Mommy

Mommy

Xavier Dolan dirige compulsivamente há seis anos. Já tem cinco longa-metragens, mas ainda não conseguiu amadurecer seu cinema. Talvez porque a maior marca deste cinema seja uma suposta jovialidade que justifica o comportamento impulsivo, quase descontrolado de seus personagens. Mais do que isso, a juventude que ele acreditar florescer em seus filmes ou que, em outra via, parece ser de onde seus filmes nascem, é o álibi para que Dolan cometa um cinema de excessos, sob a égide de estar verdadeiramente furioso com o mundo. Mas, mesmo que Mommy represente um passo à frente em sua mise-en-scène, a obra do jovem diretor canadense ainda parece birra de adolescente irritado com os pais.

E este novo filme retoma esse rancor juvenil. Em sua proposta inicial, Mommy parece uma refilmagem mais elaborada do longa teen Eu Matei Minha Mãe, estreia do cineasta. Aliás, um remake com direito de resposta. Temos a relação filho x mãe mais uma vez no centro da trama, mas agora Dolan se permite humanizar a personagem feminina, que assume o protagonismo da história e, basicamente, é uma “mulher complicada que ama o filho sobre todas as coisas”. Humanizar, na versão do cineasta, significa apresentar a mãe como uma versão mais crua do filho. Resumindo: a personagem de Anne Dorval, cover canadense da Luciana Gimenez, atriz esforçada, leva a culpa pela herança de perturbações que imputou ao filho.

A homossexualidade, centro da polêmica do primeiro filme do diretor, não aparece aqui, mas é como se estivesse metamorfoseada no comportamento psicótico do adolescente. Dolan parece ainda não ter expurgado os conflitos que teve com a mãe e quer resolvê-los no cinema. A questão é que esta relação problemática não encontra embasamento psicológico nos filmes que ele faz como o cineasta pretende. Dolan “resolve” suas tramas com base em truques de roteiro ou soluções fáceis, que não convencem muito, mas provocam alguma identificação, o que explica a popularidade de seu cinema. A impulsividade das personagens, a liberdade com que elas agem, sua verborragia são vendidas como manifestações genuínas. A revolta de Dolan justifica tudo. Inclusive as tolices.

No Festival de Cannes, o diretor dividiu o prêmio do júri com Jean-Luc Godard. Este, sim, um homem verdadeiramente furioso com o mundo. Tão furioso que desconstruiu o cinema para provar sua raiva.

Mommy EstrelinhaEstrelinha
[Mommy, Xavier Dolan, 2014]

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Top 10: as melhores canções de cinema de 2014

O cinema fez o espectador cantar em 2014. Depois de alguns anos deixando as canções em segundo plano, vários filmes que chegaram às telas brasileiras traziam a música no papel principal. É ela que acompanha a narrativa de Boyhood, que movimenta os romances água-com-açúçar e os romances de vampiro, que ambientam o terror brasileiro Quando Eu Era Vivo, que constroem a história de Frozen, o grande musical da Disney desde O Rei Leão. A lista abaixo traz minhas dez canções favoritas que trilharam filmes que estrearam por estas bandas ao longo do ano. Todas são composições originais para os filmes. A ordem é alfabética.

“Do You Want to Build the Snowman?”
Autores: Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez
Intérpretes: Kristen Bell, Agatha Lee Monn & Katie Lopez
Filme: Frozen

“Hal”
Autor: Yasmine Hamdan
Intérprete: Yasmine Hamdan
Filme: Amantes Eternos

“In Summer”
Autores: Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez
Intérprete: Josh Gad
Filme: Frozen

“The Last Goodbye”
Autores: Billy Boyd, Philippa Boyens & Fran Walsh
Intérprete: Billy Boyd
Filme: O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

“Let It Go”
Autores: Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez
Intérprete: Idina Menzel
Filme: Frozen

“Let Me In”
Autor: Grouplove
Intérprete: Grouplove
Filme: A Culpa é das Estrelas

“Mercy Is”
Autores: Patti Smith & Lenny Kaye
Intérprete: Patti Smith & The Kronos Quartet
Filme: Noé

“The Moon Song”
Autores: Karen O & Spike Jonze
Intérpretes: Karen O & Ezra Koenig
Filme: Ela

“Quando Eu Era Vivo”
Autor: Marco Dutra & Caetano Gotardo
Intérprete: Sandy
Filme: Quando Eu Era Vivo

“Split the Difference”
Autor: Ethan Hawke
Intérpretes: Ethan Hawke & Charlie Sexton
Filme: Boyhood

Como bônus, uma canção que não é original. A deliciosa “Please Mr. Kennedy” foi composta a partir de músicas anteriores. Dá pra ler sobre o processo de composição, em inglês, aqui.

“Please Mr. Kennedy”
Autores: Ed Rush, George Cromarty, T Bone Burnett, Justin Timberlake, Joel Coen & Ethan Coen
Intérpretes: Justin Timberlake, Oscar Isaac & Adam Driver
Filme: Inside Llewyn Davis

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Oscar 2015: como fica a corrida depois do Globo de Ouro?

Oscar 2015

As coisas começam a ficar mais claras na temporada de prêmios de cinema mais emocionante dos últimos anos. A essa altura, em outros anos, já haveria grandes favoritos em muitas categorias do Oscar, mas as listas de indicados do Screen Actors Guild of America e do Globo de Ouro chegaram para organizar a disputa. Ou quase isso. Com tantas possibilidades de candidatos em boa parte dos quesitos, o prêmio dos jornalistas estrangeiros, que não influenciava tanto em anos anteriores, voltou a ter um papel fundamental na corrida, ajudando a estreitar as possibilidades. De acordo com os finalistas ao Globo de Ouro, a disputa pelo Oscar de melhor filme deve se concentrar entre Boyhood, Selma, de Ava DuVernay, e O Jogo da Imitação, de Morten Tyldum, com Birdman correndo por fora.

Boyhood é o filme independente que conta a história de uma família. É de um diretor de filmes “alternativos”, mas que já está na estrada há mais de 20 anos. E que já foi indicado ao Oscar de roteiro algumas vezes. Ou seja, é um filme que pode agradar em várias frentes, que pode ultrapassar a classificação de indie, que tem chance de ser um consenso. Selma tem a seu lado o peso histórico, o protagonista (o personagem e não o ator, Martin Luther King), mas pode esbarrar no fato de que 12 Anos de Escravidão ganhou no ano passado e a Academia pode achar que isso já preenche a cota de filmes étnicos premiados por um tempo. Já O Jogo da Imitação, longa de época, situado na Segunda Guerra, produzido pelo Midas do cinema Harvey Weinstein, o cara que deu o Oscar a Shakespeare Apaixonado, pode ser visto com uma alternativa classuda para quem achar o filme de Richard Linklater B demais.

Birdman tem a assinatura de Alejandro Gonzalez Iñarritu, mas dificilmente um filme sobre um homem atormentado por um super-herói teria grandes chances de vencer. Ainda mais, pesando para a comédia. De todo jeito, o filme tem vaga praticamente garantida entre os indicados, junto com os três favoritos citados anteriormente. Com quatro longas assegurados na disputa, que outros fechariam a conta (de até dez indicados, com a maioria das pessoas apostando em nove)? A Teoria de Tudo, de James Marsh, dificilmente ficará de fora diante de sua repercussão. O Globo de Ouro reforça as chances de dois competidores que pareciam enfraquecido: Foxcatcher, de Bennett Miller, que teve três indicações nesta quinta, e Garota Exemplar, que mesmo sem aparecer entre os melhores filmes, foi lembrado em direção, atriz, roteiro e trilha, o que é um número bem considerável.

Foxcatcher e Garota Exemplar podem se beneficiar da quantidade de vagas disponíveis para o Oscar de melhor filme, mas vão ter que enfrentar alguns candidatos cheios de charme. Whiplash, de Damien Chazelle, merecia mais atenção, mas é teve só uma para ator coadjuvante. Ainda assim, é um filme que tem perfil para entrar na disputa. Na lista de comédias e musicais dos Globos, Caminhos da Floresta e O Grande Hotel Budapeste são os títulos mais fortes, depois de Birdman, claro. Quem parece que teve as chances resumidas foi Invencível, de Angelina Jolie. Bastou o filme estrear para sumir das apostas. Mas como temos nomes famosos envolvidos e uma lista com muitas vagas, o longa pode abocanhar uma delas. A Most Violent Year, de JC Chandor, foi ignorado pelo SAG e nos Globos só Jessica Chastain conseguiu espaço. Mas é uma alternativa.

Na categoria de diretor, Richard Linklater, Alejandro Gonzalez Iñarritu, Ava DuVernay, indicados ao Globo de Ouro, são as maiores apostas. Morten Tyldum, que perdeu a indicação hoje, pode ter o nome reforçado pela lista do Directors Guild of America, que já está no forno. Resta saber quem paparia a vaga final, que muita gente destinava a Angelina Jolie (mas parece que não vai dar pra ela): os Globos ressucitaram David Fincher, que parece uma alternativa viável, e jogaram os holofotes sobre Wes Anderson, por O Grande Hotel Budapeste, que seria lindo, mas menos provável. Damien Chazelle, por Whiplash, ainda precisa de um reforço (alguém pensou no DGA?), mas ameaça, e JC Chandor poderia ser outra possibilidade. Bennett Miller parecia descartado, mas os Globos deram nova esperança com a indicação de Foxcatcher a filme dramático. Pode ser que James Marsh, por A Teoria de Tudo, emplaque, mas falta força ao nome dele. E Mike Leigh é sempre uma figura a se considerar em se tratando de Oscar. Mas Sr. Turner precisaria de mais fôlego.

Esse fôlego poderia vir de uma indicação de Timothy Spall, mas a categoria de melhor ator está tão cheia de nomes fortes que está complicado que ele se transforme em finalista. Michael Keaton, de Birdman, Benedict Cumberbatch, por O Jogo da Imitação, Eddie Redmayne, em A Teoria de Tudo, e David Oyelowo, por Selma, parecem candidatos assegurados, mesmo com o último ignorado pelo SAG (culpa dos DVDs de serviço que chegaram com problemas para os votantes). A quinta vaga, embora haja uma porrada de pré-candidatos (Oscar Isaac, por A Most Violent Year; Bradley Cooper, em Sniper Americano; e Ralph Fiennes, O Grande Budapeste Hotel), deve sair do duelo entre Steve Carell, de Foxcatcher, e Jake Gyllenhaal, por O Abutre. O primeiro ressurgiu com força total nas listas do SAG e do Globo de Ouro. O segundo virou ameaça concreta nestas mesmas listas. Será que não dá pra aumentar o número de indicados, não?

Amanhã sai uma análise sobre as categorias de atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante.

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Oscar 2015: indicados ao Globo de Ouro

filme – drama

Boyhood, Richard Linklater
Foxcatcher, Bennett Miller
O Jogo da Imitação, Morten Tyldum
Selma, Ava DuVernay
A Teoria de Tudo, James Marsh

filme – comédia ou musical

Caminhos da Floresta, Rob Marshall
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson
Homem-Pássaro, Alejandro Gonzalez Iñarritu
Pride, Matthew Warchus
Um Santo Vizinho, Theodore Melfi

direção

Alejandro Gonzalez Iñarritu, Homem-Pássaro
Ava DuVernay, Selma
David Fincher, Garota Exemplar
Richard Linklater, Boyhood
Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste

ator – drama

Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação
David Oyelowo, Selma
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Jake Gyllenhaal, O Abutre
Steve Carell, Foxcatcher

ator comédia ou musical

Bill Murray, Um Santo Vizinho
Christoph Waltz, Grande Olhos
Michael Keaton, Homem-Pássaro
Ralph Fiennes, O Grande Hotel Budapeste
Joaquin Phoenix, Vício Inerente

atriz – drama

Felicity Jones, A Teoria de Tudo
Jennifer Aniston, Cake
Julianne Moore, Para Sempre Alice
Reese Whiterspoon, Livre
Rosamund Pike, Garota Exemplar

atriz – comédia ou musical

Amy Adams, Grandes Olhos
Emily Blunt, Caminhos da Floresta
Helen Mirren, A 100 Passos de um Sonho
Julianne Moore, Mapa para as Estrelas
Quvenzhané Wallis, Annie

ator coadjuvante

Edward Norton, Homem-Pássaro
Ethan Hawke, Boyhood
J.K. Simmons, Whiplash
Mark Ruffalo, Foxcatcher
Robert Duvall, O Juiz

atriz coadjuvante

Emma Stone, Homem-Pássaro
Jessica Chastain, A Most Violent Year
Keira Knightley, O Jogo da Imitação
Meryl Streep, Caminhos da Floresta
Patricia Arquette, Boyhood

roteiro

Boyhood
Garota Exemplar
Homem-Pássaro
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

filme estrangeiro

Força Maior
Gett: The Trial of Viviane Amsalem
Ida
Leviatã
The Tangerine Dream

animação

Uma Aventura Lego
Os Boxtrolls
Como Treinar Seu Dragão 2
Festa no Céu
Operação Big Hero 6

trilha sonora

Garota Exemplar
Homem-Pássaro
Interestelar
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

canção

“Big Eyes”, Grandes Olhos
“Glory”, Selma
“Mercy Is”, Noé
“Opportunity”, Annie
“Yellow Flicker Beat”, Jogos Vorazes

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Oscar 2015: o impacto dos indicados do SAG

Uma das coisas mais divertidas da temporada de prêmios de cinema é que, quando você acha que as coisas já estão mais ou menos resolvidas, surge um fator novo que muda toda a engenharia das bolsas de apostas. A lista de indicados ao prêmio anual do Screen Actors Guild of America, o sindicato dos atores, trouxe algumas surpresas: Jake Gyllenhaal, que aparecia modestamente nos prêmios e apostas anteriores, conseguiu uma vaga entre os melhores atores por O Abutre. Jennifer Aniston, que poucos acreditavam que tivesse chances por sua interpretação em Cake, também foi lembrada entre as atrizes. E Naomi Watts, que não tinha uma aposta séria, achou espaço na lista das coadjuvantes por St. Vincent. O filme de Angelina Jolie, Invencível, foi solenemente ignorado.

elenco

Boyhood
O Grande Hotel Budapeste
Homem-Pássaro
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

ator

Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
Michael Keaton (Homem-Pássaro)
Steve Carell (Foxcatcher)

atriz

Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
Jennifer Aniston (Cake)
Julianne Moore (Para Sempre Alice)
Reese Witherspoon (Livre)
Rosamund Pike (Garota Exemplar)

ator coadjuvante

Edward Norton (Homem-Pássaro)
Ethan Hawke (Boyhood)
J.K. Simmons (Whiplash)
Mark Ruffalo (Foxcatcher)
Robert Duvall (O Juiz)

atriz coadjuvante

Emma Stone (Homem-Pássaro)
Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
Naomi Watts (Um Santo Vizinho)
Patricia Arquette (Boyhood)

equipe de dublês

Corações de Ferro
Invencível
James Brown
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

E o impacto disso pro Oscar?

Analisando categoria por categoria, entre os atores, Michael Keaton, de Homem-Pássaro, Eddie Redmayne, de A Teoria de Tudo, e Benedict Cumberbatch, de O Jogo da Imitação, são as melhores apostas, praticamente presentes em todas as listas. Steve Carrell, que já foi favorito, mas andava bastante desacreditado, ganhou um super reforço em sua possível indicação por Foxcatcher. A quinta vaga no SAG foi para Jake Gyllenhaal, que pela primeira vez vira um contender de peso (o que pode ser confirmado com uma indicação ao Globo de Ouro nesta quinta). A maior ausência na lista foi a de David Oyelowo, por Selma, mas parece que os screeners (as cópias do filme) enviados para os votantes do SAG chegaram com problemas, o que pode explicar deixar um papel-isca de prêmios (Martin Luther King) fora da lista. As chances de Timothy Spall, por Sr. Turner, estão mais tímidas, mas um filme de Mike Leigh sempre pode surpreender no Oscar. Bradley Cooper, por Sniper Americano, e Oscar Isaac, em A Most Violent Year, precisavam ter o aval do sindicato para se tornar competidores mais sérios.

Jennifer Aniston é a grande surpresa entre as atrizes. Ela pode solucionar o vácuo que existe nesta categoria. Julianne Moore, de Still Alice, Reese Whiterspoon, por Livre, e Rosamund Pike, estrela de Garota Exemplar, são certezas absolutas (se é que isso existe), e Felicity Jones, de A Teoria de Tudo, segue bem perto deste grupo, mas a quinta vaga está em aberto. Brigam por ela Amy Adams (Grandes Olhos), Hilary Swank (The Homesman), Emily Blunt (Caminhos da Floresta), Gugu Mbatha-Raw (Belle) e Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas). Ninguém aparece com muita força na disputa. Com a indicação ao prêmio do SAG, Aniston sai bem na frente.

Entre os atores coadjuvantes, três grandes forças: o favorito J.K. Simmons, de Whiplash; seu maior rival, Edward Norton, em Homem-Pássaro; e o cada vez mais forte Ethan Hawke, por Boyhood. Robert Duvall, de O Juiz, também muito citado, fica mais forte, e Mark Ruffalo, por Foxcatcher, consolida suas chances. Existem várias outras possibilidades, mas nenhuma muito certa. Josh Brolin, de Vício Inerente, é uma boa aposta. Tom Wilkinson, por Selma, seria outra.

A lista de atrizes coadjuvantes, a grande ausência foi a de Jessica Chastain, por A Most Violent Year, filme completamente ignorado pelo SAG, mas Laura Dern, de Livre, também parecia ter chances aqui e precisava desta indicação para ficar mais competitiva para o Oscar. Patricia Arquette, que é a favorita por Boyhood, lidera o time de candidatas. Meryl Streep, fazendo uma bruxa e cantando em Caminhos da Floresta, parece irresistível. Keira Knightley, por O Jogo da Imitação, ficou mais forte, junto com Emma Stone, por Homem-Pássaro. A quinta indicação foi para Naomi Watts, por St. Vincent, mas será que esse filme chega ao Oscar? Se os screeners de Selma chegarem direitinho pro Oscar, Carmen Ejogo é uma ótima alternativa, mas Chastain ainda parece uma aposta mais viável.

No quesito de elenco, que funcionaria como um “melhor filme” pro SAG, Boyhood (que ainda parece o favorito porque fala várias línguas: indies, família, projeto único), Homem-Pássaro (que parece mais candidato do que competidor com chances) e O Jogo da Imitação (alternativa mais mainstream caso a Academia ache o filme de Richard Linklater independente demais) são os filmes mais fortes. O primeiro e o último tiveram três indicações no prêmio do SAG e o filme de Alejandro Gonzalez Iñarritu, quatro. O Grande Budapeste Hotel conseguiu papar uma vaguinha e até pode aparecer entre os dez (ou nove, nunca se sabe) filmes do Oscar, mas as chances são menores. Já A Teoria de Tudo também entrou e também deve aparecer no listão da Academia. Selma não apareceu talvez por causa das cópias, mas Caminhos da Floresta não emplacou aqui e suas chances ficam menos claras entre os melhores filmes da festa do Oscar.

Lembrando que tudo pode (deve?) mudar amanhã, com os indicados ao Globo de Ouro. A corrida deste ano está emocionante.

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Top Ten: The Trapalhões’ best movies

Texto publicado em português originalmente no dia 6 de agosto de 2013.

‘I am from Northeast. And if there’s something that someone from that region does all the time is changing from right to not so right.’ The quote from Severino do Quixadá, Renato Aragão’s role, when he talks to the Witch Fairy, played by Bruna Lombardi in O Cangaceiro Trapalhão, released 31 years ago, is a good example how the Brazilian comedy blockbuster had, in higher or lower degree, an acute view on the Brazilian’s economic status. Coincidently, it’s in the Northeast the best movies of Didi, Dedé, Mussum and Zacarias take place. Among outlaws and street entertainers, vagabonds and gold hunters, the Trapalhões helped to form Brazilian generations, either in crowded movies or in front of the TV screen. From now on, I list my troupe’s favorite movies which cannot be separated from my childhood as much as the whole country’s childhood.

Os Trapalhões na Guerra dos Planetas

10 The Trapalhões in the Planets’ War
[Os Trapalhões na Guerra dos Planetas, Adriano Stuart, 1978]

One of the most Brazilian all time’s shamelessness movies, The trapalhões in the Planets’ war is a Star Wars copy-cat, that sucks in the characters’ visual such as Darth Vader, Luke Skywalker and Chewbacca to a prince’s tale stared by Pedro Aguinaga – at that time, he was elected the most handsome man in Brazil – who lands on Earth to get help to face enemies in his native planet. It was one of the five movies directed by Adriano Stuart. The visual effects and the art direction are quite bad, which gave the movie an trash-cult aura, that went far beyond Brazilian borders as the Brazilian Star Wars. Maybe because of the low budget, the movie has several scenes without a single dialogue. Long scenes where people stage fights, dance or whatever. The electronic sound track in the Giorgio Moroder style helps to move the story forward, creating a few hypnotic moments that make believe the movie is more interesting than it is really. In the same mood, TV hostess Christina Rocha makes an entrée, without any purpose or any line.

O Trapalhão no Planalto dos Macacos

9 The Trapalhão in the Ape’s Plateau
[O Trapalhão no Planalto dos Macacos, J.B. Tanko, 1976]

A more careful production on one side; on the other hand, less ambitious. It turns out to be another American blockbuster’s sarcastic copy-cat. (By the way, it copies two blockbusters at the same time since the opening scene is a – delicious – joke on Steven Spielberg’s Jaws). Here, at least, there is some concern to put Brazilian reality in the spotlight. Renato Aragão e Dedé Santana’s characters are mistaken by thieves and, along with the cop who chases them, stared by Mussum, in his Trapalhões’s debut, enter in a balloon that travels to a planet conquered by apes. The low budget costumes and make-up give the movie a craft stroke that works just fine so the Trapalhões present their gags, which gave the movie some international fame as a cult and trash piece of art.

O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão

8 The Trapalhão in the King Solomon’s Mines
[O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão, J.B. Tanko, 1977]

The biggest Trapalhões’ blockbuster had not yet the presence of the ‘mineiro’ Zacarias, but had a lot to say on how the group would work together. The plot unfolds as the three protagonists apply stings, make-shift quarrels to make money with the bets. In a single package, the Trapalhões reflected the ‘jeitinho brasileiro’(the Brazilian lifestyle), as they philosophize about the economic hardship which would force the population to struggle to make the ends meet. In fact, this would become a group’s trade mark. What comes next is one more screenplay the group made of a legendary character or story, a little more simple, but with delicious moments, such as the scenes the trio meets the witch played by Vera Setta, who became a nightmare for an entire Brazilian generation.

O Cinderelo Trapalhão

7 The Cinderella Trapalhão
[O Cinderelo Trapalhão, Adriano Stuart, 1979]

The final scene is a classic of the afternoon sessions: every ‘trapalhão’ gets a portion of land as a reward for having saved a farm to a cowboy, but Cinderelo, Renato’s character, gets the smallest share. When he digs in his small yard, to bury the shit from his goat Gumercindo, he finds oil, the black gold . Everyone cheers and the movie ends with the frozen image of the Trapalhões, jumping with joy. It is the end, The Trapalhões poke the Brazilian feudal society, which crackdowns on the working class by force. There are a lot of funny scenes, especially when Renato Aragão plays an Arabic prince and Dedé pretends to be an Mexican. Dino Santana, Dedé’s brother, plays along with him an acrobatic and magnificent fight.

Os Trapalhões na Serra Pelada

6 The Trapalhões in Serra Pelada
[Os Trapalhões na Serra Pelada, J.B.Tanko, 1982]

The first Trapalhões movie I watched in a movie theather and, possibly, my first expericence before the big screen, is an irregular movie, which begins very well, exploring an essencial subject at the time in Brazil, the gold mining, showing the quartet had a close interest in Brazilian history. The movie balances between one of the best movie’s sound tracks with an interesting portrait of the human anthill, but the script varies to a more common adventure which, despite showcases the gold mining’s power, targets long fights sometimes played by the army, which gives an official tone to the movie, and ranks the trio way below the rest. The music stands out above the group. Procurei Teresa,(I looked for Teresa) sung by Didi and Dedé and , and “Perdi Minha Nega num Forró″,(I lost my girl in the ball room) wonderful performance of Zacarias (both in the sequence with the participation of the brilliant instrumentist Sivuca and a feminine chorus) are genious.

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Filmes do Chico Awards: os melhores de 2014

O ano está terminando e a escolha nos melhores do ano no cinema já começou. Cinco categorias já ganharam álbuns na página do Filmes do Chico no Facebook e outras vêm por aí. Basta entrar lá, curtir as fotos e ajudar a eleger os favoritos de 2014.

Filme

Direção

Ator

Atriz

Ator coadjuvante

Atriz coadjuvante

Filme brasileiro

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Oscar 2015: segundo round de apostas

Oscar 2015

filme

minhas apostas

Birdman, Alejandro Gonzalez Iñarritu
Boyhood, Richard Linklater
Garota Exemplar, David Fincher
O Jogo da Imitação, Morten Tyldum
Invencível, Angelina Jolie
A Most Violent Year, J.C. Chandor
Selma, Ava DuVernay
A Teoria de Tudo, James Marsh
Whiplash, Damien Chazelle

têm chances

Caminhos da Floresta, Rob Marshall
Foxcatcher, Benett Miller
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson
Interestelar, Christopher Nolan
Livre, Jean-Marc Vallée
Mr. Turner, Mike Leigh
Sniper Americano, Clint Eastwood
Still Alice, Richard Glatzer & Wash Westmoreland
Vício Inerente, Paul Thomas Anderson

Direção

direção

minhas apostas

Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman
Angelina Jolie, Invencível
Ava DuVernay, Selma
Morten Tyldum, O Jogo da Imitação
Richard Linklater, Boyhood

têm chances

Christopher Nolan, Interestelar
Damien Chazelle, Whiplash
David Fincher, Garota Exemplar
JC Chandor, A Most Violent Year
Mike Leigh, Mr. Turner

Ator

ator

minhas apostas

Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação
David Oyelowo, Selma
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Michael Keaton, Birdman
Oscar Isaac, A Most Violent Year

têm chances

Bradley Cooper, Sniper Americano
Jake Gyllenhaal, O Abutre
Ralph Fiennes, O Grande Budapeste Hotel
Steve Carell, Foxcatcher
Timothy Spall, Mr. Turner

atriz

atriz

minhas apostas

Felicity Jones, A Teoria de Tudo
Jennifer Aniston, Cake
Julianne Moore, Still Alice
Reese Witherspoon, Livre
Rosamund Pike, Garota Exemplar

têm chances

Amy Adams, Big Eyes
Emily Blunt, Caminhos da Floresta
Gugu Mbatha-Raw, Belle
Hilary Swank, The Homesman
Shailene Woodley, A Culpa é das Estrelas

ator coadjuvante

ator coadjuvante

minhas apostas

Edward Norton, Birdman
Ethan Hawke, Boyhood
J.K. Simmons, Whiplash
Miyavi, Invencível
Tom Wilkinson, Selma

têm chances

John Goodman, The Gambler
Josh Brolin, Vício Inerente
Logan Lerman, Corações de Ferro
Mark Ruffalo, Foxcatcher
Robert Duvall, O Juiz

atriz coadjuvante

atriz coadjuvante

minhas apostas

Carmen Ejogo, Selma
Emma Stone, Birdman
Jessica Chastain, A Most Violent Year
Keira Knightley, O Jogo da Imitação
Patricia Arquette, Boyhood

têm chances

Jessica Chastain, Interestelar
Katherine Waterston, Vício Inerente
Kristen Stewart, Still Alice
Laura Dern, Livre
Meryl Streep, Caminhos da Floresta

roteiro original

roteiro original

minhas apostas

Birdman, Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris & Armando Bo
Boyhood, Richard Linklater
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson & Hugo Guinness
Selma, Ava DuVernay, Paul Webb
Whiplash, Damien Chazelle

têm chances

O Abutre, Dan Gilroy
Foxcatcher, E. Max Frye & Dan Futterman
A Most Violent Year, J.C. Chandor
Mr. Turner, Mike Leigh
Top Five, Chris Rock

roteiro adaptado

roteiro adaptado

minhas apostas

Garota Exemplar, Gillian Flynn
Invencível, Joel Coen, Ethan Coen, Richard LaGravenese & William Nicholson
O Jogo da Imitação, Graham Moore
Still Alice, Richard Glatzer & Wash Westmoreland
A Teoria de Tudo, Anthony McCarten

têm chances

Caminhos da Floresta, Jame Lapine
Livre, Nick Hornby
Rosewater, John Stewart
Sniper Americano, Jason Dean Hall
Vício Inerente, Paul Thomas Anderson

Uma Aventura Lego

filme de animação

minhas apostas

Uma Aventura Lego, Phil Lord & Christopher Miller
Os Boxtrolls, Graham Annable & Anthony Stacchi
Como Treinar Seu Dragão 2, Dean DeBlois
O Conto da Princesa Kaguya, Isao Takahata
Operação Big Hero, Don Hall & Chris Williams

têm chances

Cheatin’, Bill Plympton
Festa no Céu, Jorge R. Gutierrez
Rio 2, Carlos Saldanha
Song of the Sea, Tomm Moore
Tante Hilda!, Benoît Chieux & Jacques-Rémy Girerd

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

filme estrangeiro

minhas apostas

Dois Dias, Uma Noite (Bélgica)
Ida (Polônia)
Mommy (Canadá)
Relatos Selvagens (Argentina)
Timbuktu (Mauritânia)

têm chances

Força Maior (Suécia)
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Brasil)
Leviatã (Rússia)
O Vale Sombrio (Áustria)
Winter Sleep (Turquia)

fotografia

minhas apostas

Birdman, Emmanuel Lubezki
Interestelar, Hoyt Van Hoytema
Invencível, Roger Deakins
Mr. Turner, Dick Pope
Selma, Bradford Young

têm chances

Corações de Ferro, Roman Vasyanov
Garota Exemplar, Jeff Cronenweth
Ida, Ryszard Lenczewksi & Lukasz Zal
A Most Violent Year, Bradford Young
A Teoria de Tudo, Benôite Delhomme

Garota Exemplar

montagem

Birdman, Douglas Crise
Boyhood, Sandra Adair
Garota Exemplar, Kirk Baxter
O Jogo da Imitação, William Goldenberg
Whiplash, Tom Cross

têm chances

Corações de Ferro, Jay Cassidy & Dody Dorn
Interestelar, Lee Smith
Invencível, Tim Squyres
A Most Violent Year, Ron Petane
Selma, Spencer Averick

O Grande Hotel Budapeste

desenho de produção

minhas apostas

Caminhos da Floresta, Dennis Gassner & Anna Pinnock
Êxodo: Deuses e Reis, Arthur Max & Celia Bobak
O Grande Hotel Budapeste, Adam Stockhausen
O Jogo da Imitação, Maria Djurkovic
Mr. Turner, Suzie Davies & Charlotte Watts

têm chances

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, Dan Hennah & Ra Vincent
Interestelar, Nathan Crowley, Gary Fettis & Paul Healy
Invencível, Jon Hutman & Lisa Thompson
Malévola, Dylan Cole, Gary Freeman & Lee Sandales)
Noé, Dylan Cole, Gary Freeman & Lee Sandales

Malévola

figurinos

minhas apostas

Caminhos da Floresta, Colleen Atwood
Êxodo: Deuses e Reis, Janty Yates
O Grande Hotel Budapeste, Milena Canonero
Malévola, Anna B. Sheppard
Mr. Turner, Jacqueline Durran

têm chances

Big Eyes, Colleen Atwood
O Jogo da Imitação, Sammy Sheldon
Saint Laurent, Anaïs Romand
Selma, Ruth E. Carter
Vício Inerente, Mark Bridges

Foxcatcher

maquiagem

minhas apostas

Caminhos da Floresta
Foxcatcher
Guardiões da Galáxia

têm chances

Êxodo: Deuses e Reis
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Malévola

Interestelar

trilha sonora

minhas apostas

Birdman, Antonio Sanchez
Interestelar, Hans Zimmer
Invencível, Alexandre Desplat
O Jogo da Imitação, Alexandre Desplat
A Teoria de Tudo, Jóhann Jóhannsson

têm chances

Como Treinar Seu Dragão 2, John Powell
Corações de Ferro, Steven Price
Foxcatcher, Rob Simonsen
Garota Exemplar, Trent Reznor & Atticus Ross
O Grande Hotel Budapeste, Alexandre Desplat

Boyhood

canção

minhas apostas

“Glory”, Selma
“Mercy Is”, Noé
“Lost Stars”, Mesmo Se Nada Der Certo
“Split the Difference”, Boyhood
“Wish I Was Here”, Wish I Was Here

têm chances

“Everything is Awesome”, Uma Aventura Lego
“I’ll Get You What You Want”, Muppets 2: Procurados e Amados
“Miracles”, Invencível
“Not About the Angels”, A Culpa é das Estrelas
“The Last Goodbye”, O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

mixagem de som

minhas apostas

Caminhos da Floresta
Corações de Ferro
Invencível
James Brown
Whiplash

têm chances

Godzilla
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Interestelar
Planeta dos Macacos: O Confronto
Transformers: A Era da Extinção

Planeta dos Macacos: O Confronto

edição de som

minhas apostas

Corações de Ferro
Godzilla
Interestelar
Invencível
Planeta dos Macacos: O Confronto

têm chances

No Limite do Amanhã
Garota Exemplar
Guardiões da Galáxia
Sniper Americano
Transformers: A Era da Extinção

Guardiões da Galáxia

efeitos visuais

minhas apostas

Godzilla
Guardiões da Galáxia
Interestelar
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Planeta dos Macacos: O Confronto

têm chances

Capitão América: O Soldado Invernal
Malévola
Noé
Transformers: A Era da Extinção
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Elena

documentário

minhas apostas

The Case Against 8, Ben Cotner & Ryan White
CITIZENFOUR, Laura Poitras
Keep On Keepin’ On, Alan Hicks
Life Itself, Steve James
Red Army, Gabe Polsky

têm chances

Elena, Petra Costa
National Gallery, Frederick Wiseman
The Overnighters, Jesse Moss
O Sal da Terra, Juliano Ribeiro Salgado & Wim Wenders
Tales of the Grim Sleeper, Nick Broomfield

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Oscar 2015: como anda a corrida do ouro

Oscar 2015

Invencível, de Angelina Jolie, teve sua première mundial esta semana, em Sydney, na Austrália, país em que foi rodado, mas ninguém pode publicar opinião sobre o filme antes do dia 2 de dezembro. A prática do “embargo” é comum em algumas exibições para a imprensa de longas que ainda vão demorar para ser lançados e o segundo filme de ficção de Jolie só chega aos cinemas no dia 25 do próximo mês. Mas a decisão ajuda a refletir: se os criadores do filme realmente apostassem todas as fichas nele, não seria mais natural alimentar as expectativas deixando as críticas positivas fazendo propaganda?

Bem, Jolie não foi exatamente muito feliz em sua estreia numa trama ficcional. Na Terra de Amor e Ódio era uma sucessão de clichês e estereótipos e este novo longa tem material suficiente para qualquer um desconfiar. Conta a história real de um piloto americano que foi abatido durante a Segundo Guerra Mundial, sobreviveu no mar por 47 dias para ser capturado e torturado pelos japoneses. Ainda assim, Invencível está cotado para concorrer ao Oscar desde que o projeto foi anunciado. Resta saber se ele chega lá.

Faltam cerca de duas semanas para que a temporada de prêmios de cinema de 2014, que culmina com a entrega do prêmio da Academia, comece oficialmente. O Círculo de Críticos de Cinema de Nova York e o National Board of Review, as duas mais antigas entidades da crítica americana, vão anunciar seus escolhidos, sedimentando os palpites, apostas e bochichos que vêm sendo desenhados desde o dia seguinte à última cerimônia do Oscar, em março passado. Até agora, tudo não passa de especulação. Os experts na temporada de ouro fazem suas apostas a partir de uma mistura de perfil do filme (tom épico, histórias reais ou roteiros adaptados de livros conceituados geralmente agradam) currículo do diretor (se ele já foi indicado ao Oscar, nunca sairá do mapa) e quantidade de astros para só depois descobrir se os longas realmente “funcionaram” junto a público e crítica.

A estreia dos filmes, em circuito ou em festivais, elimina uns, aumentas as chances de outros e revela novos concorrentes. Mas o que determina mesmo quem permanece na próxima fase da disputa são os prêmios da crítica. E esses críticos parecem dizer que Boyhood, de Richard Linklater, e Birdman, de Alejandro Gonzalez Iñarritu, ganharam força com a queda ou as fragilidades de outros favoritos. Meses atrás, o primeiro só era realmente cotado para a categoria de roteiro, onde o diretor Richard Linklater já esteve duas vezes; o segundo era mais lembrado como um azarão. Resultado: ambos cresceram depois da estreia e aparecem em todas as listas de apostas para filme e direção.

Boyhood

Boyhood, que a princípio parecia um projeto haribô de Linklater, que sempre esteve mais pro cinema de autor do que para a engrenagem de Hollywood tem a seu favor a exclusividade do projeto. O filme foi rodado ao longo de 12 anos com o mesmo grupo de atores (entre eles Ethan Hawke e Patricia Arquette), o que já o deixa num patamar diferenciado. Birdman, sobre um ator assombrado por super-herói que interpretou, também conseguiu ultrapassar seu nicho de filme indie. Iñarritu é um diretor respeitado – e já indicado – pela Academia e a presença de Michael Keaton, que muitos apostam ser a “volta por cima” do ano, alavanca as possibilidades.

O Jogo da Imitação, estreia hollywoodiana do norueguês Morten Tyldum, entrou forte na disputa. Embora o filme tenha apenas 68 de 100 pontos nas resenhas do site Metacritic, que indexa crítricas feitas mundo afora, está sendo distribuído pela The Weinstein Company, tem os astros Benedict Cumberbatch, um dos atores do momento, e Keira Knightley e, como Invencível, se passa na Segunda Guerra. Temas históricos costumam agradar à Academia, o que tem beneficiado Selma, da pouco conhecida Ava DuVernay, sobre a marcha de Martin Luther King (um elogiado David Oyelowo) pelos direitos iguais para brancos e negros. O filme tem sido bastante elogiado e nenhuma lista de apostas o ignora.

Outro personagem histórico que pode impulsionar um filme é o físico inglês Stephen Hawkings. A Teoria de Tudo, baseado no livro escrito por sua mulher, também é um título fácil nas bolsas dos especialistas em Oscar, que comparam a transformação física de Eddie Remayne com a de Daniel Day-Lewis em Meu Pé Esquerdo, mas o filme não tem o mesmo apoio crítico de outros candidatos. Mais unânime é Whiplash, exibido recentemente no Festival do Rio, que reinventa a fórmula do filme professor x aluno com um roteiro inteligente, uma montagem acertada e um duelo saudável entre Miles Teller e J.K. Simmons. Parece cada vez com mais chances de ser indicado na categoria principal.

Com seis filmes consolidados (Boyhood, Birdman, O Jogo da Imitação, Selma, A Teoria de Tudo e Whiplash) e um enigma (Invencível), resta saber que outros candidatos podem ocupar as vagas finais. Ao todo, dez filmes podem ser indicados na categoria de melhor filme, mas desde que a Academia criou a regra da elasticidade que permite de cinco a dez concorrentes, somente nove conseguem chegar lá. Há três anos que é assim. Supondo que o número se repita na temporada deste ano e considerando os seis longas citados acima como boas apostas, três vagas estão em jogo; duas se mantivermos o filme de Angeline Jolie na parada.

O Incontention aposta em Sr. Turner, de Mike Leigh, para fechar a lista (para eles, seriam apenas 8 indicados). Tem fundamento: a Academia adora o diretor; o filme é uma biografia e tem um quê refinado, o que agrada um bom quinhão dos votantes; deve ser indicado em categorias técnicas como fotografia, direção de arte e figurinos, e tem chances de emplacar Timothy Spall, ótimo, entre os atores. O Awards Circuit faz apostas mais populares. Para o site, Caminhos da Floresta, nova versão de Cinderela, assinada por Rob Marshall, e Interestelar, de Christopher Nolan. O primeiro é um tiro no escuro já que ninguém viu e o tom infantil pode não ajudar. O segundo é um caso à parte.

Desde Batman, o Cavaleiro das Trevas, muita gente acha que Nolan já deveria ter sido indicado ao Oscar de direção, mas isso nunca acontece. O filme tem aquele tom épico comum às obras do diretor, mas essa grandiosidade também tem seus detratores. As bilheterias estão boas, mas o filme teve apenas a 17ª melhor estreia do ano, perdendo a primeira posição no primeiro fim de semana em circuito. E justamente depois que chegou aos cinemas a maioria dos sites desistiu de apostar em Nolan e em Jessica Chastain, nas categorias de direção e atriz coadjuvante. A campanha realmente se apequenou. O filme terá que receber bastante apoio dos prêmios de crítica para continuar com chances.

Foxcatcher

O The Film Experience é mais tradicional. Segue apostando, ainda que nas últimas posições, em Garota Exemplar e Foxcatcher. Ambos apareciam na maior parte das listas no começo da corrida, mas foram perdendo espaço aos poucos. Muita gente parece achar que o filme de David Fincher não tem cada de Oscar por ser baseado num romance policial. Só Rosamund Pike parece inabalável. Mas as qualidades do longa podem surpreender. Já o longa de Benett Miller se prejudicou pelo fato de ter tido o lançamento atrasado em um ano. As críticas foram boas, mas os experts do Oscar parecem preferir apostar nas novidades. Hoje, poucos prevêem mais indicações do que as de Steve Carrell, que anda meio desacreditado, e a da maquiagem. No entanto, como há vagas ainda incertas, ambos os filmes podem se beneficiar das boas resenhas e encontrar forças nas indicações dos críticos.

Correndo por fora, Inherent Vice, de Paul Thomas Anderson, que a Academia sempre enxergou como transgressor (só Sangue Negro chegou lá); O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson, que também parece ser visto pelo Oscar como café-com-leite (só aparece como roteirista); e A Most Violent Year, de JC Chandor, que ganhou indicação de roteiro por seu primeiro filme, mas passou quase em branco com o segundo. Livre, de Jean-Marc Vallée, deve se restringir à indicação de Reese Whitherspoon. Já Sniper Americano, de Clint Eastwood, que não convence a Academia há uns dez anos, foi recebido com críticas mornas, assim como Big Eyes, de Tim Burton; e Corações de Ferro, de David Ayer. Com esses três fragilizados, Still Alice, de Richard Glatzer e Wash Westmoreland, que deve dar o Oscar de atriz a Julianne Moore, até cresce um pouco na disputa.

minhas apostas por ordem

1 Boyhood, Richard Linklater;
2 O Jogo da Imitação, Morten Tyldum;
3 Birdman, Alejandro Gonzalez Iñarritu;
4 Selma, Ava DuVernay;
5 A Teoria de Tudo, James Marsh;
6 Whiplash, Damien Chazelle;
7 Invencível, Angelina Jolie;
8 Garota Exemplar, David Fincher;

têm chances

9 Foxcatcher, Benett Miller;
10 Interestelar, Christopher Nolan;
11 Sr. Turner, Mike Leigh;
12 Vício Inerente, Paul Thomas Anderson;
13 A Most Violent Year, J.C. Chandor;
14 Still Alice, de Richard Glatzer e Wash;
15 Caminhos da Floresta, Rob Marshall;
16 O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson;

quase fora da disputa

17 Sniper Americano, Clint Eastwood;
18 Corações de Ferro, David Ayer;
19 Big Eyes, Tim Burton;
20 Wild, Jean-Marc Vallée.

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Interestelar

Interestelar

William Shakespeare, nos tempos idos de 1600, já dizia que “há mais coisas entre o Céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia”. Mais de quatrocentos anos depois, alguns mistérios celestes já foram desvendados pelo ser humano, mas a maior parte deles continua desafiando nossa imaginação. Christopher Nolan, que sempre foi um cineasta bem esperto, mira nesse vácuo entre o que conhecemos do nosso planeta e do resto do universo para tentar responder algumas das grandes perguntas da humanidade, mas não se decide muito bem entre a ciência, uma metafísica não assumida, a mais absoluta ficção e “o poder do amor”. Interestelar nasce dessa indefinição: é um filme confuso, completamente estruturado como um dramalhão e que tem um roteiro cheio de buracos negros.

Estamos numa Terra pós-colapso global. Nos Estados Unidos, depois da “praga” destruir várias culturas, só se planta e se colhe milho. Pelo menos até que a natureza elimine também essa última alternativa. Todo mundo virou fazendeiro. A agricultura é de subsistência. Os governos caíram. O que restou deles eliminou os exércitos. E orientou às escolas a ensinar que o homem nunca foi à Lua. Para Nolan, num planeta onde a fome atinge praticamente todos, apagar os milhões gastos com militares e projetos espaciais conforta os famintos e os que ainda comem milho. Ele só não explica quem teve a ideia de lidar com uma multidão de pessoas que não têm como se alimentar, onde as revoltas seriam iminentes, sem soldados. Mas estamos numa ficção-científica, num futuro pós-apocalíptico. Nem tudo precisa ter lógica.

Spoilers a partir daqui

Em Interestelar, as probabilidades são mais elásticas do que a margem de erro do Ibope. As nuvens podem ser sólidas e ainda flutuar sobre nossas cabeças, é possível navegar ao lado de um buraco negro sem ser automaticamente destroçado e uma viagem no tempo, ou no espaço-tempo, pode ajudar a mudar o futuro sem criar realidades alternativas. Tudo bem. Embora essas liberdades que desafiam o que já conhecemos possam entrar na pasta “ainda não temos informações suficientes, então, deixa a gente divagar”, é bem difícil explicar algumas coisas mais palpáveis, como quando nossos queridos astronautas precisam de apenas alguns segundos para chegar a conclusões que os cientistas tentam alcançar há uns cinco séculos.

Ou o plano da personagem do Matt Damon.

Toda a sequência em que surge o Dr. Mann parece apenas existir para desviar a atenção das explicações pé-de-chinelo que Nolan arruma para a parte final de sua saga espacial. Fica mais fácil comprar toda a jornada metamísticocientífica do protagonista, vivido por um Matthew McConaughey que nunca tinha chorado tanto em cena, quando ainda se está tentando decifrar o que Damon fazia naquele filme e quais eram as intenções de sua personagem. Adivinhar o que existe dentro de um buraco negro, imaginar como seria a vida em cinco dimensões, fazer crer que os códigos de uma tecnologia milênios à frente podem ser transmitidos por um relógio de pulso. Nada disso é pecado. A fantasia está aí desde que as histórias começaram a ser contadas. A questão é que todo é que esse cenário se passa num filme de Christopher Nolan.

E o grande problema deste filme é o grande problema do cinema de Nolan. Para o diretor, tudo precisa ser feito em larga escala, todo filme é construído num tom solene, quase megalomaníaco. Todos seus filmes, desde Batman Begins, parecem querer ser versões definitivas para o que se propõem. E como eles têm temas divertidos como heróis em quadrinhos, truques de mágica, o mundo dos sonhos e viagem espaciais, a brincadeira inevitavelmente se perde. Em Interestelar, como em centenas de ficções-científicas, o objetivo é salvar a humanidade, mas o peso que o diretor imprime a cada cena, a construção dramática que tenta dar profundidade ao menor dos diálogos, a ideia de chamar o físico Kip Thorne para dar credibilidade a cada solução mal explicada, resumindo, essa intenção de fazer o scifi definitivo, jogam todo o trabalho para as estrelas.

Thorne assina como produtor-executivo. Ou seja, garantiu sua parte nesse latifúndio espaço-temporal, o que pode explicar a quantidade de buracos negros que ele deixou passar no roteiro. Os atores parecem dirigidos para que todas cenas pareçam muito sofridas, dolorosas mesmo, como se o filme buscasse numa base espiritual outro suporte para suas invenções pseudo-científicas. McConaughey chora. Jessica Chastain chora. Anne Hathaway chora e protagoniza um dos momentos mais constrangedores dos diálogos do filme, quando Nolan quer dar um crédito científico para o já citado “poder do amor”, como um meio confiável para tomar decisões no espaço sideral. E quem não se debulha em lágrimas vive tenso, como Michael Caine e Casey Affleck. Aliás, a quantidade de nomes de peso no elenco só parece confirmar que o diretor queria um filme importante: Topher Grace, John Lithgow, Wes Bentley e Ellen Burstyn parecem jogados, sem função real no longa a não ser para criar momentos “olha, ele também está no elenco”.

O mais lamentável é como o filme segue em frente após cada cratera no roteiro, como se pulasse num buraco de minhoca para se livrar de um planeta de explicações que ele não consegue dar. É o roteiro mais mal acabado entre todos os filmes de Nolan. O cineasta parece confiar que o espectador vá se contentar com sua condição de leigo e passar por cima das respostas que o filme não oferece, mas finge ter oferecido. Num projeto menos ambicioso, coerência não seria o mais importante. A diversão cimentaria todas as rachaduras. Mas numa obra tão supostamente fundamental, tensa, séria, como quer o diretor de Interestelar, chegar naquele final choroso é no mínimo um desrespeito com quem assiste aos 169 minutos deste filme.

Interestelar Estrelinha½
[Interstellar, Christopher Nolan, 2014]

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