIDA INVISÍVEL), de Vítor Gonçalves (99′). PORTUGAL. Falado em português (de portugal). Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 anos.
Sessão 3 – 17:00
RELATOS SELVAGENS (RELATOS SALVAJES), de Damián Szifrón (122′). ARGENTINA, ESPANHA. Falado em espanhol. Legendas em português. Indicado para: 14 anos.
Sessão 4 – 19:30
ESTRELA CADENTE (STELLA CADENTE), de Lluís Miñarro (105′). ESPANHA. Falado em catalão, espanhol. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos. Haverá debate após a sessão.
Sessão 5 – 22:00
TSILI (TSILI), de Amos Gitai (85′). ISRAEL, ITALIA, FRANÇA, RUSSIA. Falado em hebraico. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.

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Mostra SP 2014: programação por filmes

38ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA EM SÃO PAULO

(veja a programação por datas)

Lista de Filmes

10.000 NOITES EM LUGAR NENHUM (10.000 NOCHES EN NINGUNA PARTE), de RAMÓN SALAZAR (113′). ESPANHA. Falado em espanhol. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 anos.
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – POMPÉIA SALA 1 16/10/2014 – 19:00 – Sessão: 89 (Quinta)
CINE SABESP 17/10/2014 – 18:00 – Sessão: 124 (Sexta)
RESERVA CULTURAL 1 23/10/2014 – 19:45 – Sessão: 703 (Quinta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 1 28/10/2014 – 16:40 – Sessão: 1065 (Terça)

15 ANOS + 1 DIA (15 AÑOS Y UN DÍA), de GARCIA QUEREJETA (96′). ESPANHA. Falado em espanhol. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 2 16/10/2014 – 13:00 – Sessão: 6 (Quinta)
CINEMARK – METRÔ SANTA CRUZ – SALA 9 17/10/2014 – 19:00 – Sessão: 160 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA 1 18/10/2014 – 14:00 – Sessão: 236 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 2 27/10/2014 – 13:00 – Sessão: 1000 (Segunda)

3 BELEZAS (3 BELLEZAS), de Carlos Caridad Montero (97′). VENEZUELA. Falado em espanhol. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 anos.
CINE SABESP 21/10/2014 – 22:15 – Sessão: 477 (Terça)
CINEMARK – METRÔ SANTA CRUZ – SALA 9 22/10/2014 – 19:00 – Sessão: 600 (Quarta)
CINEMATECA – SALA BNDES 23/10/2014 – 21:00 – Sessão: 657 (Quinta)
RESERVA CULTURAL 1 24/10/2014 – 14:00 – Sessão: 802 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 1 29/10/2014 – 15:15 – Sessão: 1149 (Quarta)

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Oscar 2015: os filmes estrangeiros

Oscar 2015: filmes estrangeiros

A Academia anunciou que 83 países inscreveram representantes para disputar uma das cinco vagas ao Oscar de filme em língua estrangeira. O número bate, mais uma vez, o recorde de filmes inscritos no ano passado. O vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o turco Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan, é um dos mais cotados neste ano, ao lado do belga Dois Dias, Uma Noite, dos irmãos Dardenne, do francês Saint Laurent, de Bertrand Bonello, do russo Leviathan, de Andrey Zvyagintsev, e do sueco Força Maior, de Ruben Östlund.

O Brasil concorre com o romance gay Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro, que derrubou filmes como O Lobo Atrás da Porta, O Menino e o Mundo e Tatuagem. Se for indicado, será a primeira vez que o país emplaca um finalista na categoria desde 1999, quando Central do Brasil concorreu. Da América Latina, o argentino Relatos Selvagens, de Damián Szifrón, e o chileno Matar um Homem, de Alejandro Fernández Almendras, têm chances de indicação. A lista ainda traz filmes do enfant terrible canadense Xavier Dolan, Mommy, e do filipino Lav Diaz, conhecido pela longa duração de seus trabalhos, como Norte, o Fim da História. O prazo de inscrição já acabou. Resta saber se a Academia vai validar todos os candidatos inscritos e se algum título-surpresa ainda pode surgir.

filmes selecionados (as estrelas indicam minha cotação para aqueles que eu já assisti)

Afeganistão: A Few Cubic Meters of Love [چند متر مکعب عشق / Chand Metre Moka'ab Eshgh, Jamshid Mahmoudi]
África do Sul: Elelwani [Elelwani, Ntshavheni wa Luruli]
Alemanha: Beloved Sisters [Die Geliebten Schwestern, Dominik Graf]
Argentina: Relatos Selvagens [Relatos Salvajes, Damián Szifrón]
Austrália: O País de Charlie [Charlie's Country / Yolngu Matha, Rolf de Heer]
Áustria: The Dark Valley [Das Finstere Tal, Andreas Prochaska]
Azerbaidjão: Nabat [Nabat, Elchin Musaoglu]
Bangladesh: Glow of the Firefly [জোনাকির আলো / Jonakir Alo, Khalid Mahmud Mithu]
Bélgica: Dois Dias, Uma Noite [Deux Jours, Une Nuit, Jean-Pierre & Luc Dardenne]
Bolívia: Olvidados [Olvidados, Carlos Bolado]
Bósnia & Herzegovina: With Mom [Sa Mamom, Faruk Lončarević]
Brasil: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, Daniel Ribeiro]
Bulgária: Bulgarian Rhapsody [българска рапсодия, Ivan Nitchev]
Canadá: Mommy [Mommy, Xavier Dolan]
Chile: Matar um Homem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ [Matar a un Hombre, Alejandro Fernández Almendras]
China: The Nightingale [夜莺 / Ye Ying, Philippe Muyl]
Colômbia: Mateo [Mateo, Maria Gamboa]
Coreia do Sul: Sea Fog [해무 / Haemoo, Shim Sung-bo]
Costa Rica: Red Princesses [Princesas Rojas, Laura Astorga]
Croácia: Cowboys [Kauboji, Tomislav Mršić]
Cuba: Behavior [Conducta, Ernesto Daranas]
Dinamarca: Tristeza e Alegria [Sorg og Glæde, Nils Malmros]
Equador: Silence in Dreamland [Silencio en la Tierra de los Sueños, Tito Molina]
Egito: The Factory Girl [فتاة المصنع / Fatat el Masnaa, Mohamed Khan]
Eslováquia: A Step Into the Dark [Krok do tmy, Miloslav Luther]
Equador: Silence in Dreamland [Silence in Dreamland, Tito Molina]
Eslovênia: Seduce Me [Zapelji me, Marko Šantić]
Espanha: Living Is Easy with Eyes Closed [Vivir es fácil con los ojos cerrados, David Trueba]
Etiópia: Difret [Difret, Zeresenay Berhane Mehari]
Estônia: Tangerines [Mandariinid, Zaza Urushadze]
Filipinas: Norte, o Fim da História EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [Norte, Hangganan ng Kasaysayan, Lav Diaz]
Finlândia: Concrete Night [Betoniyö, Pirjo Honkasalo]
França: Saint Laurent [Saint Laurent, Bertrand Bonello]
Geórgia: Corn Island [სიმინდის კუნძული, Giorgi Ovashvili]
Grécia: Little England [Μικρά Αγγλία, Pantelis Voulgaris]
Holanda: Accused [Lucia de B., Paula van der Oest]
Hong Kong: The Golden Era [黄金时代, Ann Hui]
Hungria: White God [Fehér Isten, Kornél Mundruczó]
Índia: Liar’s Dice [लायर्स डाइस, Geetu Mohandas]
Indonésia: Soekarno [Soekarno, Hanung Bramantyo]
Irã: Today [امروز / Emrouz, Reza Mirkarimi]
Iraque: Mardan [Mardan, Batin Ghobadi]
Irlanda: The Gift [An Bronntanas, Tommy Collins]
Israel: Gett: The Trial of Viviane Amsalem [גט - המשפט של ויויאן אמסאלם, Ronit Elkabetz & Shlomi Elkabetz]
Islândia: Life in a Fishbowl [Vonarstræti, Baldvin Zophoníasson]
Itália: Human Capital [Il Capitale Umano, Paolo Virzì]
Japão: The Light Shines Only There [そこのみにて光輝く / Soko nomi nite hikari kagayaku, Mipo Oh]
Kossovo: Three Windows and a Hanging [Tri Dritare dhe një Varje, Isa Qosja]
Látvia: Rocks in My Pockets [Akmeņi manās kabatās, Signe Baumane]
Líbano: Ghadi [غدي, Amin Dora]
Lituânia: The Gambler [Lošėjas, Ignas Jonynas]
Luxemburgo: Never Die Young [Never Die Young, Pol Cruchten]
Macedônia: To the Hilt [До балчак, Stole Popov]
Malta: Simshar [Simshar, Rebecca Cremona]
Marrocos: The Red Moon [القمر الأحمر, Hassan Benjelloun]
Mauritânia: Timbuktu [Timbuktu, Abderrahmane Sissako]
México: Cantinflas [Cantinflas, Sebastian del Amo]
Moldávia: The Unsaved [The Unsaved, Igor Cobileanski]
Montenegro: The Boys from Marx and Engels Street [Dječaci iz Ulice Marksa i Engelsa, Nikola Vukčević]
Nepal: Jhola [झोला, Yadavkumar Bhattarai]
Noruega: 1001 Grams [1001 Gram, Bent Hamer]
Nova Zelândia: The Dead Lands [The Dead Lands, Toa Fraser]
Palestina: Eyes of a Thief [عيون الحراميه, Najwa Najjar]
Panamá: Invasion [Invasión, Abner Benaim]
Paquistão: Filha [دختر، بیٹی / Dukhtar, Afia Nathaniel]
Peru: The Gospel of the Flesh [El evangelio de la carne, Eduardo Mendoza de Echave]
Polônia: Ida EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [Ida, Paweł Pawlikowski]
Portugal: E Agora? Lembra-me [E Agora? Lembra-me, Joaquim Pinto]
Quirguistão: Kurmanjan Datka, Queen of the Mountains [Kurmanjan Datka, Queen of the Mountains, Sadyk Sher-Niyaz]
Reino Unido: Little Happiness [Uzun Yol, Nihat Seven]
República Checa: Fair Play [Fair Play, Andrea Sedláčková]
República Dominicana: Cristo Rey [Cristo Rey, Leticia Tonos]
Romênia: The Japanese Dog [Câinele japonez, Cristian Jurgiu]
Rússia: Leviathan [Левиафан, Andrey Zvyagintsev]
Sérvia: See You in Montevideo [Montevideo, vidimo se!, Serbian Dragan Bjelogrlić]
Singapura: My Beloved Dearest [Sayang Disayang, Sanif Olek]
Suécia: Força Maior [Force Majeure, Ruben Östlund]
Suíça: The Circle [Der Kreis, Stefan Haupt]
Taiwan: Ice Poison [冰毒 / Bing Du, Midi Z]
Tailândia: Teacher’s Diary [คิดถึงวิทยา / Kid tueng wittaya, Nithiwat Tharathorn]
Turquia: Winter Sleep [Kış Uykusu, Nuri Bilge Ceylan]
Ucrânia: The Guide [Поводир, Oles Sanin]
Uruguai: Mr. Kaplan [Mr. Kaplan, Álvaro Brechner]
Venezuela: The Liberator [Libertador, Alberto Arvelo]

Catorze títulos estão na lista de filmes da Mostra de Cinema de São Paulo: os representantes da Turquia, Paquistão, Suécia, Espanha, Dinamarca, Bélgica, Áustria, Finlândia, Geórgia, Alemanha, Rússia, Suíça, Colômbia e Argentina. Outros sete foram exibidos no Festival do Rio: os indicados pela Noruega, México, Portugal, Polônia, Chile, Canadá e Mauritânia. O vencedor do Oscar de filme em língua estrangeira no ano passado foi o italiano A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino.

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Mostra SP 2014: destaques

“Para mim, como pessoa física, seria muito mais fácil exibir filmes que já passaram no Rio e em outros festivais. Mais fácil e mais barato, mas acho que a função da Mostra é apresentar coisas novas”. Foi assim que Renata de Almeida, diretora do maior evento cinematográfico do país, defendeu a polêmica regra de ineditismo para os filmes estrangeiros que a Mostra de Cinema de São Paulo impôs nos últimos anos. E defendeu bem. Embora eu ainda ache lamentável que o espectador paulistano seja privado de ver, no cinema, alguns do filmes mais importantes do ano, como Boyhood, de Richard Linklater, ou os novos trabalhos de habitués da Mostra, como Tsai Ming-Liang, Pedro Costa e Ken Loach. Renata falou abertamente sobre as novas formas de se ver cinema hoje em dia, defendeu todas, inclusive os filmes feitos para a TV e os assistidos no celular.

A partir do dia 16 e até o dia 29 de outubro, a 38ª edição da Mostra exibe 331 filmes de diversos países do mundo, incluindo cinematografias pouco conhecidas como as de Angola, Bósnia e Herzegovina, Líbano e República Dominicana. Além de uma retrospectiva completa da obra do espanhol Pedro Almodóvar, que assina o cartaz desta edição e que não deve vir ao evento por causa de uma recente cirurgia nas costas, e de uma seleção de filmes dirigidos, produzidos e distribuídos pelo faz-tudo francês Marin Karmitz (entre eles, a Trilogia das Cores, de Krzysztof Kieslowski), o festival trará alguns dos títulos mais badalados de 2014, como os vencedores da Palma de Ouro em Cannes, Winter Sleep, do turco Nuri Bilge Ceylan, e do Leão de Ouro em Veneza, Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência, do sueco Roy Andersson.

Foxcatcher, de Bennett Miller, e Livre, de Jean-Marc Vallée, ambos cotados para o Oscar, são destaques entre os filmes novos. O primeiro tem chances de emplacar indicações para filme, direção, ator (Steve Carrell) e ator coadjuvante (Mark Ruffalo). O segundo pode ser finalista em atriz (Reese Whiterspoon) e atriz coadjuvante (Laura Dern). Entre as apresentações especiais, o primeiro curta do personagem Carlitos, Corrida de Automóveis para Meninos, estrelado por Charles Chaplin, que será exibido no Auditório do Ibirapuera junto com O Circo, longa que Chaplin dirigiu, escreveu, produziu e também estrelou. Os filmes do bissexto Victior Erice, como o clássico O Espírito da Colmeia, e mais três longas do japonês Noboru Nakamura integram esta vasta seleção. Abaixo, listo alguns filmes que parecem imperdíveis na listagem do evento neste ano.

Acima das Nuvens, Olivier Assayas (França)
Branco Sai, Preto Fica, Adirley Queirós (Brasil)
As Bruxas de Zugarramurdi, Álex de la Iglesia (Espanha)
Do que Vem Antes, Lav Diaz (Filipinas)
Dois Dias, Uma Noite, Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne
A Gangue, Myroslav Slaboshpytskiy (Ucrânia)
Filha, Afia Nathaniel (Paquistão)
Força Maior, Ruben Ostlund (Suécia)
Jauja, Lisandro Alonso (Argentina)
Jia Zhangke, um Homem de Fenyang, Walter Salles (Brasil)
Leviathan, Andrey Zvyagintsev (Rússia)
P’tit Quinquin,Bruno Dumont (França)
A Luneta do Tempo, Alceu Valença (Brasil)
As Maravilhas, Alice Rohrwacher (Itália)
As Noites Brancas do Carteiro, Andrei Konchalovsky (Rússia)
A Pequena Casa, Yôji Yamada (Japão)
Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência, Roy Andersson (Suécia)
Prometo Um Dia Deixar Essa Cidade, Daniel Aragão (Brasil)
Relatos Selvagens, Damian Szifron (Argentina)
O Segredo das Águas, Naomi Kawase (Japão)
Sinfonia da Necrópole, Juliana Rojas (Brasil)
Winter Sleep, Nuri Bilge Ceylan

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Garota Exemplar

Garota Exemplar

Um dos aspectos mais interessantes de acompanhar regularmente a produção de um cineasta é perceber a evolução de seu cinema. Em pouco mais de 20 anos, David Fincher dirigiu dez longa-metragens e, embora seus primeiros filmes ainda sejam os mais lembrados pelo grande público, eis um diretor que, trabalho a trabalho, procurou abrir mão de diversos maneirismos estéticos, que foram características de um modelo de cinema noventista, para encontrar uma forma mais segura e precisa de filmar.

Garota Exemplar reafirma a maturidade de Fincher, que aqui comanda a adaptação que Gillian Flynn fez de seu próprio livro. É a quinta vez consecutiva que o diretor trabalha a partir de material literário e, assim como em Zodíaco, seu melhor filme e ponto de virada de sua carreira, e Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, seu longa anterior, a linha principal é o suspense. A maneira que Fincher encontra para estabelecer, defender e fazer crescer os mistérios de uma história correta são essencialmente cinematográficos.

O longa conta a história do desaparecimento de uma mulher, aparentemente uma esposa feliz, no dia de seu quinto aniversário de casamento. Apesar de ter nas mãos uma história com elementos suficientes para garantir a atenção do espectador, o cineasta utiliza a câmera e a montagem, aspectos que costumavam ser mais exibicionistas em seus filmes mais antigos, de maneira discreta e elegante. A construção da narrativa é feita com calma, investigando os personagens e seus motivos junto com quem assiste ao filme e dando às reviravoltas da trama um tom menos espetacular e mais contundente.

Em Garota Exemplar, explorar o espaço é fundamental para determinar o tempo do filme. Sem pressa, a câmera decifra os passos de Amy e ajuda a desvendar seu sumiço e sua personalidade, da mesma maneira como faz com seu marido, Nick, dono da voz em boa parte do longa. Os flashbacks são inseridos cuidadosamente, adicionando novas perspectivas e pontos de vista à história. Fincher não acelera o ritmo nem quando o circo midiático em torno do caso ganha ares de crítica, o que pode frustrar quem espera um thriller tão histriônico quanto Clube da Luta.

Esta preocupação em desenvolver a trama se estende à direção de atores, o que garante personagens muito mais complexos do que os habituais em um filme de suspense. Rosamund Pike, cotada para o Oscar, é o destaque mais óbvio com sua protagonista cheia de camadas. Carrie Coon, Kim Dickens, Neil Patrick Harris e, sobretudo, Tyler Perry são ótimos coadjuvantes, mas é Ben Affleck, um intérprete geralmente limitado, quem mais chama a atenção. Seu “americano comum” é cheio de detalhes e nuances que o ator explora com delicadeza.

Embora acerte na maior parte do tempo, há alguns pontos de corte no filme que, de tão evidentes, parecem anunciar o fim da história algumas vezes – o que não acontece, deixando uma sensação de gordura perto do final. Talvez não acabar o filme quando ele “pede” para terminar seja uma maneira de celebrar os cinismo que atravessa toda a trama, mas parece mesmo uma tentativa de reafirmar a crítica à natureza da instituição do casamento, que é o que menos interessa nesse filme quase sempre tão interessante.

Garota Exemplar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Gone Girl, David Fincher, 2014]

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